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Alguém me perguntou se tinha informação biográfica sobre o professor Abílio Meireles. Era uma figura conhecida no Entroncamento, por ser professor no colégio Mouzinho de Albuquerque, professor de Desenho e Trabalhos Manuais.

Quando me dediquei a ler a imprensa local, por razões de pesquisas, fui encontrando referências ao professor Meireles, e foi assim que fiquei a saber da sua vinda para o Entroncamento, para lecionar no Externato Mouzinho de Albuquerque, inaugurado no ano letivo 1945/1946.

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Quanto ao ano da sua vinda, poderá ter sido em 1949, ano em que se aposentou da carreira de professor no ensino público, na Escola do Magistério Primário de Lisboa.

No Entroncamento, vivia sozinho, tinha um quarto na Rua Mestre de Avis, perto do Colégio, mas tinha família em Lisboa. Sabia-se que nascera em Macau, e pouco mais.

Atualmente, os meios eletrónicos, de que dispomos, permitem-nos trabalhar na área da genealogia, com sucesso, ainda que, por vezes, não seja fácil encontrar o que procuramos.

Assim, foi possível invadir um pouco da área pessoal do professor Abílio Maria de Jesus Meireles. A sua mulher, Leonor Meireles, era natural do Porto, e foi aí que casaram, em 1910. Aliás, foi no Porto que Abílio Meireles fez o seu Curso de Trabalhos Manuais Educativos, sendo já professor na Escola Central de Reforma, em Lisboa.

O curso, no Porto, fora criado por iniciativa do Sindicato dos Professores Primários de Portugal, sob a direção do professor belga Gaston Destanberg, o primeiro curso desse género efetuado em Portugal.

Do casamento de Abílio e Leonor nasceram dois filhos.

Tomás de Aquino Meireles, que nasceu na freguesia de Caxias, Oeiras, em 1911, e recebeu o mesmo nome do seu bisavô paterno. Casou em 1935, com Maria de Lurdes Pimentel Saldanha da Gama Azevedo Araújo e Vasconcelos, em Lisboa, onde o casal Abílio e Leonor tinha a sua habitação familiar, na rua Angelina Vidal, freguesia dos Anjos.

A filha, Alice Meireles, nasceu na freguesia de Belém, na Travessa dos Jerónimos, em 1912. Veio a casar com Luís Ferreira Montargil Ribeiro Teles, em 1939.

Abílio e Leonor eram primos. O pai de Abílio, Abel de Jesus Meireles, era irmão do pai de Leonor, Abílio Francisco de Jesus Meireles, ambos nascidos em Freixo de Espada à Cinta.

O sogro e tio de Abílio Meireles tem um percurso biográfico muito interessante, de que resultou figurar na toponímia de Lisboa e do Porto, na primeira cidade, com o nome “Travessa do Sargento Abílio – Século XIX”. Essa designação toponímica veio renomear a antiga travessa de Calhariz de Benfica, por edital de 18 de junho de 1926. No Porto, existe a “Rua Sargento Abílio”. Estas homenagens devem-se ao facto de o sargento Abílio ter sido um dos intervenientes na Revolução de 31 de Janeiro, no Porto, tendo, por isso, sido condenado a degredo, por 9 anos. Posteriormente indultado, regressou ao Porto, e com a chegada da República, foi reintegrado e considerado Herói da República. Veio, depois, residir em Lisboa. Ascendeu ao posto de capitão, mas a posteridade quis recordá-lo como o herói sargento Abílio.

Quanto ao seu sobrinho e genro Abílio Maria de Jesus Meireles, depois de ter conhecido várias escolas de Lisboa, optou por vir para o Entroncamento, uma terra que, culturalmente, nada tinha para oferecer, e talvez por isso mesmo, Abílio Meireles se sentisse estimulado para transmitir, através da docência e do convívio, os valores e competências acumulados durante os anos em que trabalhara na capital.

Colegas e alunos depressa se aperceberam do valor do seu contributo cívico e cultural, e, em 1951, homenagearam Abílio Meireles.

