{"id":75759,"date":"2026-08-15T16:45:03","date_gmt":"2026-08-15T15:45:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=75759"},"modified":"2026-08-15T15:10:51","modified_gmt":"2026-08-15T14:10:51","slug":"a-cronica-de-manuela-poitout-abilio-meireles-artista-professor-e-fundador-do-benfica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/a-cronica-de-manuela-poitout-abilio-meireles-artista-professor-e-fundador-do-benfica\/","title":{"rendered":"A Cr\u00f3nica de Manuela Poitout: \u201cAb\u00edlio Meireles, Artista, Professor e Fundador do Benfica\u201d"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Algu\u00e9m me perguntou se tinha informa\u00e7\u00e3o biogr\u00e1fica sobre o professor Ab\u00edlio Meireles. Era uma figura conhecida no Entroncamento, por ser professor no col\u00e9gio Mouzinho de Albuquerque, professor de Desenho e Trabalhos Manuais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Quando me dediquei a ler a imprensa local, por raz\u00f5es de pesquisas, fui encontrando refer\u00eancias ao professor Meireles, e foi assim que fiquei a saber da sua vinda para o Entroncamento, para lecionar no Externato Mouzinho de Albuquerque, inaugurado no ano letivo 1945\/1946.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Quanto ao ano da sua vinda, poder\u00e1 ter sido em 1949, ano em que se aposentou da carreira de professor no ensino p\u00fablico, na Escola do Magist\u00e9rio Prim\u00e1rio de Lisboa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">No Entroncamento, vivia sozinho, tinha um quarto na Rua Mestre de Avis, perto do Col\u00e9gio, mas tinha fam\u00edlia em Lisboa. Sabia-se que nascera em Macau, e pouco mais. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Atualmente, os meios eletr\u00f3nicos, de que dispomos, permitem-nos trabalhar na \u00e1rea da genealogia, com sucesso, ainda que, por vezes, n\u00e3o seja f\u00e1cil encontrar o que procuramos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Assim, foi poss\u00edvel invadir um pouco da \u00e1rea pessoal do professor Ab\u00edlio Maria de Jesus Meireles. A sua mulher, Leonor Meireles, era natural do Porto, e foi a\u00ed que casaram, em 1910. Ali\u00e1s, foi no Porto que Ab\u00edlio Meireles fez o seu Curso de Trabalhos Manuais Educativos, sendo j\u00e1 professor na Escola Central de Reforma, em Lisboa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">O curso, no Porto, fora criado por iniciativa do Sindicato dos Professores Prim\u00e1rios de Portugal, sob a dire\u00e7\u00e3o do professor belga Gaston Destanberg, o primeiro curso desse g\u00e9nero efetuado em Portugal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Do casamento de Ab\u00edlio e Leonor nasceram dois filhos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Tom\u00e1s de Aquino Meireles, que nasceu na freguesia de Caxias, Oeiras, em 1911, e recebeu o mesmo nome do seu bisav\u00f4 paterno. Casou em 1935, com Maria de Lurdes Pimentel Saldanha da Gama Azevedo Ara\u00fajo e Vasconcelos, em Lisboa, onde o casal Ab\u00edlio e Leonor tinha a sua habita\u00e7\u00e3o familiar, na rua Angelina Vidal, freguesia dos Anjos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">A filha, Alice Meireles, nasceu na freguesia de Bel\u00e9m, na Travessa dos Jer\u00f3nimos, em 1912. Veio a casar com Lu\u00eds Ferreira Montargil Ribeiro Teles, em 1939.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Ab\u00edlio e Leonor eram primos. O pai de Ab\u00edlio, Abel de Jesus Meireles, era irm\u00e3o do pai de Leonor, Ab\u00edlio Francisco de Jesus Meireles, ambos nascidos em Freixo de Espada \u00e0 Cinta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">O sogro e tio de Ab\u00edlio Meireles tem um percurso biogr\u00e1fico muito interessante, de que resultou figurar na topon\u00edmia de Lisboa e do Porto, na primeira cidade, com o nome \u201cTravessa do Sargento Ab\u00edlio &#8211; S\u00e9culo XIX\u201d. Essa designa\u00e7\u00e3o topon\u00edmica veio renomear a antiga travessa de Calhariz de Benfica, por edital de 18 de junho de 1926. No Porto, existe a \u201cRua