Rodrigo Bertelo rodrigo.bertelo@entroncamentoonline.pt

A organização de eventos de grande dimensão é uma tarefa complexa e que exige um planeamento prévio cuidado e aprofundado. Para se poder garantir a segurança de todos os participantes, é necessária uma estreita coordenação e cooperação entre diferentes entidades, quer a nível nacional quer internacional.

Desta forma, o papel do Gestor Municipal de Proteção Civil no planeamento de eventos que envolvam multidões é de extrema importância, pois cabe a ele coordenar e orientar o planeamento do evento.

Um bom gestor de operações de segurança com multidões terá de ter conhecimento específico do ambiente à sua volta e de se adaptar à dinâmica do meio ambiente.

Uma Reunião em Massa ou Mass Gathering poderá ser definida como um evento público pré-planeado, num local específico e por um período definido de tempo, em que temos meios e recursos de resposta alocados.

Mas para melhor percebermos e tratarmos eventos desta natureza, temos igualmente de estudar e planear o tipo de pessoas e multidões que teremos no evento, pelo que em primeiro lugar, temos de compreender a natureza da dinâmica das multidões em relação à sua segurança, em segundo lugar, temos de desenvolver uma metodologia de análise de risco mais adequada para a conceção e gestão de locais onde as multidões possam desenvolver-se e estabelecer-se, e finalmente, criar uma ferramenta que permita que outros compreendam a natureza, os problemas e os componentes necessários das multidões e da dinâmica da multidão.

Existem ainda três componentes que por norma contribuem para o risco e ocorrência de incidentes. Estas são a Localização, onde o risco pode ser focado num local específico e pode não se manifestar até que o fluxo crítico de pessoas seja atingido; a Duração, onde o risco pode existir por um curto período de tempo, por exemplo as entradas e saídas de pessoas; e a Severidade, onde o risco pode ter níveis de severidade diferentes durante o evento e um único valor de risco não é suficiente para o descrever.

Todos os riscos podem ainda ser influenciados por fatores externos, como o tempo, atrasos de transporte, etc. Há muitas variáveis, recomendando-se para o efeito um estudo de acidentes e incidentes passados.

Desta forma temos de ter em conta certos aspetos no planeamento e implementação de um evento deste tipo, definindo objetivos, e no que diz respeito à saúde pública em reuniões de massa, temos de prevenir ou minimizar o risco de ferimentos e maximizar a segurança para os participantes, espetadores e moradores. A questão do garante da salubridade do evento é igualmente de extrema importância, garantindo o controlo da rede de saneamentos e higiene e segurança alimentar dentro do recinto do evento. Para isso teremos de efetuar uma cuidadosa avaliação de risco, vigilância e resposta, podendo para isso efetuar parcerias com outras entidades e grupos que irá facilitar o processo de planeamento.

Devido à natureza dos eventos, o planeamento especial para fornecer assistência médica de emergência ou contínua é necessário para responder efetivamente se um incidente ocorrer. Ao planearmos a resposta, temos de padronizar procedimentos de triagem e controle de infeção.

A logística também é um aspeto crucial de qualquer planeamento de evento em massa, e não deve ser posta de parte. As multidões em massa tornam a logística ainda mais exigente. Se ocorrer um incidente, e de repente todos precisarem de apoio, todas as suas necessidades serão de alta prioridade.

É igualmente de extrema importância estabelecer sistemas de coordenação e controlo para que possamos ter uma resposta rápida e coordenada a quaisquer incidentes durante uma reunião em massa, criando para isso um Posto de Coordenação e Comando onde as mais variadas entidades tenham assento através dos seus oficiais de ligação.

Este posto de coordenação e comando deverá seguir o conceito prático de criação de duas salas distintas. A primeira para operacionalizar a Coordenação de Security & Safety, com a adaptação do conceito da interoperabilidade, onde cada força tem o seu comando próprio. A segunda, chamada Sala de Crise, que só será utilizada em caso de incidente. No caso da ocorrência de um incidente tático policial, deverá ser criado um Posto de Comando de Incidente, e por sua vez, se ocorrer uma normal situação de socorro, deverá ser efetuada a montagem de Posto de Comando Operacional.

Por fim, facilitar a comunicação é essencial para a gestão bem-sucedida. A espinha dorsal de qualquer plano de resposta é a capacidade de se comunicar. Para eventos com multidões, precisamos estabelecer um sistema de comunicação interna confiável, que seja interoperável e redundante. Precisamos igualmente de desenvolver um plano de comunicação com o público e com os órgãos de comunicação social em caso de crise.

A coordenação e a comunicação são questões transversais que exigem planeamento antecipado, pelo que em eventos desta ordem teremos de iniciar a sua organização com tempo, de modo a testarmos tudo o que disse anteriormente. Para o efeito poderemos realizar exercícios em modelo TTX e CPX, podendo ainda realizar workshops e ações de sensibilização preparatórias.

 

A resposta pronta e rápida do cidadão é tão ou mais importante que a resposta dos serviços de emergência.

Todos juntos poderemos fazer a diferença.

 

Rodrigo Bertelo