Ao longo da sua permanência no Entroncamento, o professor vai sendo solicitado para tarefas em que o seu talento se evidencia, algumas de carácter transitório, outras que perduram, como foi a realização do busto do infante D. Henrique, do retrato a carvão do padre Martinho Mourão, ou de um álbum para o mesmo sacerdote, que era o pároco local. Quando este, em dezembro de 1954, deixou a paróquia, ao fim de 19 anos de serviço pastoral, ofereceram-lhe os seus paroquianos um álbum de despedida com as suas assinaturas, primorosamente decorado pelo professor Abílio Meireles. Mais tarde, em dezembro de 1960, a comunidade da paróquia do Entroncamento festejou as bodas de prata da ordenação sacerdotal do padre Martinho, e ofereceu o seu retrato a carvão, para ficar exposto no cartório da Igreja. Belos documentos, onde Abílio Meireles deixou bem evidente o seu talento de desenhador.

Padre Martinho

Pena é que o retrato do padre Martinho Mourão, executado pelo professor Meireles, não continue no lugar primitivo a que o destinaram, e onde esteve durante muito tempo, o cartório da Igreja da Sagrada Família, pois foi ele o pároco fundador da primeira Igreja do Entroncamento, o que trabalhou para que ela se erigisse, não sozinho, porque essa tarefa não cabia nos ombros de uma só pessoa. Quanto ao seu retrato, seria bom que voltasse ao seu lugar primeiro, é memória, e é gratidão.

Em 1960, ano de Comemorações Henriquinas, foi Abílio Meireles escolhido para modelar o busto do Infante D. Henrique, reproduzido em bronze. Tinha, então, 76 anos, tempo de descansar como professor. Esse busto está hoje onde sempre esteve, na rua Infante D. Henrique, na confluência das ruas 31 de Janeiro e Jacinto Marques Agostinho.

É, também, em 1960, que a Sociedade Nacional de Belas Artes homenageia o artista, com um banquete, como um dos seus membros ilustres e seu presidente. O jornal “O Entroncamento” regista a cerimónia.

«Presidiram ao jantar o prof. Abílio Meireles e sua Esposa, e do lado direito da mesa de honra sentaram-se a pintora D. Albertina Berger, o prof. dr. Costa Sacadura, a pintora D. Maria Helena de Bourbon de Meneses, o pintor Abel Manta; e do lado esquerdo o pintor Pedro Guedes, a pintora D. Alexandrina Carneiro de Moura e o arquiteto Frederico Jorge. Nas outras mesas sentaram-se arquitetos, pintores, professores, artistas plásticos e antigos alunos do prof. Meireles, em número superior a uma centena.

Aos brindes falaram o prof. dr. Costa Sacadura, o prof. José Pedro Moreira, o escultor Martins Correia, Vasco Domínguez, Alípio Seco, prof.ª Judite Vieira, dr. Arlindo Vicente, e Frederico Jorge, e por último falou o prof. Abílio Meireles para agradecer a homenagem que lhe prestaram e as palavras que lhe dirigiram.» (O Entroncamento, 5 de julho de 1960).

O jornal local, para além da notícia, publicou, também, uma entrevista em que o professor Meireles evoca toda a sua carreira até ali.

“Toda a minha vida – prosseguiu – tem sido de trabalho, sempre norteada pelo amor à minha profissão e de dedicação à S.N.B.A. [Sociedade Nacional de Belas Artes], a cujos destinos hoje presido. Pelas minhas mãos passaram milhares de alunos, ao longo de dezenas de anos de ensino, desde o dia em que fui nomeado professor do Reformatório Padre António de Oliveira e da Escola Normal, de que fui diretor e professor fundador juntamente com os drs. Costa Sacadura e Júlio Eduardo dos Santos e o escultor José Pereira.

