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Através do portal Sapo, veio recentemente o Sr. Presidente da República dizer-nos que queria “esclarecimento cabal” e “por todos os meios” sobre o Novo Banco.

Ora, uma vez que na referida notícia se coloca (esclarecimento cabal) e (por todos os meios) entre aspas, até parece mesmo que o timoneiro da Nação nem pretenderá verdadeiramente saber a verdade!

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Cá para mim, (embora com o respeito que lhe é devido), já que o Sr. PR pronuncia a palavra cabal, deixa-me também em dúvida se estará ou não a pensar o mesmo que eu, ou seja: – que o Novo Banco talvez não passe de uma enorme cabala financeira, ou que tem mais buracos que o famoso Cabo das Tormentas!

Este confrangedor mutismo do Governo e da própria Justiça, no que se refere aos múltiplos pedidos de esclarecimento já anteriormente repetidos pelo Sr. Presidente da República, quer em relação a este como a muitos outros assuntos, faz-me lembrar uma política quadra de um conhecido poema de Manuel Alegre, que diz: “Pergunto ao vento que passa, / Notícias do meu País, / O vento cala a desgraça, / O vento nada me diz”…

Com este clamoroso populismo muito mal disfarçado de afetos, meticulosamente arquitetado em todo este percurso do seu primeiro mandato, acabou o Sr. PR por banalizar aquilo que deveria ser a prestigiada e nobre função presidencial. Tudo comenta (MRS), seja ouro, ou “cascalho”. Nada escapa ao seu refinado periscópio!

Custa-me dizer isto do mais alto magistrado do meu País. Mas a minha consciência e a minha vontade de livre-pensador obrigam-me a fazê-lo: Assim, devo dizer, aqui e agora, que o desempenho presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa é para mim, e certamente para alguns milhões de portugueses, uma autêntica frustração!

A respeito desta aflitiva deriva governamental (fruto das malditas cativações de Mário Centeno), nomeadamente no que toca ao colapso da rede hospitalar e outras unidades de Saúde; à completa penúria a que chegaram os vários serviços da Administração Pública, vemos que o nosso Presidente se tem mostrado completamente incapaz de fazer respeitar os poderes de que dispõe, e a partir dessa mesma premissa fazer mudar o rumo dos escandalosos acontecimentos, que amiúde vão surgindo um pouco por todo o país! E, perante os batalhões de jornalistas vai-se limitando a atirar para o ar umas “esfarrapadas” exigências que, pelos vistos, ninguém do governo ou mesmo da própria Justiça está a pensar cumprir, atempadamente. Sobretudo os socialistas que ora nos governam, e mesmo muitos outros portugueses com ou sem orientação partidária, nem ao trabalho se dão já de o levar muito a sério, facto que não deixa de ser lastimável!

Agora, já com o voto dos socialistas garantido por António Costa para as próximas eleições presidenciais, mais do que nunca não deixa (MRS) de tecer enormes loas ao governo e, sempre que a comunicação social lho permite, não deixa de lhe branquear as clamorosas falhas! Ainda há uns dias atrás, a propósito dos descomunais fogos que assolam o país e até já levaram a vida a alguns bombeiros, rapidamente o Sr. Presidente logo se apresentou a terreiro, dizendo alto e bom som na televisão que a culpa da impreparação para o combate aos respetivos incêndios florestais não é propriamente do governo, mas sim, da maldita Covid- 19!!!

De que valerão, afinal, todos estes afetos demonstrados por Marcelo Rebelo de Sousa ao longo deste seu percurso presidencial, se eles não conseguem traduzir-se em ganhos palpáveis para as populações mais desfavorecidas do interior? Ao contrário de marcar a sua voz autorizada, (travando por essa via os desmandos do Governo), sobretudo para obstar a que este mesmo País interior inexoravelmente definhe, e seja despojado dos essenciais serviços Públicos, o Sr. (PR) desdobra-se em despropositados elogios ao Governo e a certos ministros, e em constantes alegações públicas internas e externas, fazendo crer que Portugal é o melhor dos mundos e seus arredores!… Em minha opinião, com esta “estória” destes simulados afetos, estará também o Sr. Presidente Marcelo a confundir os parâmetros do verdadeiro Estado Democrático Português: – Sabe-se que a “Casa do Povo dos portugueses é o Parlamento; mas é o Palácio de Belém o seu Estado”!

Aveiro – 04.08.2020

Alfredo Martins Guedes

 

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