Miguel Brites Moita
Levi Fernandes levi.fernandes@entroncamentoonline.pt

 

 

 

 

 

 

O entorse do tornozelo é das lesões mais frequentes na prática ortopédica.

Apesar de a grande maioria resolver sem deixar sequelas aparentes, uma percentagem menor pode causar incapacidade prolongada.

O movimento forçado que está na origem dos entorses, pode provocar danos aos ligamentos, cartilagem e tendões em volta do tornozelo. Estes danos, podem originar, entre outros, dor persistente, entorses frequentes sem motivo muito óbvio, sensação de fraqueza ou falta de confiança ao caminhar.

É fundamental encarar o entorse como uma lesão séria e não uma banalidade. Idealmente, os entorses devem ser acompanhados desde o início para minimizar a possibilidade de complicações e fazer o seu tratamento atempado. Quando isto não acontece, é possível que o doente passe meses e anos com dor e outros sintomas aparentemente sem explicação.

De facto, é muito frequente na consulta ouvirmos a expressão “foi um entorse mal curado…”, para fazer menção a queixas que não desapareceram. Contudo, uma grande parte destas situações tem solução.

Através de um exame físico cuidado e de exames complementares como o RX, a Ecografia ou a Ressonância Magnética, é normalmente possível diagnosticar o que está na base dos sintomas do doente.

Posteriormente é elaborado um plano de tratamento que poderá passar por tratamentos de fisioterapia, alterações no calçado, uso de ortóteses, infiltrações e, caso não seja possível resolver a sintomatologia de outra forma, a cirurgia.

A cirurgia é normalmente realizada com recurso a artroscopia, uma técnica minimamente invasiva, realizada através de pequenos orifícios. Nesta técnica, uma câmara de vídeo e vários pequenos instrumentos são introduzidos no tornozelo, permitindo realizar a limpeza da articulação e tratar lesões da cartilagem, reparar ou reconstruir os ligamentos e tendões.

Assim, não existe necessidade de aceitar as queixas decorrentes de um entorse, sem antes esgotar as possibilidades diagnósticas e terapêuticas que hoje em dia estão disponíveis. Consulte um Ortopedista dedicado ao Pé e Tornozelo para uma correcta avaliação e tratamento.

Artigo redigido por Miguel Brites Moita, Médico Ortopedista dedicado à patologia do pé e do tornozelo do Hospital CUF Santarém, clínicas Sanus e Medinurse em Torres Novas.