Sargento Ab\u00edlio\u201d. Estas homenagens devem-se ao facto de o sargento Ab\u00edlio ter sido um dos intervenientes na Revolu\u00e7\u00e3o de 31 de Janeiro, no Porto, tendo, por isso, sido condenado a degredo, por 9 anos. Posteriormente indultado, regressou ao Porto, e com a chegada da Rep\u00fablica, foi reintegrado e considerado Her\u00f3i da Rep\u00fablica. Veio, depois, residir em Lisboa. Ascendeu ao posto de capit\u00e3o, mas a posteridade quis record\u00e1-lo como o her\u00f3i sargento Ab\u00edlio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Quanto ao seu sobrinho e genro Ab\u00edlio Maria de Jesus Meireles, depois de ter conhecido v\u00e1rias escolas de Lisboa, optou por vir para o Entroncamento, uma terra que, culturalmente, nada tinha para oferecer, e talvez por isso mesmo, Ab\u00edlio Meireles se sentisse estimulado para transmitir, atrav\u00e9s da doc\u00eancia e do conv\u00edvio, os valores e compet\u00eancias acumulados durante os anos em que trabalhara na capital.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Colegas e alunos depressa se aperceberam do valor do seu contributo c\u00edvico e cultural, e, em 1951, homenagearam Ab\u00edlio Meireles.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Ao longo da sua perman\u00eancia no Entroncamento, o professor vai sendo solicitado para tarefas em que o seu talento se evidencia, algumas de car\u00e1cter transit\u00f3rio, outras que perduram, como foi a realiza\u00e7\u00e3o do busto do infante D. Henrique, do retrato a carv\u00e3o do padre Martinho Mour\u00e3o, ou de um \u00e1lbum para o mesmo sacerdote, que era o p\u00e1roco local. Quando este, em dezembro de 1954, deixou a par\u00f3quia, ao fim de 19 anos de servi\u00e7o pastoral, ofereceram-lhe os seus paroquianos um \u00e1lbum de despedida com as suas assinaturas, primorosamente decorado pelo professor Ab\u00edlio Meireles. Mais tarde, em dezembro de 1960, a comunidade da par\u00f3quia do Entroncamento festejou as bodas de prata da ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal do padre Martinho, e ofereceu o seu retrato a carv\u00e3o, para ficar exposto no cart\u00f3rio da Igreja. Belos documentos, onde Ab\u00edlio Meireles deixou bem evidente o seu talento de desenhador.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-75761\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/DSC_7126-padre-Martinho-533x800.jpg\" alt=\"\" width=\"533\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/DSC_7126-padre-Martinho-533x800.jpg 533w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/DSC_7126-padre-Martinho-1349x2024.jpg 1349w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/DSC_7126-padre-Martinho-768x1152.jpg 768w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/DSC_7126-padre-Martinho-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/DSC_7126-padre-Martinho-1365x2048.jpg 1365w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/DSC_7126-padre-Martinho-696x1044.jpg 696w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/DSC_7126-padre-Martinho-1068x1602.jpg 1068w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/DSC_7126-padre-Martinho-1920x2880.jpg 1920w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/DSC_7126-padre-Martinho-280x420.jpg 280w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/DSC_7126-padre-Martinho-scaled.jpg 1707w\" sizes=\"auto, (max-width: 533px) 100vw, 533px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Padre Martinho<\/em><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Pena \u00e9 que o retrato do padre Martinho Mour\u00e3o, executado pelo professor Meireles, n\u00e3o continue no lugar primitivo a que o destinaram, e onde esteve durante muito tempo, o cart\u00f3rio da Igreja da Sagrada Fam\u00edlia, pois foi ele o p\u00e1roco fundador da primeira Igreja do Entroncamento, o que trabalhou para que ela se erigisse, n\u00e3o sozinho, porque essa tarefa n\u00e3o cabia nos ombros de uma s\u00f3 pessoa. Quanto ao seu retrato, seria bom que voltasse ao seu lugar primeiro, \u00e9 mem\u00f3ria, e \u00e9 gratid\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Em 1960, ano de Comemora\u00e7\u00f5es Henriquinas, foi Ab\u00edlio Meireles escolhido para modelar o busto do Infante D. Henrique, reproduzido em bronze. Tinha, ent\u00e3o, 76 anos, tempo de descansar como professor. Esse busto est\u00e1 hoje onde sempre esteve, na rua Infante D. Henrique, na conflu\u00eancia das ruas 31 de Janeiro e Jacinto Marques Agostinho.