O fecho da Ponte da Chamusca está a provocar um aumento excecional do tráfego na Ponte da Praia, que liga Constância a Vila Nova da Barquinha. As cheias no Tejo e as limitações noutras travessias agravaram a pressão sobre esta infraestrutura, levando os autarcas a alertar para riscos de segurança e a exigir soluções estruturais há muito adiadas.
Esta manhã houve uma conferência de imprensa com os presidentes da Câmara de Constância e Vila Nova da Barquinha, Sérgio Oliveira e Manuel Mourato, respetivamente.
Segundo o presidente da Câmara de Constância, Sérgio Oliveira, o volume de trânsito “duplicou ou triplicou face ao habitual”, consequência direta do encerramento da EN243 e das restrições em Abrantes. “Queremos alertar a população e o Governo. É urgente uma solução — seja uma nova travessia ou a reabilitação da ponte — que permita a passagem de pesados e circulação nos dois sentidos”, afirmou.
A Ponte da Praia funciona em sentido alternado, regulado por semáforos, e está interdita a veículos pesados por razões estruturais. Ao início da tarde desta quinta‑feira, registavam‑se filas de centenas de metros, com a GNR no local para garantir a segurança, apesar de alguns pesados tentarem, ainda assim, atravessar.
Autarcas denunciam problema antigo e pedem intervenção do Governo
Numa conferência de imprensa conjunta, os presidentes de Constância e Vila Nova da Barquinha sublinharam que o aumento de tráfego apenas veio expor fragilidades já conhecidas.
“Temos a gestão desta ponte quando deveria ser do Governo central. O fecho da Ponte da Chamusca agravou um problema com quatro décadas”, afirmou Manuel Mourato, autarca barquinhense. Para ambos, a solução passa por um reforço estrutural ou alargamento da ponte, permitindo circulação nos dois sentidos e passagem segura de pesados.
As consequências económicas também já se fazem sentir. Empresas da região, como a Caima, solicitaram autorizações excecionais para circulação de camiões, mas os municípios recusaram assumir essa responsabilidade. O Ministério das Infraestruturas também não autorizou exceções e agendou uma reunião para março.
O tráfego médio diário na ponte situa‑se entre 3.000 e 4.000 veículos, número que “mais do que duplicou ou triplicou” desde o encerramento da travessia da Chamusca.
Ponte da Chamusca continua encerrada sem previsão de reabertura
A Ponte da Chamusca foi inicialmente encerrada devido à submersão da EN243, após o galgamento do Dique dos 20, na Golegã. Apesar de ter reaberto temporariamente com a descida das águas, surgiram fissuras no pavimento, levando a nova interdição e à intervenção da Infraestruturas de Portugal. A avaliação técnica continua e não há previsão de reabertura.
Autarcas pedem avanço do IC3 e IC9
No distrito de Santarém, as travessias sobre o Tejo — Abrantes, Constância‑Sul/Praia do Ribatejo, Santarém e Chamusca — são essenciais para a mobilidade regional. O presidente da Câmara da Chamusca, Bruno Mira, defende a concretização do IC3, enquanto o autarca de Abrantes e responsável distrital da Proteção Civil, Manuel Jorge Valamatos, alerta para a fragilidade da rede viária.
“É fundamental que o Plano Rodoviário Nacional avance com soluções como o IC3 e o IC9. Estas obras não podem continuar adiadas”, afirmou.
Cheias agravam situação
A pressão sobre as travessias ocorre num contexto de cheias no Tejo, com cerca de 150 estradas cortadas ou condicionadas no distrito devido a inundações e aluimentos. O Plano Especial de Emergência para Cheias na Bacia do Tejo mantém‑se em alerta vermelho.



















