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Maria da Guia Asseiceiro teve uma coluna no jornal “O Entroncamento” de seu nome “Janela sobre a cidade”, cujos textos voltamos a publicar.

Personalidades

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Por a personalidade em questão ter sido uma figura pública demasiadamente conhecida, sinto-me dispensada de fazer uma biografia exaustiva da sua obra. Tudo o que hoje temos de utilidade administrativa, de segurança, de ensino, de saúde e de lazer foi impulsionado por José Duarte Coelho, o Presidente “cabouqueiro”, corajoso e diligente que assentou os alicerces da cidade que hoje temos.

Veio de Santarém, aqui viveu desde muito novo e pelo Entroncamento quase deu a vida.

Foi inspector-chefe da oficina de creosotagem da CP, serviu a Empresa durante 50 anos, foi um dos ferroviários mais antigos do Entroncamento e tinha muito orgulho nisso.

Assumiu a Presidência da Junta de Freguesia do Entroncamento em 1926, ainda integrado no concelho da Barquinha. Infatigável lutador, cria infra-estruturas e dá ao Entroncamento um desenvolvimento urbano que espanta e assusta os concelhos vizinhos. Por volta de 1930 era uma terra com 1.120 casas e 3.800 habitantes. Em 1940 já tinha 6.000 e os melhoramentos de utilidade pública sucediam-se uns após os outros. A política, para este homem, não estava relacionada com os “cifrões” em proveito próprio, ao tempo fazia-se política por carolice e muitas vezes era do seu bolso que o progresso avançava. Teve a lucidez de, ainda como Presidente da Junta de Freguesia, porque a época era de vacas magras, rodear-se de comerciantes, industriais, ferroviários e homens de boa vontade que o ajudaram a concretizar todos os seus sonhos de progresso e desenvolvimento.

A 22 de Dezembro de 1932 o Entroncamento passa a ser vila. José Duarte Coelho é o Presidente que arrasta, com o seu dinamismo, a população e muitos de nós ainda recordamos as inaugurações a que fomos chamados a comparecer: Um “esquadrão” de pés pequeninos e batas brancas, cumpriam com orgulho um dever cívico!… A cidadania exercia-se a partir dos bancos da Escola Primária. A população tinha a noção exacta que o Entroncamento era o que os entroncamentenses quisessem que ele fosse e esse entusiasmo e confiança era-nos dado pelo nosso presidente.

A 24 de Novembro de 1945 passa a sede de concelho e José Duarte Coelho passa a Presidente da Câmara. Continua com o mesmo entusiasmo a sua obra. Durante 30 anos serve com dedicação uma terra que ele adoptou como sua.

Fazia aquilo que hoje se chama “Presidência Aberta”. Da janela do seu posto de trabalho da CP, dava abertamente as suas ordens ao pessoal de serviço na Câmara. Reuniões de Câmara faziam-se no local próprio… mas também nas casas particulares dos seus colaboradores. A eficiência, a naturalidade, o pitoresco e o bizarro, eram algumas das suas características naturais.

Como bom ribatejano amava a festa brava, como bom conversador animava um grupo de amigos.

Homem notável como cidadão comum e como Presidente dos destinos do Entroncamento. Scalabitano pelo nascimento, Entroncamentense por adopção.

José Duarte Coelho foi de facto o “Construtor dos Alicerces da Cidade”.

Maria da Guia Asseiceiro

(1994)

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