De 6 a 9 de agosto, a aldeia de Cem Soldos, em Tomar, volta a transformar‑se numa aldeia‑festival para celebrar os 20 anos do Bons Sons, numa edição marcada pela ideia de resistência e por uma programação que cruza música, património, natureza, criação artística e participação comunitária. Além dos concertos, o festival volta a ocupar toda a aldeia com cinema, conversas, percursos, oficinas, exposições e atividades para todas as idades.
O cartaz musical de 2026 apresenta alguns dos nomes mais sonantes da música portuguesa contemporânea. Entre os destaques estão Quinta do Bill, que promete um dos concertos mais concorridos desta edição, Rita Redshoes, que sobe ao palco com um espetáculo muito aguardado, Cacique’97, que traz a sua energia afro‑lusitana, TT Syndicate, com o seu rock’n’roll explosivo, e Lavoisier, que se apresenta acompanhado pelo Coro Polifónico da Pedreira. A programação inclui ainda artistas como Luca Argel, Victor Torpedo and The Pop Kids, Mordo Mia, Them Flying Monkeys, Brandos Costumes, Miss Universo, Pedro da Linha, Xullaji, entre muitos outros, reforçando a diversidade que caracteriza o festival.

Nas artes performativas, o Bons Sons apresenta duas propostas em parceria com a Materiais Diversos: Conto Preto, obra coreográfica de Nala que cruza espiritualidades do Candomblé com a cultura ballroom, celebrando ancestralidade e resistência de corpos negros e queer; e Fazer Ideia, de João Grilo & Inês Campos, uma performance que mistura texto, gestos coreografados, lipsync, música ao vivo e ações simbólicas, numa coreografia social que envolve público e território.
A programação inclui também um ciclo de conversas e debates em parceria com o Gerador, dedicado ao conceito de lugar, futuro, liberdade artística e diversidade de vozes, com intervenções de Leonor Rosas, Paulo Lopes Silva, Mynda Guevara, Ana Paula Costa, Maria João Valente Rosa, Magda Henriques e Rita Cortezão. A Fundação José Saramago promove a conversa Um País Morto Não Pode Fazer Uma Cultura Viva, com Patrícia Portela e Sérgio Machado Letria, moderada por Ricardo Viel. No âmbito do concerto de Luca Argel, o músico participa numa conversa com a sexóloga Tânia Graça sobre masculinidade, enquanto a Música Portuguesa A Gostar Dela Própria dinamiza Eu Fui ao Mar às Laranjas, encontro sobre criação de públicos e preservação do património imaterial.
O cinema marca presença com o Curtas em Flagrante, mostra itinerante de curtas‑metragens de língua oficial portuguesa, com três sessões no Auditório Agostinho da Silva, incluindo uma para público infantil. O festival exibe também dois documentários: Paraíso, de Daniel Mota, sobre o nascimento da cultura rave em Portugal, e Percursos Alternativos – Ecos de Garagem, de Rui Mota Pinto, dedicado ao rock viseense das décadas de 1980 e 1990.

Os percursos pela aldeia incluem o percurso sonoro Cem Soldos para além do Bons Sons, criado por Ana Bento e Bruno Pinto, que revela histórias e memórias da aldeia através de auscultadores. A associação 30POR1LINHA dinamiza os Percursos Interpretativos da Biodiversidade, que dão a conhecer fauna, flora e ecossistemas locais, e a oficina Bandeiras da Diversidade, orientada por Rute Campanha.
As oficinas voltam a ocupar vários espaços da aldeia, com propostas participativas como Okupamos Cem Soldos e O Dragão Maria João, da Oficina Fritta; a Oficina de Canto e Toque Coletivo, com Liliana Abreu; a oficina‑jogo O Que Esconde a Aldeia, destinada a crianças e famílias; e o workshop Do Óleo ao Sabão, promovido pela ECOX, dedicado à reutilização de óleo alimentar usado.
Para assinalar os 20 anos do festival, a exposição 20 Anos, Aqui o Futuro Faz‑se celebra o Bons Sons através do olhar das crianças e jovens de Cem Soldos, reunindo vídeos, entrevistas e um manifesto coletivo sobre a relação entre comunidade e festival.
A programação para famílias volta a contar com a AEPGA, dedicada ao Burro de Miranda, com atividades como a Aula do Burro, Caminhadas com os Burros, o Jogo do Burro e Veterinário por um Dia. Há também sessões de música para bebés e crianças, oficinas de instrumentos e danças tradicionais, e espetáculos como Febre de Burro, dos Holy Clowns, e A Quinta dos Animais, de Inês Fonseca Santos. O jogo Cem Soldos, Cem Moedas desafia visitantes a descobrir cem moedas espalhadas pela aldeia, criadas a partir de desenhos das crianças locais.
Os bilhetes, quase esgotados, estão disponíveis na rede See Tickets e na sede da SCOCS, com o Passe de 4 dias (com campismo) a 70€ e o bilhete diário a 35€.


















