É difícil escrever sobre o COVID-19, o que me espanta. É que há tantos escritos, notícias, entrevistas, tiradas humorísticas, sátiras, apelos, pedidos e comentários que parece estar tudo dito.
Mas não está. Há sempre qualquer coisa que podemos partilhar. E o que vou partilhar agora é uma pequena mudança do meu dia a dia profissional.
Diariamente dou uma volta pela cidade. Agora faço-o com outra preocupação, a de avaliar se há pessoas na rua, onde andam, como circulam e onde param.
Não é que me interesse saber da vida de cada um, longe disso. Mas interessa-me avaliar como contribuem para a vida de todos nós e como posso trabalhar essa informação. E porquê?
Porque nesta conjuntura, temos de saber porque andam pessoas na rua, para saber se implica alguma tomada de decisão, pois o confinamento no domicilio é uma imposição; se andam em determinados locais, para avaliar como tratar esses locais; se há resíduos no chão, se algum pormenor está a escapar; se estão a deslocar-se ou se estão à conversa, para saber se a informação sobre a necessidade de reduzir os contatos sociais foi percebida ou não e o que deve ser mudado na nossa forma de falar uns com os outros, para que todos saibam da importância das decisões individuais de cada um.
E, novamente, porquê? Porque temos a certeza que são as pessoas, somos nós, quem combate a pandemia. Porque o vírus não anda sozinho, somos nós que o transportamos. E se numa ida à rua o transmitirmos, a minha decisão vai ter resultado direto na vida de muitos outros.
É por isso que as decisões individuais nunca tiveram tanto peso na vida coletiva, como agora. Estamos fisicamente separados, mas visceralmente ligados na luta pela nossa sobrevivência.
E é por isso que interessa saber o que se passa nas ruas da cidade.

















