José Nogueira
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(Após o Jornal das 20 h da RTP de 28MAR2020)

Assisto impotente a uma tragédia de contornos inimagináveis, cujo resultado penso sinceramente que ninguém sabe ao certo. Acabo de ouvir nas Notícias das 20h do Canal 1 que Itália passou os 10 mil infetados ao tempo que sobe e sobe, bem mais cedo do que nós, Portugal, com mais de 4 mil infetados e uma população bem inferior, com a rede de propagação nacional mais recente.

Ao mesmo tempo, a taxa diária aproxima-se a passo certo dos 20% diários de novos casos, sem querer desacelerar, o que faria com que em termos lineares isto duplicasse a cada 5 dias. Mas não é assim, o crescimento não é linear, mas exponencial e por isso bastam 3, seguramente 4 dias, para que esta duplicação ocorra. De ontem para hoje o número de óbitos aumentou 33% com quase 20% mais de infetados… o Sr. Presidente da República acaba de dizer, em entrevista rápida algures em contenção que já não está em período bem mais grave, que estamos a ganhar. Não sei o quê. Mas talvez saiba e fique triste por isso.

Sigamos algo deste género: 4000 * 1,5 ^ (n/4), ou seja, que ‘isto’ aumenta 50% a cada 4 dias seguindo o inequívoco comportamento exponencial. Mais do que decalcado e a decalcar que estamos quem está no TOP 5 e começou mais cedo. N é o número de dias decorridos a partir de hoje.

Mas o aumento será superior a 50% num período nunca superior a 4 dias. Desde o mil infetado (1000 em vez de 4000) com a mesma cadência de 3-4 dias (podendo 4 ser inferior a 4) e para cerca de 75% mais de infetados (1,75 e não 1,5), curva mais agressiva e que se verifica desde aí, fiquemos pela esperança da primeira à data do dia de hoje. Que não tem qualquer cor e nem tende para o preto e branco; é negra.

ESTA É UMA REALIDADE QUE NÃO SE LÊ NAS CONFERÊNCIAS DE IMPRENSA, NÃO QUER SER LIDA OU CONTADA, OU É DE UMA IRRESPONSABILIDADE SEM NOME.

COVID-19; PARA ONDE CAMINHAMOS? PARA OS 5 DÍGITOS JÁ DAQUI A POUCO?

A hecatombe e o descontrolo total sobre a propagação estão instaladas na China (pese dizer que recupera mas a estatística deste povo é curiosa e sagazmente originária no regime moderno mais controlador), Itália, França, Espanha e GB; Ângela Merkel quer acreditar noutra coisa e por isso insiste na política de apoio da treta a par da Holanda, saqueadores da História nos mares do norte que agora adaptaram os barcos à infantaria para a moeda numa Europa de mãos largas que se financia da periferia para o interior, de sul para norte.

De acordo com o Gabinete de Estatística Permanente da EU e Mundo que segue dia a dia este problema, e de onde saiu a imagem que se anexa, e para o qual penso irmos reclassificar, os EUA estão nesta infeliz corrida também e em grande estilo estatístico fosse isto bom, perfazendo um TOP 5 a que ninguém quer pertencer. Portugal com mais de 4 mil infetados está a 2 – 3 dias se atingir 5 mil também e quando aí chegarmos seremos do TOP 6 mundial, um dos seis países no mundo que ultrapassaram os 5 mil infetados com Covid-19, tão mais tarde que começámos. 6 de entre centenas numa Europa a 27, numa ONU de quase 200.

Que esta observação sirva para deixar claro que estamos na linha da frende de uma guerra sem tréguas à vista mas não como diz o Sr. Presidente da República, em crescimento galopante, sim caro Marcelo, e com uma suavização ou achatamento que a minha miopia não vê, desejada que não aparece nunca mais na curva de infetados, com um adiar atrás de adiar do momento esperado do pico que depois de ser dito ir ser um planalto pela DGS, diz Marta Temido ir ocorrer para fim de Maio.

Simples perceber que com uma taxa diária entre os 15 e os 20% em termos de aumento, se isto fosse linear, que não é mas exponencial, por baixo e a cada 5 dias duplicam-se os casos. A 7 semanas do pico projetado são “7 dobros”, e já considero 7 dias para que tal ocorra por cada um dos dobros, mas será mais rápido porque não se vai de 4-5 para 7 mas para menos porque o galope é… exponencial. Mas vá, seja a semana a duplicar isto, é conservativo e esperançoso que insisto que o sejamos, mas sem desarmar que é o que temos que ser e praticar. E serão 7 dobros, 2^7, ou seja, o que temos agora x 64 a 128, usemos o valor intermédio x96.

Mais esperançosos? Muito bem… Que fiquem os x 64 sobre os 4 mil de hoje. Não? Não passa os 200 mil? Nem toca nos 100 mil sequer? Oxalá peça desculpa a todos

vós por isto. A matemática que vou afinando, casos diários, acumulados e suas 1ª e 2ª derivadas, não me permitem convencer de outra coisa, mais que olhando aos nossos parceiros do TOP 6 no qual estaremos para a semana, decalcamos ipsis verbsis o seu início e desenvolvimento.

É de facto assustador, aterrador, impossível confesso de acreditar nesta navegação por meros instrumentos, e não vejo que melhore mais com as medidas que estão a ser adotadas com novos meios físicos a serem preparados; mas nada me faz crer que esta educação de atravessar a ponte para o Algarve, ir em massa para o Choupal em Coimbra ou para as marginais do norte e que muitos irão para o interior mais sossegado do Covid-19, não exportará as regiões de infeção com características galopantes finalmente pelo país real que não é só Lisboa.

Os dados estão ao dispor, e não são difíceis de analisar e muita conservação de análise está feita, feita assente na esperança e na ausência total de algo muito ténue que seja e que a contrarie, arredondamentos para baixo… até Domingo de Páscoa não é de afastar nem por nada 30 mil a 35 mil versus os 4 mil de hoje. E os 5 dígitos de há pouco.

Sinceramente espero estar enganado, mesmo, mais que 30 mil corresponderão a cerca de 500 óbitos, mais uma vez com a mortalidade sobre os infetados abaixo do esperançado 1,9% atual. De ontem para hoje subiram 25 sobre 75, estamos com 100, um aumento de 33%. O comportamento é mais grave do que se observou nos países que já colapsaram em termos de saúde no mesmo tempo decorrido em relação ao dia 1, porque quando foi o dia zero de todo não sabemos.

Desejo estar enganado, mas de todo, respeite tudo e todos, não é uma necessidade, é evitar que dentro de um mês ou meados de Maio o meio milhão não seja um milhão no mundo. Que, mais uma vez, espero que esteja enganado. Que dentro de 6-7 semanas não sejamos tantos com 5 dígitos bem seguros e firmes e nessa medida 10% do mundo de uma estatística que ninguém quer pertencer.

Não saia de casa, para o ano também há Páscoa… não crie mais nichos de galopes estatísticos para o Covid-19 porque seremos nós, assintomáticos a furar o balão saudável de muitos lugares.

Beijes e abraces, cuidem-se, protejam-se. E digam-me, que espero que sim, que me enganei.

Que inferno!

José Nogueira