O proTEJO – Movimento pelo Tejo tornou pública a sua posição sobre a segurança estrutural da Barragem de Castelo de Bode e sobre a proteção das populações que vivem na respetiva Zona de Autossalvamento, denunciando que, apesar de a EDP estar a instalar mais de 30 torres com sirenes de alto débito em Abrantes, Chamusca, Constância, Golegã, Tomar e Vila Nova da Barquinha, as populações continuam sem qualquer informação sobre o que fazer em caso de emergência. O movimento afirma que o Plano de Emergência Interno da barragem, documento que define a ZAS, os cenários de rotura e os procedimentos de aviso, permanece fora do escrutínio público, não existindo calendário para sessões de esclarecimento, simulacros de evacuação ou comunicação estruturada, mesmo perante a intervenção de grande escala prevista para 2027, que implicará o rebaixamento da albufeira em cerca de 16 metros.
O alerta surge num contexto global de preocupação: a Universidade das Nações Unidas publicou recentemente um estudo sobre o envelhecimento das grandes barragens, lembrando que a maioria das 58.700 estruturas existentes foi construída entre 1930 e 1970 e já atingiu ou ultrapassou o seu tempo de vida útil, projetado entre 50 e 100 anos. Este envelhecimento traduz‑se em desgaste estrutural, aumento de custos de manutenção, perda de capacidade de armazenamento e redução da eficácia funcional, agravados pelos eventos meteorológicos extremos associados à crise climática, que submetem as barragens a pressões superiores às previstas nos seus projetos originais.
Castelo de Bode, com 75 anos de exploração, enquadra‑se neste cenário. A instalação das novas torres de sirene — cada uma com 11 metros de altura, painel fotovoltaico e integrada no Sistema de Aviso às Populações — é considerada pelo proTEJO uma medida positiva, mas insuficiente e mal conduzida, porque não foi acompanhada de informação pública clara, sistemática e acessível. O movimento alerta que “uma sirene instalada sem que a população saiba o que fazer quando ela toca só é medida que baste para quem confia na sorte; para os outros, é geradora de insegurança e abandono”, defendendo que a segurança não se mede apenas em infraestruturas, mas também na capacidade das pessoas a jusante para reagirem de forma informada nos primeiros minutos.
O proTEJO exige quatro mudanças fundamentais: a divulgação pública de um resumo acessível do Plano de Emergência Interno; campanhas regulares de informação junto das populações da ZAS, com sessões públicas, materiais porta‑a‑porta e comunicação nas escolas e juntas de freguesia; simulacros de evacuação com participação das populações e divulgação dos resultados; e reforço da comunicação durante o período crítico de rebaixamento da albufeira em 2027.
Entre os riscos identificados pelo movimento estão a reação desorganizada por desconhecimento dos sinais sonoros, o tempo de resposta limitado na ZAS, a opacidade do Plano de Emergência Interno, a ausência de testes reais do sistema com a população e o risco acrescido durante a intervenção hidráulica prevista para 2027. Para o proTEJO, evitar a divulgação de informação só contribui para aumentar a falta de confiança nas instituições e o sentimento de abandono das populações, que continuam sem saber como agir perante um eventual cenário de emergência.


