Mas já antes destas andanças – continuou – eu, ainda não diplomado, ensinava na Escola Marquês de Pombal, nas aulas do professor Jorge Janz, austríaco, bom mestre, grande amigo dos rapazes. Recordo-me, agora que já ultrapassei os 70, da satisfação que senti quando me entregou um grupo de surdos-mudos para os ensinar. De facto, se o professor Janz mal nos entendia a nós, porque falava mal o português, que poderia ele fazer com aqueles deficientes? Ora, foram estes que, de certa maneira, orientaram a minha vida futura, porque o professor Janz convenceu-se de que eu tinha queda para o ensino…

Os anos rodaram. Sucessivas gerações de jovens eu ensinei a ter amor pelas artes plásticas. Alegra-me que me rodeiem com o seu carinho e amizade. (…)»

Ainda na mesma entrevista, foi perguntado ao professor se concorria a exposições de arte, ao que ele respondeu:

«Sim, a algumas, mas poucas. Na Sociedade obtive duas medalhas e outras tantas no Estoril. Pinto por prazer íntimo e pessoal, longe dos certames artísticos. Como lhe disse, achei que podia ser mais útil ensinando…

Sofri alguns contratempos (quem os não sofre?) durante a minha vida, que eu quis sempre fosse modesta, sem solavancos. (…)»

A estas exposições, junte-se uma outra no Salão Silva Porto, no Porto, em 1947, de que existe um catálogo de óleos e desenhos.

Os dotes de Abílio Meireles não terminavam na docência e na arte, havia mais horizontes na sua vida, horizontes passados, mas que deixaram marca, como a prática do futebol.

Esta história do futebol fui encontrá-la num blogue intitulado Em defesa do BenficaO Fundador que deixou marca na pedra, e começa com este parágrafo:

«No centro de Portugal, ou não fosse o Benfica de todo o Portugal. Abílio Meireles de “vida cheia”. Professor de desenho e ilustrador em Lisboa. Com passagem em glória (reconhecida) no Entroncamento.»

Ilustra esta frase uma fotografia do busto do Infante D. Henrique, no Entroncamento, com um cachecol do Benfica. E porquê? Em primeiro lugar, porque o autor do busto foi um dos fundadores do Benfica. A sequência da história irá justificar essa decoração a vermelho, sobressaindo no escuro do metal, porque o autor do blogue conseguiu encontrar outras afinidades entre o Infante e o popular clube, acentuando o facto de as caravelas partirem de Belém, local onde o Sport Lisboa foi, muito depois, fundado.

Quanto à história futebolística do artista e professor Meireles, ela inclui também os seus irmãos, e voltamos ao blogue mencionado.

«Os Meireles na Gloriosa História»

O Benfica teve como fundador um Abílio Meireles, e como aderentes de “primeira hora” os seus irmãos António e Ernesto. Abílio, além de fundador, participou em dez dos primeiros 29 treinos (1904), jogou em 1904/05 na 2.ª categoria, um encontro (1905) na primeira categoria, e foi dos que resistiu na deserção no Verão de 1907, ficando como associado protetor n.º 30. Já não rumou a Benfica aquando da junção, em 13 de setembro de 1908, do Sport Lisboa com o Sport Benfica. Ao contrário do seu irmão António Meireles que jogaria entre os melhores durante quatro temporadas, de 1907/08 a 1910/11.»

Grupo fundador do Sport Lisboa

Não sei se poderemos acrescentar às práticas desportivas do professor Meireles, o pugilismo, que uma antiga aluna dele me disse que praticava.

No blogue que vimos citando, também se acentua a passagem de Abílio Meireles pelo Entroncamento:

“Abílio ficou por Lisboa onde teve atividade pedagógica muito intensa e desenhou com qualidade e em quantidade. Depois rumou ao Entroncamento onde já septuagenário foi figura em destaque na sociedade local. Influenciou jovens a crescerem para adultos conscientes, participou em iniciativas beneméritas e deixou marca nas ruas da cidade que o acolheu.»

No domínio público, o desenho de Abílio Meireles evidencia-se num Manual de Ginástica, do tenente-coronel Leal de Oliveira, que ilustrou profusamente, livro que foi publicado em 1947, e aprovado pelo Ministério da Educação. Ainda hoje esse Manual é uma obra de referência, e aparece à venda nos alfarrabistas.

Aqui chegados, neste ponto da narrativa em que se conta a vida de Abílio Meireles, nas suas diversas facetas, falta ainda o seu passado de Macau. O pai prestou lá serviço, era militar. Foi no jornal Tribuna de Macau (Abílio Meireles, das Artes até ao Benfica), que encontrei várias informações em falta.

