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O presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, Nelson Cunha (Chega), confirmou que uma empresa pertencente ao companheiro da vereadora Maria Figueira (Chega) realizou recentemente trabalhos para o município, assegurando, contudo, que a contratação respeitou os procedimentos habituais de consulta e seleção.

A questão foi levantada pelo vereador Rui Madeira (PPD/PSD.CDS-PP ), na reunião de câmara de terça feira, que voltou a pedir esclarecimentos sobre uma adjudicação relacionada com trabalhos de ar condicionado, tema que já tinha sido abordado numa reunião anterior.

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“Gostava de saber se o senhor já sabe efetivamente quem é a empresa, se é a empresa do companheiro da senhora vereadora ou se é outra empresa”, questionou.

Na resposta, Nelson Cunha confirmou a ligação referida. “Sim, é verdade. A empresa em questão é do companheiro da senhora vereadora”, afirmou.

O autarca rejeitou, contudo, qualquer irregularidade no processo e garantiu que foram cumpridas as regras normalmente seguidas pelo município.

“Seguimos sempre tudo aquilo que são as boas práticas de gestão. Reunimos três orçamentos, três empresas do Entroncamento”, declarou. Segundo Nelson Cunha, a empresa escolhida já trabalha com a autarquia há vários anos.

“A empresa em questão há oito anos que trabalha com o Município do Entroncamento e há oito anos que faz contratos, obviamente na sua área de atividade”, referiu.

O presidente da Câmara indicou ainda quais foram as entidades consultadas no processo e justificou a escolha com base nos valores apresentados. “Foi a empresa que apresentou os melhores valores”, afirmou.

Durante a reunião, Rui Madeira agradeceu o esclarecimento, mas considerou que a situação levanta questões do ponto de vista ético e político.

“Pode até nem ser ilegal, mas do ponto de vista moral, para um partido que quer separar a esfera política da esfera privada e dos negócios, parece-nos de alguma forma imoral”, declarou o vereador. O eleito solicitou ainda acesso à documentação do processo.

“Nós queremos realmente a documentação. Agradecemos que esteja nessa disposição e queremos que nos envie toda a documentação deste processo de contratação e de adjudicação da empresa que fez a intervenção dos ares condicionados”, afirmou.

Nelson Cunha manifestou disponibilidade para facultar os elementos solicitados.

“Se quiserem, posso-vos mandar a indicação de todos os documentos necessários”, respondeu.

O tema originou um debate mais alargado entre o presidente da Câmara e o vereador da oposição sobre relações familiares e ligações entre eleitos e estruturas políticas locais, sem que tenham sido apresentados indícios de ilegalidade relativamente ao procedimento de contratação em causa. O contrato ronda os nove mil euros para oito equipamentos.

Texto e foto: Ricardo Alves

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