PUB
Sei que nos esquecemos. Mas todos vimos da lama. Do tempo em que comíamos carne crua. Do tempo que não havia champô. Do tempo da água fria. Do tempo das cavernas. Tínhamos piolhos e percevejos, e não nos importávamos. Depois cooperámos e partilhámos o fogo e a segurança. As nossas mulheres dormiram mais tranquilas. Foram criadas regras de grupo. Quando fomos muitos, criámos as leis. Com as leis vieram os reis, os países. A especialização de funções produziu mais e mais tecnologia, e mais conforto. E finalmente, bem seguros nas nossas casas, no século XXI, esquecemos o longo caminho para aqui chegar.
Agradeço as regras e as leis que nos permitiram viver juntos. A começar pela lei do mais forte, a primeira de todas as leis. Era ao mais forte que cabia organizar a comunidade, a princípio através da força. A força tomou a forma de regra. Com a regra, fomos comunidade. Fomos aldeia, vila, depois cidade. Com a democracia, sobretudo com a revolução francesa, percebemos que o mais forte o é, em função dos que governa. Mas fomos, juntos.
Hoje, com tantas regras e tantas leis, esquecemos a origem e o propósito das mesmas. Estarmos juntos, vivermos juntos, sermos juntos. Regras e leis não servem os interesses particulares de cada um. É preciso que todos cumpram as regras e as leis, não para que possamos viver isolados e tranquilos, nas nossas bolhas, mas para que possamos viver juntos e cooperativos, numa bolha comum.
Exigem-se regras aos ciganos, assim como aos brancos, negros, etc. para que eles possam viver junto connosco, não para vivermos à distância. Exige-se o lixo no caixote, não para o nosso conforto e higiene pessoal. Mas para o conforto e higiene de todos. Da comunidade.

PUB


