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">\u00c9, tamb\u00e9m, em 1960, que a Sociedade Nacional de Belas Artes homenageia o artista, com um banquete, como um dos seus membros ilustres e seu presidente. O jornal \u201cO Entroncamento\u201d regista a cerim\u00f3nia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">\u00abPresidiram ao jantar o prof. Ab\u00edlio Meireles e sua Esposa, e do lado direito da mesa de honra sentaram-se a pintora D. Albertina Berger, o prof. dr. Costa Sacadura, a pintora D. Maria Helena de Bourbon de Meneses, o pintor Abel Manta; e do lado esquerdo o pintor Pedro Guedes, a pintora D. Alexandrina Carneiro de Moura e o arquiteto Frederico Jorge. Nas outras mesas sentaram-se arquitetos, pintores, professores, artistas pl\u00e1sticos e antigos alunos do prof. Meireles, em n\u00famero superior a uma centena.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Aos brindes falaram o prof. dr. Costa Sacadura, o prof. Jos\u00e9 Pedro Moreira, o escultor Martins Correia, Vasco Dom\u00ednguez, Al\u00edpio Seco, prof.\u00aa Judite Vieira, dr. Arlindo Vicente, e Frederico Jorge, e por \u00faltimo falou o prof. Ab\u00edlio Meireles para agradecer a homenagem que lhe prestaram e as palavras que lhe dirigiram.\u00bb (<i>O Entroncamento<\/i>, 5 de julho de 1960).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">O jornal local, para al\u00e9m da not\u00edcia, publicou, tamb\u00e9m, uma entrevista em que o professor Meireles evoca toda a sua carreira at\u00e9 ali.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">\u201cToda a minha vida \u2013 prosseguiu \u2013 tem sido de trabalho, sempre norteada pelo amor \u00e0 minha profiss\u00e3o e de dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 S.N.B.A. [Sociedade Nacional de Belas Artes], a cujos destinos hoje presido. Pelas minhas m\u00e3os passaram milhares de alunos, ao longo de dezenas de anos de ensino, desde o dia em que fui nomeado professor do Reformat\u00f3rio Padre Ant\u00f3nio de Oliveira e da Escola Normal, de que fui diretor e professor fundador juntamente com os drs. Costa Sacadura e J\u00falio Eduardo dos Santos e o escultor Jos\u00e9 Pereira.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Mas j\u00e1 antes destas andan\u00e7as \u2013 continuou \u2013 eu, ainda n\u00e3o diplomado, ensinava na Escola Marqu\u00eas de Pombal, nas aulas do professor Jorge Janz, austr\u00edaco, bom mestre, grande amigo dos rapazes. Recordo-me, agora que j\u00e1 ultrapassei os 70, da satisfa\u00e7\u00e3o que senti quando me entregou um grupo de surdos-mudos para os ensinar. De facto, se o professor Janz mal nos entendia a n\u00f3s, porque falava mal o portugu\u00eas, que poderia ele fazer com aqueles deficientes? Ora, foram estes que, de certa maneira, orientaram a minha vida futura, porque o professor Janz convenceu-se de que eu tinha queda para o ensino\u2026<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Os anos rodaram. Sucessivas gera\u00e7\u00f5es de jovens eu ensinei a ter amor pelas artes pl\u00e1sticas. Alegra-me que me rodeiem com o seu carinho e amizade. (\u2026)\u00bb<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Ainda na mesma entrevista, foi perguntado ao professor se concorria a exposi\u00e7\u00f5es de arte, ao que ele respondeu:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">\u00abSim, a algumas, mas poucas. Na Sociedade obtive duas medalhas e outras tantas no Estoril. Pinto por prazer \u00edntimo e pessoal, longe dos certames art\u00edsticos. Como lhe disse, achei que podia ser mais \u00fatil ensinando\u2026<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Sofri alguns contratempos (quem os n\u00e3o sofre?) durante a minha vida, que eu quis sempre fosse modesta, sem solavancos. (\u2026)\u00bb<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">A estas exposi\u00e7\u00f5es, junte-se uma outra no Sal\u00e3o Silva Porto, no Porto, em 1947, de que existe um cat\u00e1logo de \u00f3leos e desenhos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Os dotes de Ab\u00edlio Meireles n\u00e3o terminavam na doc\u00eancia e na arte, havia mais horizontes na sua vida, horizontes passados, mas que deixaram marca, como a pr\u00e1tica do futebol.