Levi Fernandes levi.fernandes@entroncamentoonline.pt

A anca é a articulação entre o acetábulo (cavidade na bacia) e o fémur que na sua extremidade superior apresenta o colo do fémur e a cabeça femoral.

A fratura da anca acontece maioritariamente em doentes idosos, sobretudo mulheres, muitas vezes em contexto de quedas simples, no entanto, também pode resultar de traumatismos maiores em doentes mais jovens.

É uma das fraturas mais comuns em todo o mundo e tem uma elevada taxa de mortalidade ao final de um ano (pode chegar a 30%), isto porque as pessoas sujeitas a este traumatismo, muitas vezes já possuem algum grau de fragilidade.

No ano de 2018 foram registadas 343 destas fraturas na região do Médio Tejo e 288 no Distrito de Santarém, um número bastante significativo.

É importante atuar na prevenção das quedas sobretudo tentando intervir nos motivos de queda relacionados com o meio que rodeia o idoso. Algumas medidas como assegurar uma boa iluminação interior, corrimões nas escadas, chão antiderrapante na casa de banho e ausência de tapetes no quarto podem contribuir para aumentar a segurança em casa. Estas e outras sugestões e informações estão disponíveis para consulta no “Guia prático para prevenção de quedas em idosos no domicílio”, do SNS.

Quando as quedas acontecem e resultam numa fratura da anca, o doente fica acamada até que a fratura seja tratada.

Independentemente da idade, estas fraturas são normalmente tratadas cirurgicamente, pois se assim não acontecer, a pessoa terá dor constante, sobretudo com as mobilizações durante a higiene, será incapaz para voltar a andar, e como ficará acamada terá um risco aumentado de outras complicações como infeções respiratórias, úlceras de pressão e tromboembolismo.

O tratamento varia de acordo com o tipo de fratura e normalmente poderá ser feito através da fixação da fratura ou então pela substituição da articulação que já não é “recuperável”, por uma prótese.

Após a cirurgia o doente poderá sentar-se no primeiro dia e inicia-se o processo de reabilitação com o objetivo de recuperar o estado funcional prévio (nem sempre é possível).

Com o envelhecimento da população em geral, é expectável que esta patologia se torne uma “epidemia” que irá exigir uma resposta multidisciplinar, começando com a identificação de fatores de risco para quedas e a sua correção, passando pelo tratamento cirúrgico adequado e atempado quando as fraturas ocorrem, e culminando no acompanhamento e orientação na reabilitação pós-cirúrgica.