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O Entroncamento celebrou este sábado o 52.º aniversário do 25 de Abril com um programa oficial que evocou os valores da liberdade, da democracia e do poder local, num ano em que se assinalam também os 50 anos das autarquias democráticas.

As comemorações arrancaram no Largo José Duarte Coelho, com o hastear das bandeiras pelos Bombeiros Voluntários, ao som do Hino Nacional interpretado por Walter Guia. Seguiu-se a Sessão Solene Comemorativa no Centro Cultural, que acolhe igualmente várias exposições dedicadas à efeméride.

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A sessão contou com intervenções dos representantes dos partidos com assento na Assembleia Municipal, bem como do presidente da Câmara Municipal, Nelson Cunha, e do presidente da Assembleia Municipal, Sérgio Belejo.

Lúcia Abelha: “A democracia não é garantida”

Em representação do PS, Lúcia Abelha evocou a identidade ferroviária do concelho e a resistência operária que antecedeu o 25 de Abril. Recordou que “o Entroncamento nasceu num cruzamento, feito de trabalhadores que vieram de todo o país” , sublinhando que a liberdade conquistada em 1974 não pode ser tratada como um dado adquirido.

A deputada municipal alertou para o risco de banalização democrática: “A liberdade não é garantida. São conquistas que precisam de ser renovadas, defendidas e, sobretudo, usadas” . Defendeu ainda que a dúvida e a exigência dos cidadãos devem ser motores de melhoria e não instrumentos de destruição do regime democrático.

Lúcia Abelha deixou também uma reflexão sobre o papel das novas gerações e a ilusão de participação nas redes sociais, lembrando que “os problemas que herdámos não se resolvem com um trending topic” .

Nelson Cunha: “O espírito de Abril exige responsabilidade”

O presidente da Câmara Municipal, Nelson Cunha, destacou que celebrar Abril implica mais do que memória: exige ação. “O espírito de Abril exige mais do que memória, exige responsabilidade” , afirmou, defendendo que a democracia só se fortalece quando responde às necessidades concretas das pessoas.

O autarca sublinhou que muitos portugueses continuam a sentir que a promessa de Abril permanece incompleta, apontando dificuldades no acesso à habitação, insegurança e falta de oportunidades para os jovens. Reforçou também a importância do 25 de Novembro, considerando que sem essa data “Abril não teria o significado de liberdade plena” .

No plano local, Nelson Cunha apresentou o trabalho desenvolvido nos primeiros seis meses de mandato, destacando áreas como limpeza urbana, segurança, saúde, justiça social e mobilidade. Sublinhou ainda a necessidade de proximidade e respeito institucional, deixando uma nota pessoal sobre a ausência de entidades oficiais na sua tomada de posse.

Sérgio Belejo: 50 anos de poder local democrático

O presidente da Assembleia Municipal, Sérgio Belejo, centrou a sua intervenção na importância do poder local, que este ano celebra meio século. Recordou que nasceu “a democracia com endereço, com rua, com nome de freguesia” , permitindo que a liberdade conquistada em 1974 ganhasse expressão concreta no território.

Sérgio Belejo destacou o papel das autarquias na transformação do país e do Entroncamento, afirmando que “o concelho cresceu, ganhou equipamentos e dignidade urbana pelo trabalho das suas gentes e das instituições democráticas” .

Alertou ainda para os riscos que hoje ameaçam as democracias em vários países, defendendo que o poder local é a primeira linha de defesa da liberdade: “A democracia não é um estado permanente; é um equilíbrio que exige manutenção” .

Cultura, memória e participação

A cerimónia integrou também momentos culturais, incluindo a leitura dos poemas vencedores do concurso “O 25 de Abril de 74”, promovido pelo município em parceria com o Agrupamento de Escolas do Entroncamento e a Escola Profissional Gustave Eiffel, além de atuações musicais de Walter Guia.

As comemorações encerraram com um apelo transversal à participação cívica, ao reforço da democracia e à preservação dos valores que Abril trouxe ao país.

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