(QUEM LUCROU COM MAIS ESTE RUINOSO NEGÓCIO DO ESTADO ?)
O Estado que se diz ou se pretende afirmar perante os atempados cidadãos contribuintes do Erário Público Nacional como pessoa de Bem, volta-e-meia, com muitas das suas nefastas ou duvidosas acções governativas, acaba por nos dar fortes indícios de sinal contrário ao que realmente nos pretende apregoar.
Fruto da ganância de muitos empresários que outra coisa não fazem se não viver parasitando nos negócios e rendosos contratos feitos com esse mesmo Estado, sabe-se que desde há muitos anos não existe quase nenhum governo que não tenha cometido esse tipo de “pecadilhos”, e que se não tenha rendido aos chamados “cânticos-de-sereia” trauteados por bem amestrados “músicos”, nomeadamente pelos grandes construtores de Obras Públicas e por empresários ou intermediários, muitas das vezes feitos à justa medida e na hora, para desempenharem o rol de fornecedores de dispendiosos equipamentos dos organismos da Administração Pública!
Com isto quero dizer, que negócios ruinosos sempre os sucessivos governos têm feito, uns atrás de outros, de maior ou menor monta. Estou a lembrar-me, por exemplo, de um escandaloso negócio, então feito pelo governo de José Sócrates. Sim, é verdade! Nos tempos da sua desvairada governação, foram colocados a esmo nas auto-estradas uns enormes painéis metálicos, cuja finalidade era a de indicar aos utilizadores daquelas vias os preços dos combustíveis disponibilizados pelas várias empresas gasolineiras.
Dizia-se, então, que os referidos painéis viriam contribuir para que os condutores escolhessem os melhores preços, e assim conseguissem uma boa poupança no momento de decidirem parar para abastecerem as suas respectivas viaturas! Nada mais falso! Quem por lá circula, mesmo ainda nos dias de hoje, verifica que os preços são iguaizinhos uns aos outros, pois neles quase invariavelmente não se vê nem um cêntimo de diferença entre si, independentemente da empresa que ali os promove! Do meu ponto de vista, para além de nada de positivo informarem, eles são mesmo até um grande perigo para os automobilistas mais curiosos que se atrevam a consultá-los, visto poderem levá-los ao despiste ao olharem na sua direcção!
Assim sendo, pergunta-se: “Então para que raio foram inventados aqueles placards fantasma”? O ex-ministro socialista das obras Públicas Mário Lino ficou entre nós conhecidos – (via comunicação social), por alegadamente ter pedido via telemóvel à sua secretária de Estado para que fossem protegidos os interesses de Manuel Godinho, o sucateiro de Ovar, visto que, segundo a opinião daquele mesmo governante, ele era um generoso amigo das cores socialistas. Será que também esta foi mais uma encomenda do Estado para favorecer algum empresário ligado ao PS?
Outro ruinoso negócio de Estado que não podemos de modo algum esquecer, pois ele superou de longe o de Sócrates, foi o praticado pelo então primeiro-ministro António Guterres, quando a dada altura da sua governação decidiu adquirir o Autódromo do Estoril a uma falida firma de seu nome Autodril, obrigando os Cofres Nacionais a desembolsar uma avultada quantia de vários milhões de contos!
Tendo aquele equipamento desportivo perdido então a primazia de realizar corridas de Fórmula I, o seu valor virou quase residual, pois apenas passou a servir para albergar pequenos eventos desportivos sem projecção nacional ou internacional, facto que lhe passou a trazer imensos prejuízos anuais, dados os elevados custos de manutenção daquela complexa infraestrutura! Ora, sendo o Automobilismo um negócio normalmente gerido por entidades privadas, podemos sempre perguntar qual teria sido a importante razão, para o Sr. PM de então se abalançar na compra deste novo elefante branco?
É claro que não será segredo para ninguém, se dissermos que muitos empresários têm feito florescer as suas empresas à sombra de chorudos contratos com o Estado Português. Foram, por exemplo, os submarinos, que alegadamente deram boas comissões a alguns comilões. Foi o sistema de comunicações das forças de Segurança, Bombeiros e Protecção Civil, conhecido pelo nome de SIRESP, que tendo um preço proibitivo, tem sido um autêntico fiasco, mesmo até confirmado pelo próprio primeiro-ministro António Costa, quando dos fogos de Pedrógão. Quem muito lucrou com este mau negócio de Estado foram a Portugal Telecom e a actual sucessora Altice!
Os aviões Canadair e os helicópteros Kamov, foram mais um negócio que até nos comove! Alguns destes aparelhos nem levantam voo por terem desconformidades técnicas, e alguns helicópteros até caem como tordos ao recolherem água das barragens para ataque a incêndios! Uma lástima bem lastimosa, que todos nós temos de pagar!
Agora, pelos vistos, e para não variar, temos o momentoso e muito estranho caso dos contratos da extracção de lítio, em Montalegre. Diz-se que até para este rendoso negócio de trezentos e cinquenta milhões de euros, apareceram certos empresários (?), cuja empresa constituíram apenas com um irrisório capital de cinquenta mil euros, e que para o efeito foi constituída três dias antes da assinarem esse mesmo contrato com João Galamba, secretário de Estado da Energia! Segundo o programa Sexta às nove, apresentado na RTP 1 por Sandra Felgueiras, as futuras explorações de Lítio em Trás-os-Montes já estão a dar que falar, e até parece que estão sendo investigadas pela Justiça, dadas as alegadas desconformidades e a inusitada rapidez da outorga das respectivas licenças de concessão a uma empresa sem curriculum, ou qualquer experiência em prospeções mineiras!
E assim vai a política à portuguesa! O Povo cá estará para pagar a factura!
Alfredo Martins Guedes
Outubro 2019



















