PUB

Maria da Guia Asseiceiro teve uma coluna no jornal “O Entroncamento” de seu nome “Janela sobre a cidade”, cujos textos voltamos a publicar.

“Os peões e o trânsito”

PUB

Houve tempo que todas as histórias começavam assim:

Era uma vez…

Duas linhas vindas de Lisboa, estendidas, solitárias e tristes. Num certo espaço do seu “caminho”, elas cruzaram-se e multiplicaram-se. Ao local chamaram-lhe “terra da ferrugem” porque as linhas eram de ferro e os homens que as serviam, ferroviários; “terra dos comboios” porque era impossível visitá-la sem os ver e sem os ouvir; “terra dos fenómenos” porque “Alguém” de espirito imaginativo e coração bairrista a quis conhecida.

Chamaram-lhe Entroncamento por ser fácil o ponto de encontro. Por tudo isto, os militares tiveram e têm aqui os seus quartéis, os jovens as suas escolas, os comerciantes as suas lojas e a indústria a sua zona de desenvolvimento.

O Entroncamento tem uma marca indelével como um carimbo ou tatuagem, está dividido a meio desde a origem.

Se nos anos 30, 40, 50 a situação já não era confortável pelas bichas que se alinhavam de um e do outro lado da passagem de nível, com as muitas carroças que acorriam ao nosso Mercado e ainda as centenas de bicicletas que diariamente a atravessavam mais que uma vez. A situação complicou-se com o agravamento do parque automóvel local.

Solução para esta realidade teve-a aquele que foi um dos melhores Presidentes de Câmara: o Sr. Eugénio Dias Poitout.

Foi no seu mandato que se ergueu sobre as linhas férreas o viaduto que, com toda a justiça, tem o seu nome. Mas o tempo não parou… Com outras condições de vida, os burros e carroças foram substituídos por automóveis, as bicicletas por motas e motoretas. Em horas de ponta o trânsito era caótico para motoristas e peões.

Sonhava-se com duas passagens subterrâneas para veículos e peões. Por força das circunstâncias deixará de existir a perigosa passagem de nível e mais uma vez o progresso será marcado pela vontade dos Homens. Mas, o dia-a-dia do cidadão comum não se compadece com falta de verbas que impedem a realização de sonhos! Entretanto, das três passagens de nível existentes só uma delas tinha guarda!…

A mais utilizada pelos peões, atravessava o centro da cidade e estava de todo desprotegida. De igual modo a nossa Estação do Caminho-de-Ferro, pelo seu grande movimento de comboios e pessoas, constituía um perigo constante de acidentes. Tudo o que se fez e vier a fazer para dar segurança aos cidadãos e bom nome à Cidade é contribuir para melhorar a qualidade de vida e dar oportunidade a que, daqui a alguns anos, alguém comece de novo: “Era uma vez…”

Maria da Guia Asseiceiro

(1994)

PUB