O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, defendeu esta quinta‑feira, no Entroncamento, que Portugal entrou numa “nova era ferroviária” e que o país precisa de um consenso político duradouro para garantir a concretização dos investimentos previstos na alta velocidade e na modernização da rede nacional.
O governante falava na sessão de encerramento do Portugal Railway Summit 2026, que decorreu durante dois dias no Museu Nacional Ferroviário, reunindo especialistas, operadores, empresas e entidades públicas para debater o futuro da ferrovia portuguesa.
“Portugal não pode voltar a virar costas à ferrovia”
Na intervenção, Miguel Pinto Luz sublinhou que os investimentos em curso devem ser entendidos como “um ciclo de investimento dos portugueses” e não de um governo em particular, defendendo estabilidade política para assegurar a continuidade dos projetos.
“Não podemos voltar a ter um país de costas voltadas para a ferrovia”, afirmou, apelando a que “todos os partidos” preservem uma visão estratégica comum.
O ministro destacou ainda a importância de reforçar as ligações ferroviárias aos portos de Sines, Leixões e Aveiro, defendendo que a ferrovia deve ser encarada como infraestrutura essencial para a competitividade económica.
Alta velocidade como motor de reorganização territorial
Miguel Pinto Luz afirmou que a alta velocidade terá impacto direto na organização do território, aproximando cidades como Leiria, Coimbra, Aveiro, Braga ou Guimarães dos principais centros urbanos.
“É colocar Leiria a 30 minutos de Lisboa. É espalhar desenvolvimento e permitir que cada um implemente os seus projetos de vida”, disse.
O governante destacou também projetos complementares de mobilidade, como o Metrobus de Leiria e a expansão do Metro do Mondego até Cantanhede.
Subconcessões ferroviárias e futuro da CP
O ministro voltou a defender a criação de subconcessões ferroviárias em áreas específicas, à semelhança do modelo utilizado pela Infraestruturas de Portugal, argumentando que esta solução permitirá libertar recursos da CP – Comboios de Portugal para serviços essenciais.
“Se o privado fizer melhor e mais barato, avançamos. O Governo não quer pôr fim à CP nem privatizar a CP”, garantiu.
Miguel Pinto Luz destacou ainda que a transportadora pública registou recentemente recordes de passageiros, considerando que a empresa está “capacitada” para competir num futuro mercado aberto.
Concurso para 12 comboios de alta velocidade já está em marcha
Na véspera, a CP lançou o concurso público para a aquisição de 12 comboios de alta velocidade, com opção de compra de mais oito unidades, num investimento base de 504 milhões de euros. Segundo a tutela, os primeiros comboios deverão entrar ao serviço em 2031, permitindo concretizar a ligação Lisboa–Porto–Vigo até 2032.
Entroncamento elogiado pela aposta na identidade ferroviária
O ministro elogiou ainda a estratégia do município do Entroncamento na valorização da sua identidade ferroviária, afirmando que os autarcas devem “construir desenvolvimento a partir dos recursos endógenos”.
Dirigindo‑se ao presidente da Câmara, Nelson Cunha, afirmou:
“Olhar para o Entroncamento é olhar para a ferrovia. Faz todo o sentido que este município seja palco do Portugal Railway Summit.”
A sessão de abertura do evento contou com intervenções das vice‑presidentes da Plataforma Ferroviária Portuguesa, do presidente do Museu Nacional Ferroviário e do presidente da Câmara Municipal.
C/Lusa Foto: Mediotejo.net


















