O Centro Cultural Alfredo Keil, em Ferreira do Zêzere, acolheu esta sexta-feira, dia 16 de outubro, o II Encontro da Rede de Bibliotecas Públicas do Médio Tejo. O evento juntou 80 participantes nacionais e estrangeiros para refletir sobre as oportunidades na evolução da AI e os desafios da ética na sua integração nas bibliotecas públicas.
O tema “Bibliotecas 2026 | Do algoritmo à ética” deu o mote para um programa com abordagens variadas e momentos de debate, que abrangeram não apenas o contexto do Médio Tejo, mas também o cenário global da evolução das bibliotecas públicas e o seu papel enquanto instituições democráticas, locais de proximidade e espaços de refúgio e desenvolvimento do pensamento crítico.
A sessão de boas-vindas começou com a atuação musical dos alunos da Academia Artística do Zêzere, seguida pelas intervenções de Jorge Simões, Secretário Intermunicipal da CIM Médio Tejo, de Luís Santos, Diretor Geral da DGLAB (Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas), e de Bruno Gomes, Presidente da Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere e Vice-presidente da CIM Médio Tejo.
A iniciativa enquadrou-se no projeto europeu TELL – Trans-European Learning Libraries, cofinanciado pelo programa Erasmus+, que junta oito parceiros de sete países, estando Portugal integrado com a Rede de Bibliotecas Públicas do Médio Tejo. A ANBPR (Associação Nacional de Bibliotecários e Bibliotecas Públicas da Roménia) é a entidade coordenadora do projeto e a primeira apresentação foi feita pela sua Diretora Executiva, Ioana Crihana.
A intervenção “As Bibliotecas na Europa: o Projeto TELL” incluiu os objetivos e ações do TELL, sublinhando a importância de se capacitar as bibliotecas para irem além do seu papel tradicional, a sua relevância enquanto infraestruturas de integração, educação e democracia e a necessidade de contribuírem ativamente para as políticas europeias de desenvolvimento.
O papel da IA na forma como se pode moldar a experiência da ida a uma biblioteca foi central na intervenção seguinte, realizada por Rutger Schönfeld, com o tema “Always leave the library with a book”. O UX Designer (Designer de Experiência do Utilizador) dos Países Baixos apresentou a futura biblioteca na Holanda, com inauguração prevista para 23 de novembro, dividida em 22 blocos temáticos dedicados a diferentes géneros literários.
Além da preocupação no design de cada espaço, os utilizadores terão uma experiência interativa com IA, que os ajuda a encontrar os livros pretendidos e sugere outras obras literárias relacionadas com os critérios definidos. O algoritmo permitirá conhecer os seus gostos literários, adequando a experiência ao perfil de cada leitor, e gerando dados estatísticos sobre o perfil global de leitores em cada obra literária.
Uma oportunidade de evolução permitida pela IA, que esteve em destaque e debate durante as intervenções dos oradores do primeiro painel da tarde, dedicado às “Bibliotecas Públicas e Democracia”. Margarida Teodora Trindade moderou as intervenções de Luís Borges Gouveia e Adolfo Mesquita Nunes, conhecidos pelas respetivas posições sobre a IA, nomeadamente em livros publicados sobre o tema.

Os riscos da utilização da IA e o papel do ser humano no seu controlo estiveram presentes nas intervenções de ambos, considerando as bibliotecas espaços de literacia e de liberdade, em contraste com o condicionamento do algoritmo na apresentação de conteúdos a cada pessoa, baseado em dados pontuais que, muitas vezes, geram resultados desfasados da realidade e da personalidade do utilizador.
O papel das bibliotecas enquanto espaços comunitários foi abordado nas diversas apresentações do dia e ganhou destaque na intervenção de Susana Silvestre, Mestre em Arquivos, Bibliotecas e Ciências da Informação, pela Universidade de Évora, cuja carreira inclui a chefia da Divisão de Rede de Bibliotecas da Câmara Municipal de Lisboa e tem desenvolvido o seu trabalho na interligação de bibliotecas públicas e participação cívica.
Na apresentação “Projetos Participativos em Bibliotecas e Políticas Públicas em Portugal”, destacou como os processos participativos devem ser dinâmicos e bilaterais, envolvendo todos os cidadãos num diálogo construtivo, imparcial e realista, que considere todas as propostas e os orçamentos disponíveis para as materializar.

O Encontro terminou com a apresentação da CIM Médio Tejo sobre os resultados da requalificação efetuada nas Bibliotecas Municipais e na Rede Intermunicipal de Bibliotecas Públicas do Médio Tejo, realizada no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
A candidatura apresentada por esta comunidade intermunicipal e o contrato de financiamento assinado com o Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliações Culturais (GEPAC), permitiram adquirir 105 equipamentos informáticos para as Bibliotecas Municipais da região, para acesso público, bem como o desenvolvimento de um catálogo integrado online que congrega e disponibiliza online todos os catálogos das bibliotecas públicas do Médio Tejo.
Saiba mais sobre o projeto TELL – Trans-European Learning Libraries em https://tellproject.eu/



















