A segunda longa‑metragem do realizador Pedro Cabeleira, intitulada Entroncamento, chega às salas de cinema nacionais no próximo 26 de março, depois de um percurso internacional marcado por distinções e elogios da crítica. O filme, um dos títulos portugueses mais aguardados do ano, traça o retrato de um território periférico onde convivem estagnação, desigualdade de oportunidades e uma juventude à procura de escape.
A narrativa acompanha Laura, uma jovem que tenta reconstruir a vida no Entroncamento após um passado atribulado. Dividida entre um emprego honesto e pequenos esquemas criminosos, cruza-se com uma geração desencantada, marcada pela precariedade e pela vontade de fuga. O filme funciona como metáfora de um espaço de trânsito — entre partidas e chegadas — onde permanecem aqueles que, por escolha ou circunstância, ficaram à margem.
Entroncamento teve estreia mundial no Festival de Cannes, na secção ACID, e estreia nacional no LEFFEST, no final de 2025, onde recebeu forte entusiasmo da crítica. O filme arrecadou ainda o Prémio de Melhor Realização no festival Caminhos do Cinema Português.
O elenco reúne nomes como Ana Vilaça, Cléo Diara, Rafael Morais, Tiago Costa, Sérgio Coragem, André Simões e Henrique Barbosa. O argumento é assinado por Pedro Cabeleira e Diogo Figueira, com direção de fotografia de Leonor Teles.

Um retrato íntimo da cidade natal do realizador
Natural do Entroncamento, Pedro Cabeleira regressou à sua cidade para filmar esta obra profundamente pessoal. Depois de ter vivido e estudado em Lisboa — onde realizou Verão Danado, premiado em Locarno — o realizador reencontrou amigos de infância e histórias que o inspiraram a olhar de frente para a realidade social do concelho ferroviário.
“Percebi que aqueles que tinham ficado viviam num meio opressor, conservador e marcado por preconceitos”, explica Cabeleira, que encontrou no quotidiano local um conjunto de vivências que alimentaram o argumento. A cultura de pequenos delitos, a monotonia e a falta de perspetivas tornaram‑se matéria cinematográfica para um filme que procura empatia e compreensão, mais do que julgamento.
Tal como em Verão Danado, o realizador filmou com câmara ao ombro, privilegiando a improvisação e a liberdade dos atores. O resultado é um olhar próximo e visceral sobre personagens que resistem num território onde o tempo parece suspenso.
Produção e percurso do realizador
Entroncamento é uma produção de Abel Ribeiro Chaves (Optec Filmes), Vasco Esteves e Edyta Janczak‑Hiriart (Kometa Films), com distribuição da Urtiga.
Pedro Cabeleira, nascido em 1992, é licenciado em Cinema pela Escola Superior de Teatro e Cinema. A sua primeira longa‑metragem, Verão Danado, conquistou uma menção do júri em Locarno e circulou por vários festivais internacionais. A curta By Flávio, também escrita com Diogo Figueira, estreou na Berlinale Shorts 2022 e venceu o Prémio Sophia de Melhor Curta‑Metragem.
Com Entroncamento, o realizador regressa às origens para assinar um dos filmes portugueses mais marcantes de 2026.


















