A Equipa Comunitária de Saúde Mental para a População Adulta de Ourém, integrada na Unidade Local de Saúde do Médio Tejo, assinala cinco anos de atividade com um balanço de 9.195 consultas médicas realizadas e 1.396 utentes acompanhados. A resposta, criada em maio de 2021, consolidou‑se como um dos pilares da intervenção comunitária em saúde mental, aproximando cuidados especializados dos contextos de vida dos utentes.
A equipa integra a primeira fase de implementação nacional das Equipas Comunitárias de Saúde Mental, consideradas estruturantes na reforma do setor e na nova abordagem do Serviço Nacional de Saúde. Desde o início, tem desenvolvido uma intervenção multidisciplinar que privilegia a proximidade, permitindo conhecer melhor cada utente no seu ambiente familiar, social e comunitário, identificar precocemente sinais de descompensação e ajustar os planos de acompanhamento às necessidades individuais.
A partir de 2022, a resposta foi reforçada com consultas domiciliárias, que se tornaram uma componente central da intervenção. Nos últimos cinco anos foram realizadas 879 visitas e consultas nas casas dos utentes, permitindo acompanhar pessoas com maior fragilidade clínica ou social, apoiar famílias e cuidadores e intervir de forma mais atempada em situações de risco. A abordagem domiciliária contribui também para reduzir barreiras de acesso e prevenir episódios de urgência ou internamento.
Entre 2021 e 2026, foram ainda registados 278 internamentos de utentes do concelho de Ourém no âmbito da Psiquiatria. Este indicador é acompanhado pela equipa no contexto da continuidade assistencial, garantindo articulação com os cuidados de saúde primários e com parceiros comunitários após a alta hospitalar.
A equipa funciona cinco dias por semana e integra psiquiatras, psicólogos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e outros profissionais. O acompanhamento inclui a definição de um plano individual de cuidados e a atribuição de um terapeuta de referência, assegurando uma resposta contínua e ajustada ao percurso de cada utente. A intervenção é desenvolvida em articulação com os cuidados de saúde primários de Ourém, instituições locais, autarquia e estruturas sociais, numa lógica de trabalho em rede.
Para Jorge Carvalheiro, coordenador da equipa, estes cinco anos demonstram que a saúde mental “não pode estar limitada ao hospital”, sublinhando a importância da continuidade, da relação terapêutica e da intervenção no contexto de vida das pessoas. Já o Presidente do Conselho de Administração da ULS Médio Tejo destaca o caráter estratégico das respostas comunitárias e a continuidade assegurada após a reorganização territorial que integrou Ourém na área da ULS da Região de Leiria, defendendo que os cuidados “acompanham percursos e relações terapêuticas” e não se interrompem por alterações administrativas.


