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Esta hist\u00f3ria do futebol fui encontr\u00e1-la num blogue intitulado <i>Em defesa do Benfica<\/i> &#8211; <i>O Fundador que deixou marca na pedra<\/i>, e come\u00e7a com este par\u00e1grafo:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">\u00abNo centro de Portugal, ou n\u00e3o fosse o Benfica de todo o Portugal. Ab\u00edlio Meireles de \u201cvida cheia\u201d. Professor de desenho e ilustrador em Lisboa. Com passagem em gl\u00f3ria (reconhecida) no Entroncamento.\u00bb<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Ilustra esta frase uma fotografia do busto do Infante D. Henrique, no Entroncamento, com um cachecol do Benfica. E porqu\u00ea? Em primeiro lugar, porque o autor do busto foi um dos fundadores do Benfica. A sequ\u00eancia da hist\u00f3ria ir\u00e1 justificar essa decora\u00e7\u00e3o a vermelho, sobressaindo no escuro do metal, porque o autor do blogue conseguiu encontrar outras afinidades entre o Infante e o popular clube, acentuando o facto de as caravelas partirem de Bel\u00e9m, local onde o Sport Lisboa foi, muito depois, fundado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Quanto \u00e0 hist\u00f3ria futebol\u00edstica do artista e professor Meireles, ela inclui tamb\u00e9m os seus irm\u00e3os, e voltamos ao blogue mencionado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">\u00abOs Meireles na Gloriosa Hist\u00f3ria\u00bb<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">O Benfica teve como fundador um Ab\u00edlio Meireles, e como aderentes de \u201cprimeira hora\u201d os seus irm\u00e3os Ant\u00f3nio e Ernesto. Ab\u00edlio, al\u00e9m de fundador, participou em dez dos primeiros 29 treinos (1904), jogou em 1904\/05 na 2.\u00aa categoria, um encontro (1905) na primeira categoria, e foi dos que resistiu na deser\u00e7\u00e3o no Ver\u00e3o de 1907, ficando como associado protetor n.\u00ba 30. J\u00e1 n\u00e3o rumou a Benfica aquando da jun\u00e7\u00e3o, em 13 de setembro de 1908, do Sport Lisboa com o Sport Benfica. Ao contr\u00e1rio do seu irm\u00e3o Ant\u00f3nio Meireles que jogaria entre os melhores durante quatro temporadas, de 1907\/08 a 1910\/11.\u00bb<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-75762\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Grupo-fundador-do-Sport-Lisboa-339x800.png\" alt=\"\" width=\"339\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Grupo-fundador-do-Sport-Lisboa-339x800.png 339w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Grupo-fundador-do-Sport-Lisboa-178x420.png 178w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Grupo-fundador-do-Sport-Lisboa.png 379w\" sizes=\"auto, (max-width: 339px) 100vw, 339px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Grupo fundador do Sport Lisboa<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">N\u00e3o sei se poderemos acrescentar \u00e0s pr\u00e1ticas desportivas do professor Meireles, o pugilismo, que uma antiga aluna dele me disse que praticava.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">No blogue que vimos citando, tamb\u00e9m se acentua a passagem de Ab\u00edlio Meireles pelo Entroncamento:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">\u201cAb\u00edlio ficou por Lisboa onde teve atividade pedag\u00f3gica muito intensa e desenhou com qualidade e em quantidade. Depois rumou ao Entroncamento onde j\u00e1 septuagen\u00e1rio foi figura em destaque na sociedade local. Influenciou jovens a crescerem para adultos conscientes, participou em iniciativas benem\u00e9ritas e deixou marca nas ruas da cidade que o acolheu.