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A seção política do PSD do Entroncamento vai a votos apenas com uma lista concorrente. A existência de duas fações dentro dos sociais-democratas locais, já era evidente.

Segundo um comunicado que publicamos na íntegra, uma das fações exige indignação. Já o atual Presidente da seção, José Miguel Baptista, disse ao EOL “não contribuir para alimentar guerras pessoais”.

“Aos simpatizantes e militantes de base do PSD no Entroncamento,

Exige-se indignação!

Há uns anos a esta parte, o PSD do Entroncamento tem estado dividido entre duas fações que tem posições diametralmente opostas de olhar a vida partidária e também a vida política da cidade.

Este ano, um dos grupos, o dos subscritores desta comunicação, decidiu romper com o processo de divisão interna e tentar, genuína e definitivamente, quebrar o ciclo interno em que apenas se chamam os militantes para, em momentos eleitorais, darem votos cegos de apoio a pessoas com quem mantêm laços de solidariedade, família ou mesmo lealdade, seja lá o que for que cabe neste último conceito.

E demos o primeiro passo para chegar a um acordo sério, sem reservas mentais, sem jogos de bastidores, com a convicção que só a união interna dos sociais-democratas da cidade pode, com garra e alma, ser vencedor num projeto para o Entroncamento, que conhecemos como tradicionalmente de esquerda e que agora, está indiciado, tem uma percentagem de quase 20% de votos em forças partidárias que refletem o descontentamento e a revolta dos cidadãos.

Abrimos as conversações e falámos com o atual Presidente da concelhia do PSD, que depois deixou de ser candidato a um novo mandato …, falámos com o futuro candidato a Presidente (atual vereador), que afinal a meio do percurso também deixou de ser candidato…

Foi um processo muito penoso que, com resiliência, aceitámos em prol de um bem maior.

Mantivemos as negociações e fomos percebendo que se queria ganhar tempo. E aconteceu o inevitável. As negociações acabaram sem qualquer explicação no momento em que fechou o caderno eleitoral e, como se diz em gíria partidária, se fizeram as “contas da mercearia”, e se percebeu que não havia ameaça numérica para manter o poder interno.

Foi feio! O civismo e a urbanidade são exigíveis a todos e muito especialmente a quem quer representar um partido. Enquanto sociais-democratas exigimos mais aos nossos representantes. Entendemos a liderança com o sentido de vocação e missão e não aceitamos faltas de respeito e atentados à dignidade seja de quem for.

Hoje ganhar eleições exige mobilizar as pessoas, agregando-as à volta de equipas protagonistas de mudanças genuínas, enriquecidas com princípios e valores de natureza social, económica e ambiental.

Não se ganham eleições na sociedade com “Chico Espertos”.

Na democracia contemporânea, “Contar espingardas”e “Ganhar na secretaria” são conceitos e métodos ridículos de quem ainda não percebeu que ganhar apenas o círculo restrito onde se movem as eleições partidárias internas, seca e bloqueia a alternância e a inovação e não mobiliza a sociedade.

Não se entenda esta comunicação como um conselho, pois sabemos que não apreciam.

Não se entenda esta comunicação como um aviso, pois sabemos que não entendem.

Entenda-se como um lamento, um desabafo com uma profunda indignação, que só é feita na praça pública porque não há condições para o fazer internamente.

O Entroncamento merece mais do PSD.

Em representação de um grupo de militantes e simpatizantes do PSD Entroncamento
João Pedro Dâmaso
Paula Leitão
Rui Ramos
Amílcar Martins
David Lage”

Confrontado com o comunicado, o atual Presidente da seção do Entroncamento, José Baptista, disse ao EOL que:

“Enquanto Presidente do PSD Entroncamento não contribuo, em momento algum, para alimentar guerras pessoais com motivos que desconheço. Foi assim que agi ao longo do mandato que agora termina, falando com todos os militantes e envolvendo quem quis ser envolvido, estando próximo da sociedade civil, das famílias, das associações e coletividades, dos empresários, de tantas e tantos. Na verdade, não fui contactado por nenhum dos militantes que assina a missiva, pelo que nada tenho a acrescentar sobre o assunto, desconhecendo o que move cada um. Quanto ao processo eleitoral do PSD devo apenas esclarecer que o mesmo é claro e regulado por regulamentos nacionais, sendo que apenas pode votar quem cumpre com o respetivo regulamento, o que não é o caso da maioria dos signatários. Fazer mais comentários significaria prejudicar o trabalho da estrutura local do PSD e dos eleitos nos Órgãos autárquicos, militantes e independentes, que fazem tanto com enorme esforço pessoal e a quem tenho, penhoradamente, de agradecer uma vez mais. As eleições ganham-se e perdem-se e o importante é saber aceitar os resultados com dignidade, sem qualquer manobra dilatória e no dia seguinte estar a trabalhar para o bem comum de uma cidade que tanto precisa do PSD para encontrar o rumo certo do futuro”.

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