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Pedro Gomes, 32 anos, é coordenador da Proteção Civil Municipal desde novembro de 2023, mas o seu percurso na área começou muito antes. Ingressou nos Bombeiros Voluntários do Entroncamento em 2012, depois de vários anos como cadete, e aos 18 anos tornou‑se bombeiro operacional, passando a tripular ambulâncias e veículos de combate a incêndios. Foi voluntário e também profissional na corporação, antes de integrar o Serviço de Salvamento do Aeroporto de Lisboa, onde aprofundou formação técnica. É licenciado em Gestão de Emergência e Proteção Civil, está a concluir o mestrado em Administração Pública e já realizou uma pós‑graduação na mesma área.

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Assumir a coordenação da Proteção Civil Municipal aos 29 anos foi, diz, “um dos maiores desafios” da sua vida. “Vim do setor privado para a função pública, o que implicou adaptação, mas o balanço é muito positivo. Trabalho na cidade onde estudei, onde vivo e que conheço bem.” Entre os resultados alcançados, destaca a instalação de desfibrilhadores automáticos externos em todos os edifícios públicos e o investimento contínuo na formação e sensibilização: “Desde 2023 chegámos a mais de mil pessoas.”

A relação com as escolas é central no trabalho desenvolvido. “Apostamos muito na sensibilização para o risco. Os mais novos levam a informação para casa e isso ajuda a criar uma comunidade mais resiliente.” O serviço dispõe de material didático adaptado a diferentes idades e promove ações sobre temas como o funcionamento do 112 ou comportamentos de autoproteção.

A Proteção Civil Municipal funciona com três pessoas a tempo inteiro, mas a capacidade de resposta depende da articulação com outros serviços. “A nossa missão é proteger pessoas e bens no pós‑socorro. Quando há desalojados, garantimos alojamento, roupa, apoio social. Temos protocolos com hotéis e casas de função para respostas rápidas.” Durante a tempestade Cristian, essa articulação foi decisiva: “Apesar de sermos três, tive mais de 50 funcionários municipais a trabalhar comigo. Nunca tive um colega que dissesse ‘não’. Trabalhamos todos em sintonia.”

Conselho municipal da Proteção Civil

O Entroncamento, sendo o concelho mais pequeno do país, enfrenta desafios específicos. “Temos 14 quilómetros quadrados e mais de 25 mil habitantes. O principal desafio são as pessoas, com diferentes nacionalidades e hábitos de segurança.” A ferrovia é outro ponto crítico: “Cerca de oito mil passageiros entram e saem diariamente, e circulam matérias perigosas.” A rodovia, os atropelamentos, os acidentes urbanos e as fugas de gás são também áreas de atenção permanente.

Sobre o funcionamento do subcomando regional do Médio Tejo, Pedro Gomes destaca a proximidade: “O Comandante David Lobato e o Comandante João Pitacas estão sempre disponíveis. Tudo o que precisamos está à distância de um telefonema.”

Entre os problemas estruturais da Proteção Civil, aponta a resistência à mudança e a falta de adaptação da administração pública às necessidades dos serviços municipais. “Uma autarquia paga IVA total por equipamentos de proteção individual, enquanto uma associação de bombeiros paga uma taxa muito inferior, para o mesmo equipamento. As carreiras também não refletem o risco e a disponibilidade exigida aos operacionais da Proteção Civil.” A sua tese de mestrado aborda precisamente esta necessidade de revisão estrutural.

Com fenómenos extremos cada vez mais frequentes, considera que a Proteção Civil já não pode ser vista apenas pela lente dos incêndios florestais. “Os riscos são muito mais amplos: tempestades, cheias, eventos extremos. A mudança está a acontecer e acredito na estrutura nacional e sub‑regional.”

Para o mandato em curso, Pedro Gomes define como prioridades a consciencialização da comunidade, a redução de acidentes rodoviários, a diminuição de incêndios urbanos e o reforço das relações com todas as entidades do concelho. “O maior obstáculo é a resistência à mudança. Às vezes ouço: ‘Eu faço isto há 40 anos, agora és tu que me vens dizer como se faz?’ Mas isso só me dá mais força para continuar.”

A disponibilidade permanente é parte da função. “O telemóvel está comigo 24 horas por dia. No início de julho estava de férias, houve calor extremo e tive de interromper as férias para vir trabalhar. Ou vestimos a camisola ou não vestimos. Eu visto a camisola, gosto daquilo que faço e não posso exigir aos outros aquilo que não faço.”

Pedro Gomes deixa ainda um apelo à população: “O número da Proteção Civil do Entroncamento é atendido 24 horas por dia. Qualquer dúvida, questão ou ocorrência, podem ligar. Será sempre atendido.”

Número da Proteção Civil Municipal: 249 716 600

Texto e vídeo: Ricardo Alves

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