\u00bb<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">No dom\u00ednio p\u00fablico, o desenho de Ab\u00edlio Meireles evidencia-se num <i>Manual de Gin\u00e1stica<\/i>, do tenente-coronel Leal de Oliveira, que ilustrou profusamente, livro que foi publicado em 1947, e aprovado pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. Ainda hoje esse Manual \u00e9 uma obra de refer\u00eancia, e aparece \u00e0 venda nos alfarrabistas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Aqui chegados, neste ponto da narrativa em que se conta a vida de Ab\u00edlio Meireles, nas suas diversas facetas, falta ainda o seu passado de Macau. O pai prestou l\u00e1 servi\u00e7o, era militar. Foi no jornal <i>Tribuna de Macau<\/i> (Ab\u00edlio Meireles, das Artes at\u00e9 ao Benfica), que encontrei v\u00e1rias informa\u00e7\u00f5es em falta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Nele, o professor Ant\u00f3nio Aresta, ex-docente em Macau, apresenta uma biografia de Ab\u00edlio Meireles, come\u00e7ando por salientar o <i>Grande Dicion\u00e1rio de Educadores Portugueses<\/i>, dirigido por Ant\u00f3nio N\u00f3voa e publicado em 2003, no qual foram inclu\u00eddos \u201ceducadores nascidos depois de 1800 e falecidos antes de 2000\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Nesse dicion\u00e1rio, em que as antigas prov\u00edncias ultramarinas est\u00e3o representadas, Ab\u00edlio Meireles figura entre os tr\u00eas educadores ligados a Macau, n\u00e3o porque l\u00e1 tenha exercido a doc\u00eancia, mas por l\u00e1 ter nascido e vivido durante algum tempo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Quanto \u00e0 biografia, os dados desconhecidos s\u00e3o respeitantes a Macau, os restantes s\u00e3o mais ou menos conhecidos, realce para o facto de Ab\u00edlio Meireles ter sido aluno na Escola Industrial Marqu\u00eas de Pombal, o que lhe proporcionou conhecimentos de entalhador.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Vamos, ent\u00e3o, \u00e0 biografia:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">\u00abAb\u00edlio Meireles, de seu nome completo, Ab\u00edlio [Maria] de Jesus Meireles, [1883-1967]. Filho de Abel de Jesus Meireles e de Maria do Carmo Meireles, nasceu em Macau, na \u00e9poca governada por Tom\u00e1s de Sousa Rosa. E foi no Territ\u00f3rio que fez a instru\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, na Escola Central do Sexo Masculino. Finda a comiss\u00e3o de servi\u00e7o do Pai, a Fam\u00edlia regressa definitivamente a Lisboa.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-75760\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1960-Abilio-com-76-anos.jpg\" alt=\"\" width=\"443\" height=\"640\" srcset=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1960-Abilio-com-76-anos.jpg 443w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1960-Abilio-com-76-anos-291x420.jpg 291w\" sizes=\"auto, (max-width: 443px) 100vw, 443px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><strong>1960 Abilio com 76 anos<\/strong><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Ab\u00edlio Meireles frequentou a Escola Industrial Marqu\u00eas de Pombal formando-se como entalhador, iniciando uma carreira brilhante como \u201cescultor, entalhador, decorador, desenhista e pintor de requintada sensibilidade art\u00edstica\u201d, segundo o historiador e professor J. Moreirinhas Pinheiro. Foi um dedicado \u201cdisc\u00edpulo de Costa Mota (tio) e tem executado valiosos trabalhos, entre os quais avultam os baixos-relevos da Cartuxa, Amor da P\u00e1tria e F\u00e9, e a decora\u00e7\u00e3o estilo Lu\u00eds XVI, do pal\u00e1cio de Jaime Alto Mearim, em Lisboa, \u00e0 Rua do Salitre\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Mas, ao inv\u00e9s de ficar fechado no atelier a trabalhar nas suas obras e a satisfazer as encomendas que iam chegando, Ab\u00edlio Meireles iniciou, desde 1904, um alargado percurso de forma\u00e7\u00e3o e de ensino das artes, do desenho e dos trabalhos manuais em diversos estabelecimentos de ensino [Escola Central de Lisboa, Casa de Corre\u00e7\u00e3o de Caxias, Escola Acad\u00e9mica, Escola Prim\u00e1ria Superior Rodrigues Sampaio, Escola Normal Prim\u00e1ria de Lisboa] com uma did\u00e1tica muito inovadora e cativante. Dirigiu a Escola do Magist\u00e9rio Prim\u00e1rio de Lisboa, em 1932.