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A depressão Kristin deixou danos profundos em Ferreira do Zêzere, onde cerca de 85% das habitações sofreram estragos significativos. Uma semana e três dias após o temporal, centenas de famílias continuam a enfrentar falhas no fornecimento elétrico, telhados destelhados e problemas estruturais, num processo de recuperação que avança lentamente devido à falta de equipas técnicas especializadas no terreno.

O concelho recebeu, nos dias seguintes ao temporal, a visita de várias entidades nacionais, incluindo o Presidente da República, membros do Governo, responsáveis da e‑Redes e estruturas de proteção civil. As deslocações permitiram avaliar danos e definir medidas de resposta, mas a operacionalização no terreno tem ficado aquém das necessidades. Apesar da instalação de equipamentos provisórios para injeção de energia na rede, a e‑Redes não tem conseguido garantir o abastecimento contínuo dos geradores, devido a falhas logísticas na gestão de combustível, deixando centenas de residentes sem eletricidade. A Câmara Municipal apresentou uma solução para assegurar o abastecimento regular, aguardando-se a sua implementação.

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A autarquia alerta que o concelho, pela sua dimensão e localização no interior, tem dificuldade em competir com grandes centros urbanos igualmente afetados, correndo o risco de cair no esquecimento após a saída das entidades oficiais e dos meios de comunicação social. O município sublinha que a visibilidade pública é essencial para que o país compreenda a dimensão real das dificuldades ainda existentes.

No setor das telecomunicações, o serviço tem vindo a ser restabelecido gradualmente depois de mais de cinco dias sem rede, situação que dificultou operações essenciais. A resposta da MEO é considerada particularmente lenta, apesar de ser a operadora com maior número de clientes no concelho.

A destruição provocada pela depressão Kristin continua visível em dezenas de telhados destelhados. As lonas distribuídas pelo município, enviadas por entidades e cidadãos de todo o país, têm funcionado apenas como solução temporária, frequentemente arrancada pelo vento. As telhas que continuam a chegar representam uma alternativa mais duradoura, mas a maioria das famílias não dispõe de capacidade física, conhecimentos técnicos ou meios financeiros para proceder às reparações, nem encontra profissionais disponíveis para intervir.

A fragilidade habitacional traduz-se atualmente em mais de duas dezenas de deslocados e mais de uma dezena de desalojados, num contexto de crescente vulnerabilidade social e emocional. O Município, a Proteção Civil, os Bombeiros e equipas mobilizadas — incluindo voluntários — continuam a intervir diretamente em várias habitações, após terem assegurado os trabalhos essenciais de limpeza e reposição da circulação. Ainda assim, a dimensão dos estragos ultrapassa claramente a capacidade das equipas disponíveis.

As equipas do serviço social, em articulação com o Instituto da Segurança Social e com o apoio de dezenas de voluntários, permanecem no terreno a identificar necessidades e a distribuir alimentos e roupa quente, graças ao contributo contínuo de entidades públicas, privadas e cidadãos de todo o país.

A autarquia reforça que a resposta comunitária tem sido fundamental, mas não substitui a intervenção de equipas técnicas especializadas. Entre as necessidades imediatas destacam-se equipas multidisciplinares com capacidade para atuar em coberturas e reparações estruturais, bem como sistemas de estabilização e ferramentas para intervenções urgentes. O Município considera que a mobilização rápida destes recursos será determinante para evitar novos prejuízos e garantir condições mínimas de segurança às famílias, numa altura em que a intempérie continua a afetar diariamente o concelho.

A Câmara Municipal assegura que continuará a prestar informação regular e a manter como prioridades a proteção das pessoas, a recuperação das habitações e o regresso pleno à normalidade.

Redação

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