Nele, o professor António Aresta, ex-docente em Macau, apresenta uma biografia de Abílio Meireles, começando por salientar o Grande Dicionário de Educadores Portugueses, dirigido por António Nóvoa e publicado em 2003, no qual foram incluídos “educadores nascidos depois de 1800 e falecidos antes de 2000”.

Nesse dicionário, em que as antigas províncias ultramarinas estão representadas, Abílio Meireles figura entre os três educadores ligados a Macau, não porque lá tenha exercido a docência, mas por lá ter nascido e vivido durante algum tempo.

Quanto à biografia, os dados desconhecidos são respeitantes a Macau, os restantes são mais ou menos conhecidos, realce para o facto de Abílio Meireles ter sido aluno na Escola Industrial Marquês de Pombal, o que lhe proporcionou conhecimentos de entalhador.

Vamos, então, à biografia:

«Abílio Meireles, de seu nome completo, Abílio [Maria] de Jesus Meireles, [1883-1967]. Filho de Abel de Jesus Meireles e de Maria do Carmo Meireles, nasceu em Macau, na época governada por Tomás de Sousa Rosa. E foi no Território que fez a instrução primária, na Escola Central do Sexo Masculino. Finda a comissão de serviço do Pai, a Família regressa definitivamente a Lisboa.

1960 Abilio com 76 anos

Abílio Meireles frequentou a Escola Industrial Marquês de Pombal formando-se como entalhador, iniciando uma carreira brilhante como “escultor, entalhador, decorador, desenhista e pintor de requintada sensibilidade artística”, segundo o historiador e professor J. Moreirinhas Pinheiro. Foi um dedicado “discípulo de Costa Mota (tio) e tem executado valiosos trabalhos, entre os quais avultam os baixos-relevos da Cartuxa, Amor da Pátria e Fé, e a decoração estilo Luís XVI, do palácio de Jaime Alto Mearim, em Lisboa, à Rua do Salitre”.

Mas, ao invés de ficar fechado no atelier a trabalhar nas suas obras e a satisfazer as encomendas que iam chegando, Abílio Meireles iniciou, desde 1904, um alargado percurso de formação e de ensino das artes, do desenho e dos trabalhos manuais em diversos estabelecimentos de ensino [Escola Central de Lisboa, Casa de Correção de Caxias, Escola Académica, Escola Primária Superior Rodrigues Sampaio, Escola Normal Primária de Lisboa] com uma didática muito inovadora e cativante. Dirigiu a Escola do Magistério Primário de Lisboa, em 1932.» (Tribuna de Macau, 2 de julho de 2025).

Neste capítulo das escolas onde Abílio Meireles lecionou, há uma interessante informação, relativa à Casa de Correção de Caxias, numa trabalho intitulado “Modelo educativo renovador na educação de menores: a secção preparatória da escola central de reforma de Lisboa (1912-1921)”, de Ernesto Martins (Instituto Politécnico de Castelo Branco).

A escola era orientada pelo Padre António de Oliveira e seguia orientações pedagógicas inspiradas em Pestalozzi, Fröebel, Decroly e Freinet, ideias bem modernas, para a época.

Abílio Meireles e os seus colegas tinham, cada um, a seu cargo 35 menores. Segundo se lê no estudo, “eram educadores sociais devido às suas diversificadas funções, pois jogavam e trabalhavam com os menores, partilhavam das suas vivências formativas, incutindo-lhe o valor do trabalho e sentido de responsabilidade. Encarregados da instrução escolar (ensino primário e elementar), acompanhavam as outras áreas de formação: física (ginástica pedagógica, higiene, jogos educativos e lúdicos, natação e exercícios militares); artística (música, canto coral, desenho, modelação, expressões plásticas); manual (exercícios de barro, ferro, cartão, madeira, trabalhos de jardinagem e horticultura); aprendizagem não formal (visitas a museus, fábricas, monumentos e património natural, acampamentos, excursões, “lição de coisas”; comunitária/familiar (aprendizagem de trabalhos de economia doméstica, valores morais, sociais e cívicos)”.

O autor daquele Manual de Ginástica, de que atrás se falou, era o tenente-coronel Leal de Oliveira, que também tinha contacto com a escola de Caxias, por nela haver uma tipografia, onde alguns dos seus livros foram impressos, mas não o Manual.

