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O escritor Valter Hugo Mãe será a figura central da 16.ª edição do festival literário Bibliotecando em Tomar, que decorre entre 7 e 9 de maio, na Biblioteca Municipal de Tomar. O autor de O filho de mil homens será homenageado na sexta‑feira, dia em que vários especialistas irão analisar a sua obra. Antes disso, na quinta‑feira, participará em encontros com leitores escolares e com o público em geral. No dia 8, está ainda previsto um espetáculo que cruza textos do escritor com música de Yuri Marchese.

A edição deste ano decorre sob o lema “Entre o natural e o construído”, tema que pretende refletir sobre as relações entre o ser humano, os territórios e as formas — físicas, sociais ou simbólicas — que moldam a experiência coletiva. A escolha ganha particular relevância num ano marcado pelas tempestades que afetaram a região e que evidenciaram a tensão entre património natural e património edificado.

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Festival reúne especialistas e instituições nacionais

O evento, que conta com o alto patrocínio do Presidente da República e tem como presidente da Comissão de Honra Guilherme d’Oliveira Martins, é organizado pelos Agrupamentos de Escolas Nuno de Santa Maria e Templários, pelo Município de Tomar, pelo Centro de Formação Os Templários, pelo Centro Nacional de Cultura, pelo Instituto Politécnico de Tomar e pela Rede de Bibliotecas Escolares.

Ao longo dos três dias, serão debatidas as relações entre o humano e os territórios sociais, culturais, afetivos e políticos, bem como o impacto das tecnologias digitais e da inteligência artificial na forma como se redefinem as fronteiras entre o “natural” e o “construído”.

O festival recupera reflexões de autores como Bernard Stiegler, que defende a tecnologia como forma de memória e elemento constitutivo da identidade humana, e Gérard Bronner, que alerta para os riscos de uma “pós‑realidade” marcada pela proliferação de narrativas alternativas e pela erosão da verificação factual.

Um espaço de encontro e reflexão

O Bibliotecando em Tomar pretende ser um espaço de diálogo entre literatura, artes visuais, política social, ecologia e tecnologia, promovendo a partilha de perspetivas sobre as tensões contemporâneas entre natureza e construção humana.

A organização recorda ainda as palavras de Valter Hugo Mãe sobre o papel das bibliotecas:

As bibliotecas são como aeroportos. São lugares de viagem. Entramos numa biblioteca como quem está a ponto de partir.” (Jornal de Letras, Artes e Ideias, maio de 2013)

É esse espírito de partida e descoberta que o festival procura recriar ao longo dos dois dias principais de programação.

A programação completa pode ser consultada em: bibliotecandoemtomar.ipt.pt/2026

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