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Maria da Guia Asseiceiro teve uma coluna no jornal “O Entroncamento” de seu nome “Janela sobre a cidade”, cujos textos voltamos a publicar.

“Estranho botão de rosa”

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(A TODAS AS MÃES)

DIA 8 DE DEZEMBRO DIA MÃE:

Parafraseando o Poeta, Dia da Mãe é quando o homem quiser!

Mãe… É de ontem, de hoje e de sempre.

ESTRANHO BOTÃO DE ROSA

Numa noite fria de dezembro do ano de 1914, dois dias antes das Festas de Natal, veio ao mundo uma menina.

Era um pequenino botão de rosa, nascido de uma roseira forte e fértil, rodeada dos seus nove rebentos.

Cresceu alegre e livre até ao dia em que a avó, magra e velha, pegou numa “tesoura,” e cortou o botãozinho da roseira e levou-o para casa. Não o colocou na jarra da sala!…

Plantou-o, agora aqui… depois ali… Sacudiu-o com ralhos e trabalhos; mas o botãozinho, forte e firme, murchava hoje, erguia-se amanhã.

Refrescava-se nas águas da alverca onde lavava a roupa, aquecia-se com o calor do forno onde cozia o pão, respirava com a amizade e o exemplo dos familiares e amigos que tanto a admiravam.

… E o botãozinho se fez “Rosa”…

Raras vezes foi colocada na “jarra” da sala!…

Chilreava e cantava como as aves do campo…

Dançava e girava nas danças de roda duma rua, dita de Lagartos:

Aquele que acolá vem

Quem mo dora ver cair

Tenho meu coração triste,

Quero fartar-me de rir!…

Descalça ia à fonte… como “Leonor” do lírico Camões, de cântaro à cabeça, esta, vai formosa e bem segura.

Dormia e comia pouco, porque segundo a “avó-velha” deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer. Abóbora ao almoço, abóbora ao jantar. No campo dava “água à cura”, sachava, mondava…

No farnel muito limpo e escasso, havia sempre um queijo a fazer figura.

Lavava, esfregava, cosia. Ia à azeitona, ao rabisco… E a “avó-velha” era como a tempestade nos “Montes Uivantes”. Caíam raios e coriscos e aquela “Rosinha” de pé curto e vistas largas, lá ia, plantada aqui, ali e acolá.

Houve um dia em que Ela foi colocada na jarra da sala! Foi tão grande e tão lindo esse dia, que até morrer… nunca o esqueceu:

Dia 8 de Dezembro – Dia da Imaculada Conceição – Dia da sua Comunhão Solene!…

Vizinha do Menino-Deus, pela data do seu nascimento, teve certamente grandes privilégios:

Conta a lenda que, quando Deus criou o mundo, pegou numa enorme tijela de barro, colocou nela uma mão cheia de Sol, a ternura das pombas, o veneno das víboras, a elegância das gazelas, serenidade da lua, um sopro do Seu sonho e com as suas próprias mãos formou a Mulher… mas “esta”, porque além de Mulher também é “Rosa”, permitiu Deus que se lhe juntasse o CARÁTER da ROSEIRA que lhe deu vida; a PERSPICÁCIA e a ESPERTEZA da avó-velha; a BONDADE do avô Rafael; a ALMA de POETA do tio Josefino; a HONRADEZ e a VALENTIA dos Barras… e assim se conseguiu a mais perfeita de todas as “ROSAS”

Na minha MÃE, presto humilde homenagem à MÃE de todas as MÃES:

A IMACULADA CONCEIÇÃO – DIA 8 DE DEZEMBRO

Maria da Guia Asseiceiro

(1994)

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