\u00bb (Tribuna de Macau, 2 de julho de 2025).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Neste cap\u00edtulo das escolas onde Ab\u00edlio Meireles lecionou, h\u00e1 uma interessante informa\u00e7\u00e3o, relativa \u00e0 Casa de Corre\u00e7\u00e3o de Caxias, numa trabalho intitulado \u201cModelo educativo renovador na educa\u00e7\u00e3o de menores: a sec\u00e7\u00e3o preparat\u00f3ria da escola central de reforma de Lisboa (1912-1921)\u201d, de Ernesto Martins (Instituto Polit\u00e9cnico de Castelo Branco).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">A escola era orientada pelo Padre Ant\u00f3nio de Oliveira e seguia orienta\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas inspiradas em Pestalozzi, Fr\u00f6ebel, Decroly e Freinet, ideias bem modernas, para a \u00e9poca.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Ab\u00edlio Meireles e os seus colegas tinham, cada um, a seu cargo 35 menores. Segundo se l\u00ea no estudo, \u201ceram educadores sociais devido \u00e0s suas diversificadas fun\u00e7\u00f5es, pois jogavam e trabalhavam com os menores, partilhavam das suas viv\u00eancias formativas, incutindo-lhe o valor do trabalho e sentido de responsabilidade. Encarregados da instru\u00e7\u00e3o escolar (ensino prim\u00e1rio e elementar), acompanhavam as outras \u00e1reas de forma\u00e7\u00e3o: f\u00edsica (gin\u00e1stica pedag\u00f3gica, higiene, jogos educativos e l\u00fadicos, nata\u00e7\u00e3o e exerc\u00edcios militares); art\u00edstica (m\u00fasica, canto coral, desenho, modela\u00e7\u00e3o, express\u00f5es pl\u00e1sticas); manual (exerc\u00edcios de barro, ferro, cart\u00e3o, madeira, trabalhos de jardinagem e horticultura); aprendizagem n\u00e3o formal (visitas a museus, f\u00e1bricas, monumentos e patrim\u00f3nio natural, acampamentos, excurs\u00f5es, \u201cli\u00e7\u00e3o de coisas\u201d; comunit\u00e1ria\/familiar (aprendizagem de trabalhos de economia dom\u00e9stica, valores morais, sociais e c\u00edvicos)\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">O autor daquele <i>Manual de Gin\u00e1stica<\/i>, de que atr\u00e1s se falou, era o tenente-coronel Leal de Oliveira, que tamb\u00e9m tinha contacto com a escola de Caxias, por nela haver uma tipografia, onde alguns dos seus livros foram impressos, mas n\u00e3o o Manual.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">No Arquivo Hist\u00f3rico da <i>Escola Superior de Educa\u00e7\u00e3o de Lisboa,<\/i> que herdou o arquivo das Antigas Escola Normal e Escola do Magist\u00e9rio Prim\u00e1rio, est\u00e3o os documentos de Ab\u00edlio Meireles, relativos ao seu processo de candidatura, a saber:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Diploma do Curso de Trabalhos Manuais Educativos, passado a Ab\u00edlio Meireles, 04\/9\/1912. Atestado passado pelo superintendente da Escola Central de Reforma de Lisboa, 7\/10\/1915. Certificado de habilita\u00e7\u00f5es, 2\/10\/1918. Certificado de Registo Criminal, 18\/10\/1918. Atestado de bom comportamento moral e civil passado pela Comiss\u00e3o Administrativa Paroquial de Benfica, 19\/10\/1918. Certificado de Curso Profissional de Entalhador passado pelo diretor da Escola Industrial Marqu\u00eas de Pombal, 23\/10\/1918. Certificado do exerc\u00edcio de docente de Trabalhos Manuais passado pelo diretor da Escola Acad\u00e9mica, 23\/10\/1918. Certificado do exerc\u00edcio do lugar de Mestre de Trabalhos Manuais passado pelo diretor interino da Escola Preparat\u00f3ria Rodrigues Sampaio, 30\/10\/1918. Carta do Superintendente da Escola Central de Reforma de Lisboa dirigida ao diretor da Escola Normal Prim\u00e1ria de Lisboa, dando conta da satisfa\u00e7\u00e3o em ter Ab\u00edlio Meireles como representante da ENPL, no funeral do padre Ant\u00f3nio de Oliveira, 24\/9\/1923.