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Na passada quarta-feira realizou-se mais uma Conferência em Família, desta vez na vigararia do Entroncamento, no Centro Pastoral de Nossa Senhora do Rosário de Fátima. O tema foi a presença de Cristo em famílias em situação de doença, apresentado por Margarida Ribeiro de Almeida, médica especialista em Medicina Geral e Familiar e Terapeuta Familiar, mas sobretudo filha de Deus “que é de todos, o que dá mais trabalho”, confidenciou antes de iniciar a conferência.

Iniciou por lançar a todos os presentes, e também às dezenas que acompanharam a transmissão em simultâneo a partir da página de Facebook @pastoralfamiliar.pt, a reflexão sobre o que significa e em que se traduz ter Jesus presente na nossa família, quem é presença de Cristo na vida da pessoa antes da doença e como é vivida a fé antes da doença. “Ter Cristo presente na nossa família é procurar ser cada vez mais parecidos com Ele, independentemente de haver ou não um doente”.

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Nas situações de doença, definidas como as situações de falta de saúde física, mental e espiritual – ou seja, a capacidade de dar sentido à vida, é comum o ser humano ter “tendência para [se] ver em espelho” no outro doente, sendo comuns reações de negação, irritação, afastamento. É comum que a presença da pessoa doente seja perturbadora para o(s) outro(s), porque uma pessoa doente exige que o outro seja “capaz de acolher a sua própria miséria, [a sua] natureza humana imperfeita, limitada, finita e, por isso, aumentar a compaixão e pôr-se no lugar no outro [que está doente]”, ou seja, que desperte o “curador ferido”.

Por outro lado, “a família com um elemento doente dá-nos a capacidade de olhar para esse elemento e decidir como é que eu quero amar”. E nesta decisão cabem gestos muito concretos e necessários: “rezar juntos, fazer refeições juntos, aproximarmo-nos dos sacramentos, aprender a abraçar, passar do mero contacto ao toque”. Nas situações que assim o exigem, a capacidade para se despedir é o mais difícil e, nestes casos, a família precisa sempre de ajuda.

Não só a família, mas toda a comunidade é chamada a ser presença viva de Cristo nestes casos: muitas vezes, “os doentes nem sabem como pedir [ajuda]” e também por isso é importante ter clara a contribuição da Pastoral da Saúde, o papel do pároco, das comunidades paroquiais, que têm responsabilidades no acompanhamento das famílias, não só do doente mas dos seus cuidadores. Com base nesta questão, e realçando a importância da vontade em ampliar este trabalho, foi lançado o desafio de auscultar as famílias da Diocese para identificar como podem a Pastoral da Saúde e a Pastoral Familiar colaborarem e contribuírem para ajudar as famílias a experimentarem a presença de Cristo.

No final, houve tempo para um breve momento de plenário em que foi também referido o tempo de pandemia, e a importância de “curar as feridas para nos tornarmo-nos mais capazes, mais vivos, mais ricos”. E em muitos casos isso passará também pela capacidade de perdoar, e de identificar a quem/o que tenho que perdoar para curar essa(s) ferida(s) dentro de mim, reconhecendo “quem é o sobrevivente que eu sou”.

A próxima conferência será em Alcanena, no próximo dia 16 de março, com o tema “Ser rosto de Cristo para as famílias que vivem com a deficiência”.

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