A sinistralidade rodoviária continua a agravar‑se em Portugal ao longo de 2026, com os dados oficiais da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária e da GNR a revelarem um aumento expressivo do número de acidentes, vítimas mortais e feridos graves. Até 11 de agosto, o país registou mais de 93 mil acidentes, um crescimento superior a seis mil ocorrências face ao período homólogo de 2025. No mesmo intervalo, morreram 302 pessoas nas estradas portuguesas, mais 24 do que no ano anterior, enquanto o número de feridos graves subiu para 1.756, também acima dos valores registados em 2025. Os feridos ligeiros diminuíram ligeiramente, mas continuam a representar a maioria das vítimas, ultrapassando os 26 mil.
O primeiro semestre já evidenciava esta tendência, com 17.941 acidentes com vítimas, 225 mortos e 1.371 feridos graves entre janeiro e junho. Os atropelamentos destacaram‑se pela severidade, com 31 vítimas mortais, um aumento superior a 120% face ao período homólogo. As zonas urbanas concentraram quase dois terços dos acidentes e perto de metade dos feridos graves, enquanto as estradas nacionais e as autoestradas mantiveram um peso significativo na mortalidade. A sinistralidade envolvendo motociclos também cresceu, com mais de 3.600 acidentes, 52 mortos e 342 feridos graves no primeiro semestre, segundo dados da GNR.
No distrito de Santarém, a situação é particularmente preocupante. Entre janeiro e junho, morreram 22 pessoas em acidentes rodoviários, colocando a região entre as mais afetadas do país. No segmento dos motociclos, Santarém liderou a mortalidade nacional, com oito vítimas mortais no primeiro semestre. A gravidade mantém‑se nos balanços semanais: entre 10 e 16 de agosto, a GNR contabilizou 114 acidentes no distrito, que resultaram em dois mortos, dois feridos graves e 33 feridos ligeiros. Estes números reforçam a posição de Santarém como uma das zonas mais críticas do país no que respeita à sinistralidade rodoviária.
A ANSR, a GNR e a PSP têm intensificado operações de fiscalização e ações de sensibilização no terreno, integradas no Plano Nacional de Fiscalização de 2026 e alinhadas com a Visão Zero 2030, que assume como objetivo a eliminação de vítimas mortais nas estradas portuguesas. As autoridades sublinham que fatores como o álcool, a velocidade excessiva, a distração ao volante e a vulnerabilidade dos motociclistas continuam a estar na origem de grande parte dos acidentes graves. A evolução dos números mostra que a sinistralidade rodoviária permanece como um dos principais desafios de segurança pública no país, exigindo comportamentos responsáveis e uma fiscalização contínua para travar a tendência de crescimento das vítimas.
Redação


















