
E, de repente, tendo os homens abusado de novo da longanimidade de Deus… o relógio do mundo voltava a parar. Isto deu-se por altura da Páscoa do ano 2020, em plena quaresma. Do oriente voltavam a soprar 10 ventos furiosos – um enorme dragão – e os homens viam-se perdidos numa enorme sombra que escurecia o dia a meio e que os começava a matar, primeiro, lentamente, depois, o dragão, a antiga serpente que engana todo o mundo, ia lançando da sua boca água como um rio para com a sua corrente a todos arrebatar… mas havia um «resto», um pequeno grupo de piedosos, de cerca de 10 justos (que representavam os 10 milhões duma pequena Nação que tinha a Virgem mãe por rainha). Esse «resto» (ou a semente do chamado Quinto Império), sentindo um impulso exterior muito forte, inexplicável, foi à Cova da Iria, a Porta da Nova Jerusalém e, com a voz embargada e a alma em pranto, entregou-se por inteiro aos Corações Imaculados de Jesus e de sua mãe, Maria. Os homens lembravam-se do ano de 1931 em que o Senhor os havia atendido mercê desse anterior acto de filial vassalagem de fé, amor e confiança. Aquelas palavras ainda ecoavam, forte, nos ouvidos dos nossos Pastores: «“Intercedei por Portugal , Senhora, nesta hora gravíssima em que sopram do Oriente 10 ventos furiosos que trazem gritos de morte contra Vosso Filho e a cultura fundada sobre os Seus ensinamentos, desvairando as inteligências, pervertendo os corações, e inflamando o mundo em chamas de ódio e revolta. Socorro dos Cristãos, rogai por nós!”
Como nos tempos de Noé que havia anunciado a justiça durante cerca de 120 anos sem ser ouvido, assim também vinha acontecendo ciclicamente na Terra, nestes séculos precedentes. Os homens tinham abandonado Javé e já só se entregavam aos ídolos do materialismo, seu deus e seu fim. E veio uma espécie de dilúvio cósmico, uma nova guerra, com um inimigo invisível que saía da boca do dragão…
Entretanto e numa pequena povoação onde se abraçam dois rios a que anda ligada a memória da santa popular incorruptível (assassinada à traição pelos filhos do dragão na antiga Nabância, foi deitada ao rio, foi flutuando, e, ao passar em Punhete – actual Constância – alguém, julgando ser um tronco, deu-lhe um pontapé e logo ficou com o pé torto daí nascendo a lenda sobre a alcunha dos locais) os homens fortes, tal como Iria, renegavam o dragão enganador e afirmavam a sua eterna e filial devoção a Nosso Senhor Jesus Cristo e, choravam e, pediam, copiosamente, a intercessão da mãe do céu junto do Seu Amado Filho:
«Senhora da Boa Viagem
socorre os teus filhos Ó mãe!»
«Se alguém tem ouvidos, ouça».
Por José Luz
(Constância)



















