Foto EOL (arquivo)
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O Sporting Clube de Portugal tornou-se esta terça-feira, no jogo do título no Estádio José Alvalade, em Lisboa, campeão nacional de futebol, obtendo um prestigiado título que já não alcançava desde a época 2001-2002, altura em que derreti a buzina do meu automóvel, após alguns quilómetros de euforia clubística num cortejo pelas ruas do Entroncamento.

Nessa altura, recordo-o com agradecimento, a equipa de leão ao peito era dirigida pelo treinador romeno Laszlo Bölöni, e costumava apresentar-se em campo comandada pela artilharia inspirada de Mário Jardel e o controlo remoto dos cruzamentos de João Pinto, sem esquecer a constelação de magníficos executantes, mágicos e carregadores de piano, que então fizeram rejubilar toda a nação sportinguista. Hoje, depois de muitos anos tristes e dececionantes, e de muita fé desiludida por isto e por aquilo, a estrela leonina voltou a brilhar, num ano, que inicialmente pouco prometia de diferente, e muito menos para melhor, em relação às épocas anteriores. Um ano atípico em tudo, até no futebol, como me garantem (e se conformam) os meus amigos benfiquistas e portistas – e eu confirmo-lhes que sim… De qualquer modo, para terminar com a dieta do duopólio Benfica/Porto, sempre é uma forma de quebrar a monotonia…

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O glorioso Sporting CP, depois de muitas contrariedades, incluindo alguns tiros nos pés e pior, voltou a mostrar o seu espírito de abnegação, e mostrou que “Sucesso” antes de “Trabalho”, só e apenas no dicionário. Sendo, sobretudo, um estado de alma, que vive de muita fé e da convicção de que os impossíveis são apenas aplicáveis a quem não os tenta, o Sporting foi conquistando, vitórias após vitórias, e com alguns percalços de permeio, os pontos que, hoje, após a vitória minimalista sobre o Boavista por 1-0, chegaram para atingir o ambicionado título e erguer alto o respetivo troféu.

Foi uma epopeia como a que o team, que tem a cabeça e os pés em Alvalade, mas dispõe de um coração do tamanho do país, mais os enclaves em que se concentram as muitas comunidades de portugueses, como posso agora mesmo testemunhar pelas contínuas vagas foguetório no centro da cidade, de cortejos de automóveis que passam aqui nestas ruas e avenidas com bandeiras, cachecóis verdes e brancos, e muitos sportinguistas levantando-os e celebrando o fim do seu longo confinamento futebolístico – e pelo que, pela Internet, percebo que se está a viver pelo mundo leonino. É claro que neste momento de euforia e deslumbramento, com algo de abençoado, aos sportinguistas apetece reviver as muitas incidências com que foi sendo construído este título. E em que o sofrimento até ao último segundo do último minuto de cada jogo foi coisa reincidente, e não de somenos importância. E também se podia agradecer aos seus protagonistas, onde poderiam pontificar o messiânico treinador Rúben Amorim, o sempre providencial e estratosférico Sebastián Coates, João Palhinha, o polvo do meio-campo da equipa, ou aos desconcertantes Pedro Gonçalves e Jovane Cabral, ou a San Adán, o padroeiro da nossa baliza, e muitos dos jovens chutadores que o treinador decidiu recrutar em Alcochete e lançar nesta saga do título. Mas esses destaques não são para estes momentos, pois momentos de glória, são momentos de todos, coletivos, e, no fundo, não só todos tiveram o seu contributo, como a divisa sportinguista é mesmo para levar a sério: “No Sporting, onde vai um vão todos!”

Ainda faltam duas jornadas para o campeonato nacional terminar, e agora os adeptos vão decerto pedir a Rúben Amorim que o conclua, mantendo-se invicto até ao fim, e transformando-se de certa maneira no melhor Sporting de sempre, incluindo os tempos idílicos de mel e leite dos “Cinco Violinos” Para quem começou com tanto descrédito, não está mal…

Manuel Fernandes Vicente

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