PUB

As Comissões de Utentes dos Serviços Públicos do Médio Tejo vão organizar uma arruada no Entroncamento contra a localização prevista para a futura unidade de produção de biometano em Árgea, no concelho de Torres Novas. A iniciativa ainda não tem data marcada, mas será anunciada em breve. O protesto surge num contexto em que a contestação ao projeto é praticamente unânime entre moradores, autarcas e movimentos locais.

A decisão foi tomada numa reunião realizada na sede da Junta de Freguesia de São João Baptista, da qual o Entroncamento Online deu conta, que juntou cerca de meia centena de participantes, incluindo moradores de Árgea. Durante o encontro, mais de uma dezena de intervenções reforçaram a oposição à localização escolhida, entre elas as do presidente da Assembleia de Freguesia e do tesoureiro da Junta, que manifestaram preocupações semelhantes às das populações.

PUB

Entre os receios mais citados estão a qualidade do ar, os possíveis odores, a proteção da rede hidrográfica e o trânsito pesado associado ao transporte de matérias‑primas e resíduos. A alegada ausência de legislação específica para este tipo de atividade foi também apontada como motivo de apreensão. As comissões defendem que a mobilização deve continuar até que o promotor abandone o local previsto e encontre uma alternativa afastada de zonas habitacionais ou com atividade humana. Além da arruada no Entroncamento, estão previstas novas ações dirigidas à população de Torres Novas.

A contestação ao projeto tem vindo a ganhar força institucional. A Assembleia Municipal do Entroncamento aprovou, por unanimidade, uma moção de “total e veemente oposição”, alertando para a proximidade da infraestrutura à cidade e para o risco de odores e emissões gasosas serem transportados pelos ventos dominantes. O aumento do tráfego pesado, o ruído e a eventual desvalorização imobiliária foram igualmente referidos. Também a Assembleia Municipal de Torres Novas aprovou três moções contra a localização escolhida.

Os movimentos envolvidos sublinham que não contestam a produção de energia renovável nem a tecnologia do biometano, mas sim a proximidade da unidade às habitações e a áreas com presença humana.

O projeto da empresa Gás da Terra prevê o tratamento de 100 mil toneladas de resíduos orgânicos e efluentes pecuários por ano, transformando-os em biometano e outros produtos. A consulta pública terminou a 3 de julho e a Declaração de Impacte Ambiental está agora a ser analisada pela APA. A empresa defende que a unidade incorpora tecnologia para reduzir odores, proteger recursos hídricos e minimizar impactos ambientais, contribuindo para a descarbonização. Já a Câmara de Torres Novas considera que o projeto não se enquadra no Plano Diretor Municipal e identifica constrangimentos urbanísticos e rodoviários.

C/Lusa

PUB