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Depois da sua riqu\u00edssima experi\u00eancia nas Escolas de Lisboa, e do prest\u00edgio que l\u00e1 tinha, Ab\u00edlio Meireles decidiu vir para o Entroncamento. Era outro mundo, mas foi aqui o seu fim de linha, com o final da sua vida letiva e a encomenda do busto do Infante das Descobertas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Em 1962, j\u00e1 retirado do ensino particular, voltou ao Entroncamento, em junho, momento que \u00e9 assinalado no jornal local, por Maria Susana Silva Estudante, na sua sec\u00e7\u00e3o <i>Miscel\u00e2nea<\/i>:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">\u00abDe visita &#8211; que nos alegrou imenso \u2013 passou por n\u00f3s e esteve em nossa casa, o Sr. Doutor Ab\u00edlio Meireles que veio matar saudades da \u201csua\u201d Terra, dos amigos, da sua casa. Ainda combalido pelo profundo golpe que recebeu, choroso e desgostoso pela perda de sua filha \u2013 Ex.ma Sra. D. Alice Meireles (\u00f3bito em 2 de fevereiro de 1962) \u2013 o Sr. Doutor Meireles sorriu ao falar do Externato Mouzinho de Albuquerque que tanto ama ainda e que tantas recorda\u00e7\u00f5es lhe tem dado, quase prometendo voltar aos seus rapazes no in\u00edcio de novo ano letivo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Muito nos apraz registar neste apontamento a disposi\u00e7\u00e3o que not\u00e1mos ao Sr. Dr. Meireles de gostar e querer voltar ao nosso conv\u00edvio, e de o ouvirmos confessar\u2026 as saudades que sente por tudo isto e pelo seu Col\u00e9gio. (\u2026)\u00bb (<i>O Entroncamento<\/i>, 5 de junho de 1962). Faleceu em Lisboa, a 26 de janeiro de 1967, de um acidente vascular cerebral.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Em 13 de setembro de 1973, o presidente da C\u00e2mara Municipal do Entroncamento, Eug\u00e9nio Poitout, prop\u00f4s que se desse o seu nome a uma rua, ficando registada em ata esta aprecia\u00e7\u00e3o:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">\u00abFigura impoluta que, pelas suas qualidades, se imp\u00f4s desde sempre \u00e0 considera\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Foi professor no extinto col\u00e9gio local Mouzinho de Albuquerque, tendo sido autor do busto do Infante D. Henrique que deu o nome a uma art\u00e9ria desta vila. Aliada \u00e0 arte de bem ensinar, era pintor, escultor, praticando ainda outras artes pl\u00e1sticas, mestre insigne de desenho. Fez parte dos corpos diretivos da Escola Nacional das Belas Artes, e tamb\u00e9m Diretor da Escola do Magist\u00e9rio Prim\u00e1rio de Lisboa. Pelo seu car\u00e1cter af\u00e1vel e fino trato, deixou o professor Meireles no Entroncamento o rasto indel\u00e9vel da sua personalidade e sagaz intelig\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Esta vila \u00e9 bem devedora ao homem ilustre dos benef\u00edcios que lhe legou no campo intelectual. (Transcrito de ata camar\u00e1ria, de 13 de setembro de 1973).<\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Nota final: As fotografias do professor trabalhando no busto do Infante, e a lista dos s\u00f3cios fundadores do Benfica, foram copiadas do blogue \u201cEm defesa do Benfica \u2013 O fundador que deixou marca na pedra\u201d, com autoriza\u00e7\u00e3o do seu autor.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">A fotografia do retrato do padre Martinho Mour\u00e3o \u00e9 da autoria de Jo\u00e3o Lopes, e pertence ao Arquivo Paroquial da Sagrada Fam\u00edlia.<\/span><\/em><\/p>\n<p><strong>Manuela Poitout<\/strong><\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/a-cronica-de-manuela-poitout-abilio-meireles-artista-professor-e-fundador-do-benfica\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algu\u00e9m me perguntou se tinha informa\u00e7\u00e3o biogr\u00e1fica sobre o professor Ab\u00edlio Meireles. Era uma figura conhecida no Entroncamento, por ser professor no col\u00e9gio Mouzinho de Albuquerque, professor de Desenho e Trabalhos Manuais. 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