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Seis meses após assumir a presidência da Câmara Municipal do Entroncamento, Nelson Cunha, eleito pelo Chega, afirmou à Agência Lusa que existe uma “mudança irreversível” na governação local. O autarca considera que a Câmara “deixou de ser espetadora e passou a ser agente de mudança”, defendendo que encontrou processos por decidir, falta de organização e necessidade de reforçar mecanismos internos.

Segundo o presidente, a nova liderança introduziu “método, maior responsabilização interna e foco na execução”, afirmando que “o rumo está definido”, embora reconheça que seis meses “não chegam para materializar tudo”.

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Entre as medidas destacadas neste período, Nelson Cunha aponta o protocolo com a PSP para instalação de 55 câmaras de videovigilância, o reforço do controlo interno dos processos administrativos, a revisão dos apoios sociais e a atualização da estratégia de prevenção de riscos de corrupção. Estão também em curso alterações nos procedimentos de contratação pública, com regras consideradas mais claras e uma aposta na contratação de empresas locais.

Na área social, o executivo procedeu ao cruzamento e atualização das bases de dados dos apoios municipais, com o objetivo de obter informação mais rigorosa sobre os beneficiários e evitar duplicações ou situações indevidas.

A eleição de Nelson Cunha, em outubro de 2025, representou um marco político, por ter sido o primeiro presidente de Câmara eleito pelo Chega em Portugal. O executivo governa sem maioria absoluta: o Chega tem três vereadores, a coligação PSD/CDS‑PP dois e o PS outros dois. Na Assembleia Municipal, o Chega detém 10 mandatos, a coligação sete e o PS cinco.

O autarca afirma que a ausência de maioria tem exigido diálogo permanente e refere que a generalidade das propostas tem sido aprovada por unanimidade. Aponta ainda consensos com a oposição em matérias como a criação da Polícia Municipal, a instalação de videovigilância, o reforço dos guardas‑noturnos e medidas relacionadas com limpeza urbana e segurança.

O orçamento municipal para 2026, aprovado com a abstenção da oposição, é descrito pelo presidente como o primeiro alinhado com a visão estratégica do executivo, com prioridades nas áreas da segurança, serviços públicos, educação, habitação, saúde, desenvolvimento económico, sustentabilidade ambiental e modernização administrativa.

Nelson Cunha rejeita críticas de politização e afirma que existe autonomia total face à direção nacional do partido, referindo que a relação com o líder André Ventura é “institucional”.

Para o restante mandato, até 2029, o autarca identifica como prioridades a valorização do Entroncamento enquanto cidade estratégica, incluindo a requalificação da estação ferroviária, a melhoria das acessibilidades e a criação de condições para atrair investimento e fixar população.

Críticas da oposição

A oposição apresenta leituras distintas sobre os primeiros seis meses de governação.

O vereador Rui Madeira, da coligação PSD/CDS‑PP, considera que não houve rutura face ao ciclo anterior e aponta falta de visão estratégica, defendendo que a gestão tem sido centrada no dia a dia. Critica ainda fragilidades na preparação dos processos em reunião de Câmara, com alterações frequentes ou retirada de propostas, e atrasos em medidas anunciadas, como a Polícia Municipal e estudos de mobilidade.

O PS, através do vereador Ricardo Antunes, reconhece estabilidade nos serviços e continuidade em algumas áreas, assinalando como positivo o enfoque na valorização dos trabalhadores municipais. No entanto, aponta ausência de um plano estratégico para o concelho em áreas como mobilidade, segurança e desenvolvimento urbano, e questiona o grau de concretização de medidas anunciadas.

Fonte: Agência Lusa – Foto: EOL

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