A empresa Listorres voltou a pressionar o Município do Entroncamento para a resolução do litígio relacionado com o loteamento n.º 5/79 e o contrato do Museu Nacional Ferroviário, reclamando uma indemnização de 450 mil euros. A exigência consta de um ofício enviado à autarquia e dado a conhecer na reunião de Câmara de 4 de agosto, onde a empresa avisa que poderá recorrer aos tribunais caso não seja alcançado um acordo até outubro.
O processo resulta da tentativa de entendimento entre o Município e a Listorres, que previa um compromisso financeiro plurianual de 450 mil euros, proposta que acabou por não ser aprovada pelos órgãos autárquicos. Em maio, a Assembleia Municipal retirou o ponto da ordem de trabalhos e determinou o envio da documentação para o Tribunal de Contas, enquanto a coligação Viva o Entroncamento (PSD/CDS‑PP) anunciou igualmente o envio dos elementos ao Ministério Público. Tanto PS como a coligação levantaram dúvidas jurídicas e financeiras sobre a forma como a tentativa de transação foi conduzida.
Na reunião de agosto, o vereador Rui Madeira (PSD/CDS‑PP), citado nominalmente no ofício da empresa, rejeitou as referências que lhe são dirigidas, considerando que a comunicação da Listorres constitui “uma forma de pressão” para acelerar a resolução do caso. O autarca recordou que o processo foi remetido ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público por deliberação da Assembleia Municipal e questionou ainda a ausência da oposição nas negociações iniciais, que, segundo afirmou, terão decorrido “em menos de sete dias” após a tomada de posse do atual executivo.
O debate acabou por cruzar‑se com outro tema já levantado anteriormente por Rui Madeira: o pedido de divulgação dos financiadores da campanha eleitoral do Chega no concelho. O vereador disse ter solicitado essa informação por duas vezes sem obter resposta. Nelson Cunha, presidente da Câmara, rejeitou qualquer ligação entre a Listorres e o financiamento da campanha local, afirmando desconhecer qualquer apoio da empresa — posição igualmente confirmada por Rui Madeira.
Também o vereador socialista Ricardo Antunes defendeu a necessidade de esclarecimentos adicionais por parte do mandatário do município, sublinhando que o processo deve prosseguir “sem mácula”, independentemente da decisão final.
O litígio com a Listorres tem origem em questões relacionadas com o loteamento n.º 5/79 e com o contrato do Museu Nacional Ferroviário. A autarquia tem reiterado que qualquer compromisso financeiro plurianual só poderia produzir efeitos após aprovação pelos órgãos municipais competentes. Na sessão extraordinária de maio, a Assembleia Municipal retirou a proposta de compromisso da agenda e aprovou o envio da documentação ao Tribunal de Contas, bem como a audição do mandatário do município.
O presidente da Câmara, eleito pelo Chega em minoria, reafirmou então que não existe qualquer acordo assinado e que apenas uma deliberação formal dos órgãos autárquicos poderia vincular financeiramente o município.
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