42 anos depois, jornalistas em greve
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Está marcada para esta quinta-feira uma greve geral de jornalistas. A paralisação de 24 horas pretende chamar à atenção para um setor com 48% de pessoas com esgotamento e, em muitos casos, em situação precária, horários longos e baixos salários

Dia 14 de março marca a primeira greve de jornalistas dos últimos 42 anos. O Sindicato dos Jornalistas (SJ) agendou esta greve geral, a primeira em mais de 40 anos (a última foi em 1982), contra os baixos salários, precariedade e degradação das condições de trabalho do setor.

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O dia da greve começou com uma concentração de jornalistas em Coimbra, às 9h00, depois haverá outra no Porto, na praça Humberto Delgado, pelas 12h00, a mesma hora da concentração prevista para Ponta Delgada.

Em Lisboa, a concentração terá lugar no Largo do Camões pelas 18h00, em que também se faz um apelo à sociedade civil para estar presente.

O SJ convocou a paralisação em protesto contra a precariedade, mas também como “um grito de alerta” para apoiar o jornalismo antes que seja “tarde demais”.

“Espero uma forte adesão porque na verdade a precariedade é muito mais alta que na generalidade dos outros setores, os salários são cada vez mais baixos, não temos progressões de carreira reiteradamente nos últimos 20 anos”, afirmou o presidente do SJ, Luís Simões.

“Não fazemos greve há 40 anos, neste momento temos mais que do que motivos para o fazer porque na verdade o exercício do jornalismo degradou-se de uma forma incrível” neste tempo, prosseguiu, apontando que atualmente os salários “são mínimos e a exigência para os jornalistas é máximo”.

Por isso, “temos todos os motivos para acreditar que vamos ter uma adesão muito forte à greve”, sublinhou o presidente do SJ.

Esta paralisação não assenta apenas em exigências laborais, mas também há outro fator que leva os jornalistas a paralisarem na quinta-feira: “O jornalismo neste momento em Portugal não é de todo apoiado”, enfatizou.

Num contexto em que na União Europeia procura apoiar o jornalismo, “Portugal é dos países da União em que ‘per capita’ [por pessoa] menos apoios há para a comunicação social”, destacou.

Por isso, a greve é “também um grito de alerta para o poder político e para os decisores: ou se apoia agora o jornalismo livre e independente ou vai ser tarde demais”.

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