Cláudio Neves Valente, cidadão português de 48 anos e antigo aluno da Universidade Brown, planeava o ataque que vitimou dois estudantes daquela instituição e o professor português Nuno Loureiro, do MIT, há pelo menos seis semestres, segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
O suspeito foi encontrado morto a 19 de dezembro num armazém em New Hampshire, dias depois de ter aberto fogo num edifício de engenharia da Brown, em 13 de dezembro, matando dois estudantes e ferindo nove pessoas. A 15 de dezembro, matou o físico português Nuno Loureiro, seu antigo colega no Instituto Superior Técnico (IST), na casa deste em Brookline, nos arredores de Boston.
Durante as buscas ao armazém, o FBI recuperou um dispositivo eletrónico com vários vídeos gravados pelo próprio após os ataques. Nas gravações, feitas em português, Cláudio Valente admite ter preparado o ataque “há muito tempo” e afirma não sentir arrependimento. As autoridades norte‑americanas indicam que o suspeito não apresentou qualquer motivação clara para os crimes, embora tenha rejeitado rumores que circularam após o tiroteio, como a alegação de que teria proferido palavras em árabe ao entrar no edifício.
Nos vídeos, o português afirma que não procurava notoriedade, que não sofria de doença mental e que o seu objetivo era “sair nos seus próprios termos”. Refere ainda que teve várias oportunidades para agir em semestres anteriores, mas recuou. Classificou a execução dos ataques como “incompetente”, mas acrescentou que “pelo menos alguma coisa foi feita”.
Cláudio Valente e Nuno Loureiro foram colegas no IST nos anos 90. O suspeito chegou a ser monitor na instituição, tendo o contrato sido rescindido em 2000, ano em que partiu para os Estados Unidos. O IST confirmou ter sido contactado pelas autoridades norte‑americanas no âmbito da investigação.
Em Portugal, os pais do suspeito foram ouvidos na esquadra da PSP do Entroncamento, no âmbito das diligências solicitadas pela Polícia Judiciária, que está a colaborar com as autoridades dos EUA desde que o caso se tornou público. A família, que não tinha contacto com Cláudio há vários anos, soube da sua morte pela televisão, antes de qualquer notificação oficial, encontrando‑se agora profundamente abalada e isolada.
A PJ confirmou que foi alertada pelas autoridades norte‑americanas a 21 de dezembro e que tem prestado apoio à investigação. A transladação do corpo para Portugal deverá ocorrer nos próximos dias, após conclusão dos procedimentos legais nos Estados Unidos.
Redação


















