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Levi Fernandes levi.fernandes@entroncamentoonline.pt

O Ligamento Cruzado Anterior (LCA) é um dos ligamentos mais importantes da articulação do joelho e é também um dos mais estudados, existindo atualmente mais de 20000 artigos sobre o mesmo.

O LCA tem uma função estabilizadora do joelho ao restringir a translação da tíbia em relação ao fémur, ou seja, evita que a tíbia (osso da canela) deslize para a frente sobre o fémur (osso da coxa). Permite ainda resistir aos movimentos de rotação do fémur sobre a tíbia, sobretudo quando o joelho se encontra em flexão

A lesão do LCA é uma das lesões mais comuns do joelho ocorrendo sobretudo em contexto da prática desportiva como o futebol, voleibol, andebol entre outros. É uma lesão grave, sobretudo por atingir doentes jovens, para a qual existem programas específicos de prevenção que devem ser adotados de forma a diminuir a frequência desta lesão.

São habituais os relatos de um mecanismo de lesão sem contacto (a pessoa lesiona-se sozinha) que pode ser uma mudança brusca de direção, uma desaceleração súbita ou uma má receção a um salto. São frequentes expressões como “o pé ficou preso e o joelho rodou”, “senti o joelho a ir para dentro” ou “senti que o joelho se desmanchou”. Após o episódio o atleta não consegue manter-se em jogo.

Quando ocorre a lesão esta é acompanhada de gonalgia (dor no joelho), pode ser acompanhada ou não de derrame articular (inchaço) e por vezes no momento da lesão pode ser audível um estalido “pop”. Outros sintomas podem incluir instabilidade (falta de confiança e falha do joelho) ou mesmo sensação de bloqueio do joelho.

Os sintomas podem resolver espontaneamente sendo na maioria das vezes possível o regresso às atividades do dia-a-dia. No entanto, o regresso à prática desportiva pode ser impossibilitado por episódios de instabilidade (o joelho falha), dor e derrame articular no joelho. Um joelho sem LCA é um joelho em risco e cada episódio de instabilidade e nova entorse pode levar ao agravamento ou aparecimento de novas lesões nomeadamente nos meniscos e ou cartilagem.

A história clínica e o exame físico podem ser suficientes para que o seu Ortopedista estabeleça o diagnóstico. No entanto, o Rx e a Ressonância Magnética são essenciais para complementar e suportar a decisão de tratamento, por ajudarem a caracterizar as lesões associadas e o grau da rotura.

O tratamento varia de acordo com vários fatores como a idade, o grau de atividade física, o desporto praticado e a presença de lesões associadas (menisco, cartilagem ou outros ligamentos).

O tratamento conservador pode estar indicado em pessoas com baixo nível de atividade física e preservação da estabilidade do joelho ou então em crianças que ainda não atingiram a maturidade esquelética. É possível a utilização de ortótese e o encaminhamento para consulta de medicina física e reabilitação, sendo necessária uma vigilância clínica para avaliar o sucesso desta terapêutica.

O tratamento cirúrgico passa pela reconstrução do ligamento cruzado anterior, que consiste na utilização de um enxerto autólogo que irá substituir o ligamento rompido. Está indicado nas pessoas que pratiquem desportos de risco ou que nas suas atividades de vida diária tem sintomas de instabilidade. É normalmente aconselhado o tratamento cirúrgico aos jovens, sobretudo se houver lesões meniscais associadas, que muitas vezes são passíveis de reparação.

Existe uma variedade de enxertos assim como múltiplos procedimentos cirúrgicos descritos no tratamento desta patologia tendo cada um as suas vantagens e desvantagens. A discussão científica sobre este tema é extensa e contínua.

Artigo redigido por Dr. Levi Reina Fernandes (OM:53498), Médico Ortopedista dedicado a Patologia do Joelho do Hospital CUF Santarém e Clínica Sanus em Torres Novas.

 

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