Projeto associado à privatização da TAP, anunciado esta tarde pelo primeiro ministro Luís Montenegro, prevê uma nova pista com utilização militar e civil e cerca de 200 postos de trabalho. O investimento específico na infraestrutura de Tancos ainda não foi divulgado
O Polígono Militar de Tancos, no concelho de Vila Nova da Barquinha, poderá receber uma escola de aviação e uma nova pista destinada a utilização militar e civil, num projeto associado aos investimentos que a Lufthansa, que venceu o concurso para aquisição de posição quase maioritária na empresa aérea portuguesa, pretende desenvolver em Portugal no âmbito da privatização da TAP.
A iniciativa foi divulgada esta quarta-feira, 14 de outubro, no contexto da escolha do grupo alemão pelo Governo para adquirir uma participação na companhia aérea portuguesa. Segundo a informação publicada pelo Jornal Económico, o pacote de investimentos anunciado pela Lufthansa ascende a 500 milhões de euros e abrange diferentes projetos em território nacional, entre os quais a escola de aviação em Tancos.
O valor global não corresponde, portanto, exclusivamente ao projeto previsto para o Médio Tejo. Até ao momento, não foi possível determinar, com base na informação consultada, qual a parcela concreta dos 500 milhões de euros que será destinada à escola e à nova pista.
Nova valência aeronáutica em Tancos
O projeto prevê a instalação de uma escola de pilotos nas antigas instalações da Base Aérea n.º 3, atualmente integradas no dispositivo militar de Tancos, onde está instalada a Brigada de Reação Rápida do Exército.
A proposta contempla igualmente uma nova pista, que deverá permitir a coexistência de atividades militares e civis. De acordo com a informação divulgada, estão previstos cerca de 200 postos de trabalho associados à escola de aviação.
A concretização da iniciativa poderá representar uma nova oportunidade de desenvolvimento económico para o concelho de Vila Nova da Barquinha e para a região do Médio Tejo, através da criação de emprego e da dinamização de atividades ligadas à formação aeronáutica e aos serviços de apoio.
No entanto, o calendário de execução, o modelo de funcionamento, a distribuição do investimento e as condições de utilização das infraestruturas ainda terão de ser esclarecidos.
Projeto antecede anúncio da privatização
A possibilidade de instalar em Portugal uma escola de pilotos ligada à Lufthansa já tinha sido avançada em abril deste ano. Na altura, o grupo alemão manifestou interesse em desenvolver uma estrutura de formação destinada, numa primeira fase, a pilotos da Força Aérea alemã, com possibilidade de receber militares de outros países aliados.
Em junho, o Governo aprovou uma declaração de intenções com empresas do grupo Lufthansa para estudar o desenvolvimento do projeto em Portugal. Essa iniciativa previa a análise das condições técnicas, operacionais, económicas e jurídicas necessárias à sua concretização.
O anúncio agora divulgado enquadra-se nesse percurso e associa a escola de aviação à estratégia de investimento do grupo alemão em Portugal.
Além do projeto de Tancos, o pacote de investimentos anunciado inclui outras iniciativas, nomeadamente nas áreas da inovação e dos serviços empresariais. A Lufthansa Technik tem também projetos próprios no setor da manutenção aeronáutica, que não devem ser confundidos com o investimento global agora anunciado nem contabilizados automaticamente como parte da escola de aviação.
O que está em causa na privatização da TAP
A escolha da Lufthansa pelo Governo constitui um passo no processo de privatização parcial da TAP. A operação prevê a alienação de 44,9% do capital da companhia aérea ao investidor selecionado, estando ainda reservada uma participação de até 5% para os trabalhadores.
O encaixe financeiro estimado para esta fase da operação foi anunciado em cerca de 1.201 milhões de euros. Este montante diz respeito à transação relativa à TAP e é distinto dos investimentos que a Lufthansa prevê realizar em Portugal.
A entrada do grupo alemão no capital da transportadora portuguesa poderá reforçar a integração da TAP numa rede internacional de aviação e criar condições para o desenvolvimento de novas atividades ligadas à formação, à manutenção e à inovação aeronáutica.
Ainda assim, a seleção da Lufthansa não significa que todos os projetos anunciados estejam já aprovados ou em execução. A concretização da operação de privatização e dos investimentos associados depende dos procedimentos aplicáveis e dos compromissos que vierem a ser formalizados.
Impacto regional depende da concretização do projeto
Para o Médio Tejo, a instalação de uma escola de aviação em Tancos poderá representar um investimento relevante, sobretudo pelo potencial de criação de emprego e pela possibilidade de atrair atividade especializada para a região.
Contudo, a dimensão efetiva dos benefícios dependerá do investimento especificamente destinado ao projeto, do número de postos de trabalho que venham a ser efetivamente criados e da calendarização da construção e entrada em funcionamento da infraestrutura.
Para já, a informação disponível permite enquadrar a escola de aviação na estratégia de investimento anunciada pela Lufthansa no contexto da privatização da TAP. Permanecem, porém, por esclarecer os detalhes financeiros e operacionais específicos do projeto de Tancos, fundamentais para avaliar o seu impacto real na economia local.
Texto: Ricardo Alves



