No Arquivo Histórico da Escola Superior de Educação de Lisboa, que herdou o arquivo das Antigas Escola Normal e Escola do Magistério Primário, estão os documentos de Abílio Meireles, relativos ao seu processo de candidatura, a saber:

Diploma do Curso de Trabalhos Manuais Educativos, passado a Abílio Meireles, 04/9/1912. Atestado passado pelo superintendente da Escola Central de Reforma de Lisboa, 7/10/1915. Certificado de habilitações, 2/10/1918. Certificado de Registo Criminal, 18/10/1918. Atestado de bom comportamento moral e civil passado pela Comissão Administrativa Paroquial de Benfica, 19/10/1918. Certificado de Curso Profissional de Entalhador passado pelo diretor da Escola Industrial Marquês de Pombal, 23/10/1918. Certificado do exercício de docente de Trabalhos Manuais passado pelo diretor da Escola Académica, 23/10/1918. Certificado do exercício do lugar de Mestre de Trabalhos Manuais passado pelo diretor interino da Escola Preparatória Rodrigues Sampaio, 30/10/1918. Carta do Superintendente da Escola Central de Reforma de Lisboa dirigida ao diretor da Escola Normal Primária de Lisboa, dando conta da satisfação em ter Abílio Meireles como representante da ENPL, no funeral do padre António de Oliveira, 24/9/1923.

Depois da sua riquíssima experiência nas Escolas de Lisboa, e do prestígio que lá tinha, Abílio Meireles decidiu vir para o Entroncamento. Era outro mundo, mas foi aqui o seu fim de linha, com o final da sua vida letiva e a encomenda do busto do Infante das Descobertas.

Em 1962, já retirado do ensino particular, voltou ao Entroncamento, em junho, momento que é assinalado no jornal local, por Maria Susana Silva Estudante, na sua secção Miscelânea:

«De visita – que nos alegrou imenso – passou por nós e esteve em nossa casa, o Sr. Doutor Abílio Meireles que veio matar saudades da “sua” Terra, dos amigos, da sua casa. Ainda combalido pelo profundo golpe que recebeu, choroso e desgostoso pela perda de sua filha – Ex.ma Sra. D. Alice Meireles (óbito em 2 de fevereiro de 1962) – o Sr. Doutor Meireles sorriu ao falar do Externato Mouzinho de Albuquerque que tanto ama ainda e que tantas recordações lhe tem dado, quase prometendo voltar aos seus rapazes no início de novo ano letivo.

Muito nos apraz registar neste apontamento a disposição que notámos ao Sr. Dr. Meireles de gostar e querer voltar ao nosso convívio, e de o ouvirmos confessar… as saudades que sente por tudo isto e pelo seu Colégio. (…)» (O Entroncamento, 5 de junho de 1962). Faleceu em Lisboa, a 26 de janeiro de 1967, de um acidente vascular cerebral.

Em 13 de setembro de 1973, o presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, Eugénio Poitout, propôs que se desse o seu nome a uma rua, ficando registada em ata esta apreciação:

«Figura impoluta que, pelas suas qualidades, se impôs desde sempre à consideração pública. Foi professor no extinto colégio local Mouzinho de Albuquerque, tendo sido autor do busto do Infante D. Henrique que deu o nome a uma artéria desta vila. Aliada à arte de bem ensinar, era pintor, escultor, praticando ainda outras artes plásticas, mestre insigne de desenho. Fez parte dos corpos diretivos da Escola Nacional das Belas Artes, e também Diretor da Escola do Magistério Primário de Lisboa. Pelo seu carácter afável e fino trato, deixou o professor Meireles no Entroncamento o rasto indelével da sua personalidade e sagaz inteligência.

Esta vila é bem devedora ao homem ilustre dos benefícios que lhe legou no campo intelectual. (Transcrito de ata camarária, de 13 de setembro de 1973).

Nota final: As fotografias do professor trabalhando no busto do Infante, e a lista dos sócios fundadores do Benfica, foram copiadas do blogue “Em defesa do Benfica – O fundador que deixou marca na pedra”, com autorização do seu autor.

A fotografia do retrato do padre Martinho Mourão é da autoria de João Lopes, e pertence ao Arquivo Paroquial da Sagrada Família.

Manuela Poitout

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