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Um agradecimento especial ao Entroncamentoonline pelo convite para umas breves palavras sobre o contexto atual.

Quem me conhece sabe que gosto de falar ou escrever quando entendo acrescentar valor. Espero que assim o seja. Sempre tentei aprender algo em cada momento da minha vida, os bons e os maus. Esta aprendizagem permite encarar o futuro com outra certeza.

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A pandemia que nos assolou alterou as nossas vivências. Temos saudades do que julgámos por certo, que tomámos como garantido. A incerteza no futuro é a nossa angustia no presente.

Talvez agora possamos valorizar a liberdade, essa liberdade de tomar um simples café na esplanada.

Talvez agora possamos valorizar os médicos e os enfermeiros e o nosso sistema nacional de saúde.

Talvez agora possamos valorizar a menina da caixa de supermercado.

Talvez possamos valorizar o camionista, que tanta vez tentámos ultrapassar.

Talvez agora possamos valorizar os nossos avós que estão sozinhos.

Talvez agora possamos cumprimentar os senhores da recolha do lixo, daquele lixo que tantos insistem em deitar no chão.

Talvez agora passemos a cumprimentar o senhor do autocarro.

Talvez agora valorizes o teu trabalho.

Talvez agora valorizes os teus funcionários.

Talvez agora percebas que precisas do Estado Social.

Talvez agora percebas que existe um mundo real bem melhor que as redes sociais.

Talvez agora valorizes os amigos que te ligaram a saber de ti.

Talvez agora valorizes a cabeleireira e as lojas do teu bairro.

Talvez agora valorizes o bom dia, o beijo e o abraço.

Talvez agora valorizes o essencial em detrimento do supérfluo.

Talvez….

São tantos os “talvez”.

Como alguém disse, todos pensámos que poderíamos viver alegremente num mundo doente. Nunca em momentos recentes precisámos tanto uns dos outros.  Pensa que podes ser tu o próximo numero das estatísticas.

Esta é uma oportunidade para seres uma pessoa melhor. Infelizmente nem tudo vai correr bem. Há famílias que já perderam os seus entes queridos sem se poderem despedir. O desemprego vai crescer, empresas vão fechar. As famílias vão necessitar de ajuda. Cabe a cada um de nós fazer a nossa parte para minimizarmos estas consequências e de contribuirmos com o que temos de melhor.

Todos temos responsabilidades. Cumpra com as suas. Pense nos que gostariam de estar em casa e estão na linha da frente deste combate. O meu sincero desejo é que tudo passe rápido, pelo melhor e que possamos, individualmente e como comunidade, vir a aprender com este contexto.

Gostaria de ser mais pragmático mas sobre este tema não consigo.

Protejam-se e cumpram com as indicações das autoridades.

Carlos Manuel Amaro

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