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O civismo não nos dá o direito de nos sentirmos superiores. Civismo, não é fascismo. Apesar de ser necessário, tratam-se de regras de convivência social. Ora não devemos ser cegos ao cumprimento de regras. Em todas as regras existem excepções e devemos activamente procurar essas excepções. Nessas excepções reside a nossa procura da humanidade para além das leis e das convenções. As leis podem estar erradas. Porém a nossa empatia, a nossa humanidade, raramente está.

Vem isto a respeito dos julgamentos sumários que tenho observado nas redes sociais, sobre o lixo espalhado pelo chão, normalmente junto aos contentores. Acusam-se os migrantes e uma suposta cultura de terceiro mundo, de serem os culpados deste estado de coisas. Não havendo certezas absolutas, é possível que algumas culturas não estejam habituadas, ou sequer preparadas para uma realidade urbana onde todos temos de contribuir, para que as coisas funcionem com o mínimo de sofrimento possível. É preciso ensinar essas pessoas. É preciso integrar.

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O que tenho visto é, a reboque da questão do lixo espalhado, disseminar-se a ideia de nós e eles, e da ideia que não há remédio para as diferenças. Há remédio. Chama-se humanidade. E educação. Tanto a jusante, como a montante.

Toda a gente nasce com uma educação diferente. Nem todos frequentamos boas escolas. Nem sequer boas famílias. Nem todos sabemos comer corretamente de garfo e faca. Nem todos aprendemos a respeitar o próximo. Nem todos tiveram a nossa sorte. Significa isto desistir das pessoas, e por conseguinte da nossa humanidade? Concerteza que não.

Os outros, os estrangeiros, fazem agora parte da nossa realidade. Não se irão embora facilmente. Como eu os compreendo. Também gosto de morar aqui. Um sítio que tem segurança. Um sítio que tem bons hospitais, boas escolas. Um sítio onde as pessoas se cumprimentam e se conhecem.

Mas é preciso, do outro lado, do lado dos “estrangeiros”, humildade em querer aprender como se construiu este país. Com disciplina. Com ética de trabalho. Com alegria, camaradagem, com imaginação. Com inteligência. Com esperteza. Com solidariedade e humanidade. Com improviso, porque não.

Estamos “condenados” a ser professores desta gente que chega. Pelo menos daqueles que desejam aprender o que é ser português. Ser um dos nossos. Mas não seremos bons professores por meio do civismo. Por meio das leis. Por meio da tecnocracia. Seremos bons professores em primeiro lugar pelo exemplo. Mas também seremos bons professores senão esquecermos que somos humanos. Seremos bons professores cada vez que estendermos a mão ao próximo. Ao nosso semelhante. Seremos bons professores se pensarmos que não estamos a formar cidadãos, oprimidos por regras e convenções. Mas sim homens e mulheres que irão construir o nosso futuro. Juntos.

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