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“Viver sem amigos é morrer sem testemunhas. Os amigos trazem à nossa vida uma espécie de atestação. Os amigos sabem o que é para nós o tempo. Eles testemunham que somos, que fizemos, que amamos, que perseguimos determinados sonhos e que fomos perseguidos por este ou aquele sofrimento. E fazem-no não com a superficialidade que, na maior parte das vezes, é a das convenções, mas com a forma comprometida de quem acompanha. O olhar do amigo é uma âncora. Alguns amigos tornam-nos herdeiros de um lugar, outros de uma morada, outros de uma razão pela qual viver. Certos amigos deixam-nos o mapa depois da viagem, ou o barco em qualquer enseada, oculto ainda na folhagem, ou o azul desamparado e irresistível que lhes serviu de motivo para a demanda. Há amigos que iniciam-nos na decifração do fogo, na escuta dos silêncios da terra, no entendimento de nós próprios. Há amigos que nos conduzem ao centro de bosques, à geografia de cidades, ao segredo que ilumina a penumbra do templo, à bondade de Deus.” (Cardeal D. José Tolentino Mendonça)

O António José faleceu com a bonita idade de 90 anos”

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Deixou para mim, na sua história de vida, ser um exemplo das mais belas páginas das memórias contemporâneas da Moita. 

Sempre sensível às causas humanitárias e sociais juntou a alegria de viver à solidariedade para com o próximo. 

Memoro a pessoa de cultura e cidadão do mundo, por todos conhecido pela sua capacidade de ação a nível cultural e associativo sempre em prol das instituições concelhias e, essencialmente, do seu “querido” Clube União e Recreios da Moita do Norte quase a completar um centenário de vida! 

Conheceu centenas de artistas da música e do teatro e com eles sentiu, como poucos, o que é ser associativista.  Uns dias foi dirigente, noutros autor, apresentador das noite do fado, animador dos vestidos de chita, por vezes comediante… mas sempre voluntário organizador. 

Mil disfarces para um homem onde a arte e o carinho pelo próximo se confundiram como o homem de cultura, homem do teatro e bom humorista,  numa roda anual rítmica, incerta e finita como a nossa vida! 

Quão agradável era ouvi-lo falar das terras da Moita, da sua história, a que os nossos ancestrais chamavam de Mouta, terra que tanto amou. 

Recordarei as noites de fados eternas em que os agradecimentos não iam para o apresentador mas para todos os membros dos corpos sociais do Clube !

Juro que serei uma das tuas boas testemunhas desta tua passagem, deste teu caminho de vida , homem de cultura que a viveu como poucos! 

Demos-lhe a voz em palavras soltas; 

https://m.youtube.com/watch?v=L12XmO_sp9U&fbclid=IwVERDUAPCGXpleHRuA2FlbQExAHNydGMGYXBwX2lkCjY2Mjg1NjgzNzkAAR5gH1a1bpUac1U4m2q6OLAE9-YwjMmuBFRAMRY6YuBtPb0_e3dxfC0KbFWzXA_aem__GhXGpfS6HG0f6kcMSs6sQ

Fernando Freire, ex-presidente da Câmara Municipal de Vila nova da Barquinhav – Advogado e historiador

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