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Muito em breve deputados que se dizem católicos Irão aprovar em definitivo a lei da eutanásia, juntando-se aos seus pares.

As pessoas mais desatentas ou desprevenidas poderão cair no “conto do vigário” e confundir a eutanásia (administração de medicamento letal por terceiro) e suicídio assistido (administração de medicamento letal pelo próprio), nomeadamente, com o chamado prolongamento artificial que é a obstinação ou encarniçamento terapêuticos, o que a doutrina da Igreja também não aceita.

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Feito este esclarecimento não posso enquanto católico deixar de manifestar o meu repúdio público dado a hipocrisia de tantos políticos que querem fazer vida dupla. Vão à missa e comungam e ao mesmo tempo, por ação ou omissão, negam o Evangelho do único Autor da vida e negam o princípio de direito natural recebido pela nossa lei fundamental, a saber, da inviolabilidade da vida humana.

Deixo-vos algumas “sentenças” publicada há algum tempo, do Cardeal Patriarca, em notável entrevista ao CM:

“Com a eutanásia não se elimina o sofrimento, elimina-se a vida”. Inviolável é inviolável. As palavras querem dizer alguma coisa (sobre o artigo vigésimo quarto da Constituição).

“Quando a vida está fragilizada, quando o sofrimento é grande, quando não há grandes perspetivas, acompanhamos as pessoas até ao fim”.

Sobre os cuidados paliativos que a Igreja aceita e defende? “A palavra paliativo vem de pálio, que é um manto, aquilo que envolve, e é isso que nós precisamos de fazer às pessoas que necessitam de cuidados na fase mais adiantada da vida.”.

Aprovada que seja a ignomínia da eutanásia, já só restarão cinzas da Constituição, desta vez para colocar num vaso fúnebre do Palácio de Belém.

Marcelo, calculista, disse recentemente numa entrevista que não conhece o projeto final da lei e que só depois de conhecer o decreto da assembleia, se poderá pronunciar.  E adiantou que uma das hipóteses será a promulgação se nada obstar. Tem piada. Marcelo conhece o objeto da aprovação inicial das várias iniciativas legislativas. É essa a questão de fundo. Não se pode servir a dois senhores: ou se está com o princípio da inviolabilidade da vida humana, ou se está contra.

O que está em causa é uma questão civilizacional axiomática. A defesa pró-ativa da dignidade da pessoa humana.

Havendo tantas omissões do Estado na proteção dos direitos fundamentais da saúde, aprovar a eutanásia é agir ideologicamente, mandando às urtigas a ordem jurídica e os princípios. Isso é ditadura.

Contra a ditadura só conheço um meio de luta e de combate…

Não existe nenhum direito à autodeterminação no sentido de pôr termo à vida. A nossa Constituição é muito clara na defesa da inviolabilidade da vida humana. As recentes sentenças europeias que abriram a porta à eutanásia não têm a virtualidade de derrogar a nossa Constituição e os princípios que ela consagra.

Os políticos e os juízes que venderem a alma ao diabo terão de pagar o preço dessa traição aos Direitos do Homem.

Não terão perdão possível.

É maldade humana.

José Luz

 

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