Foto Lúcia Veríssimo
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Ontem, para muitos, foi dia de voltar a casa. A casa que todos ajudaram a construir e onde se juntavam ao domingo à tarde. Uma casa de gerações, feita de e por amor à camisola, porque nem todas as casas têm de ter porta e janelas.

Ali entra quem quer, há sempre espaço para mais um. E só não têm um tapete à entrada a dizer “bem-vindo” porque como vos disse, esta casa não tem porta. Mas tem nome, chama-se Entroncamento Atlético Clube e o código postal todos o conhecem: dois mil trezentos e trinta.

A casa não tem vista para o mar, mas estão numa onda de união, vão todos na mesma maré e remam para o mesmo lado. As bancadas continuam vazias, mas, do lado de fora do campo, enchem o peito de ar e cantam, com orgulho: “Eu sou do Entroncamento e os Ultras estão sempre aqui! Visto de vermelho e preto, a cantar sempre por ti!”.

A rouquidão que ecoa no final de cada jogo prova que vieram para se fazer ouvir; os cachecóis e as camisolas provam que é a imagem do clube que querem vestir.

Umas vezes ganha-se; outras vezes perde-se, mas quando o espírito e os alicerces são estes ganha-se sempre. E quando assim é, já não são só vermelho e preto. São uma paleta de várias cores.

Lúcia Veríssimo

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