{"id":74664,"date":"2026-06-10T17:50:07","date_gmt":"2026-06-10T16:50:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=74664"},"modified":"2026-06-10T13:00:50","modified_gmt":"2026-06-10T12:00:50","slug":"fernando-freire-cronicas-da-barquinha-os-arrais-e-os-maritimos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/fernando-freire-cronicas-da-barquinha-os-arrais-e-os-maritimos\/","title":{"rendered":"Fernando Freire: Cr\u00f3nicas da Barquinha &#8211; \u201cOs arrais e os mar\u00edtimos\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-74665\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/1.jpg\" alt=\"\" width=\"658\" height=\"464\" srcset=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/1.jpg 658w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/1-596x420.jpg 596w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/1-100x70.jpg 100w\" sizes=\"auto, (max-width: 658px) 100vw, 658px\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O cais da Barquinha era considerado um ponto de encontro ou entreposto por onde chegavam e partiam os produtos que circulavam pelo rio Tejo.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A carga nas embarca\u00e7\u00f5es, muitas vezes de pessoas e mercadorias, era transportada at\u00e9 Santar\u00e9m, Vila Franca de Xira e Lisboa. Nestes portos eram descarregados os produtos oriundos das nossas regi\u00f5es e das a montante. No regresso, em ascenso, traziam diversas mercadorias para a porto da Barquinha para, colocados em carros de tra\u00e7\u00e3o animal, daqui partirem para outros territ\u00f3rios.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Rio abaixo, rio acima, em ascenso ou descenso, transportavam a riqueza da floresta, o gelo das serras da Lous\u00e3 e da Estrela, os frutos da terra e no regresso o sal, os panos, o papel e outras necessidades das gentes de riba Tejo e acima desta, como das gentes das Beiras e do Alentejo.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Em 1858, ficamos a saber atrav\u00e9s da correspond\u00eancia enviada ao Governador Civil que temos no concelho 900 fogos e as suas gentes, a maior parte, \u00e9 mar\u00edtima que navega no rio Tejo, e pescadores nas maiores povoa\u00e7\u00f5es como na Barquinha, pois neste porto h\u00e1 pouco menos de 100 embarca\u00e7\u00f5es registadas que ocupam diariamente, e todo o ano, 300 indiv\u00edduos, a maior parte da Barquinha. Na freguesia de Paio de Pele s\u00e3o quase todos pescadores e tamb\u00e9m mar\u00edtimos. Segundo J\u00falio de Sousa e Costa a vila de Barquinha chegou a ver atracados ao seu cais mais de quarenta barcos. Entre eles sobressaia o \u201cbarco da neve\u201d (gelo) que fornecia de ver\u00e3o os caf\u00e9s Martinho e Marrare. Nele iam tamb\u00e9m as frutas verdes e secas da regi\u00e3o e que abastecia os mercados de Lisboa.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Por outro lado, Vila Nova da Barquinha recorda com encanto o tempo glorioso em que as suas fragatas sulcavam as \u00e1guas do Tejo at\u00e9 chegarem ao mar da palha ou ao grande mar.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O arrais ou mestres das embarca\u00e7\u00f5es eram um dos s\u00edmbolos desse nobre Tejo. Detentores e sabedores de todos os mist\u00e9rios do rio, senhores acostumados \u00e0 rijeza e \u00e0 penosa vivifica\u00e7\u00e3o do frio das \u00e1guas e ao verde das margens e choupos e dos salgueiros, desprotegidos no rio nas noites de lua cheia ou de nuvens carregadas de breu, eram versados na rijeza da vida. Possu\u00edam um saber distinto que remontava \u00e0s origens da navegabilidade e dos descobrimentos. Interpretavam os astros como ningu\u00e9m e previam o dia seguinte e as mudan\u00e7as do tempo, sem instrumentos meteorol\u00f3gicos, quais vedores qualificados na certeza do alcance do veio da \u00e1gua. Seres simples e brutos com uma vis\u00e3o et\u00e9rea da vida e do mundo em constante perigo no tempo das cheias e das calamidades.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Os arrais eram detentores de t\u00edtulo para a sua atividade, carta ou c\u00e9dula, mesmo que se esquecem-se. Havia sempre um R\u00e9gio Edital a memorar a obrigatoriedade de serem portadores de t\u00edtulo bastante e, obviamente, de retribui\u00e7\u00e3o de receita para a Coroa. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-74666\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/2.jpg\" alt=\"\" width=\"510\" height=\"552\" srcset=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/2.jpg 510w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/2-388x420.jpg 388w\" sizes=\"auto, (max-width: 510px) 100vw, 510px\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Compulsando os registos do Arquivo Municipal de Lisboa, encontramos v\u00e1rios exemplos da obrigatoriedade do registo dos arrais e mar\u00edtimos:<\/span><\/span><\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">9-9-1957. [Registo do requerimento e provis\u00e3o a favor dos homens de neg\u00f3cio das vilas de Abrantes, Tancos, Barquinha e Punhete &#8211; Peti\u00e7\u00e3o dos homens de neg\u00f3cio em como atrav\u00e9s da provis\u00e3o do rei tinham licen\u00e7a para comprar trigos aos lavradores e em algumas ocasi\u00f5es at\u00e9 aos arrais de Castela e trazerem nos seus barcos para o terreiro da cidade de Lisboa, dando entrada dele para venda, sendo passado um decreto contra os atravessadores. Os suplicantes solicitam ao rei que fazer-lhe merc\u00ea atrav\u00e9s da passagem de uma provis\u00e3o e o rei declara que eles podem comprar os trigos no Alentejo trazendo para o terreiro p\u00fablico da cidade de Lisboa e n\u00e3o para casas e armaz\u00e9ns particulares e que todos devem cumprir e registarem nos livros da c\u00e2mara das ditas vilas. Cont\u00e9m provis\u00e3o e despacho do senado.] <sup><b>1<\/b><\/sup><\/span><\/span><\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">12-11-1765. [Registo da peti\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Dias de Matos, natural de Barquinha, para que se lhe passe certid\u00e3o do of\u00edcio de arrais de um batel do qual \u00e9 dono Ant\u00f3nio Freitas, para poder viajar pelo rio desta cidade e Ribatejo, tendo sido examinado por Jo\u00e3o dos Santos sota patr\u00e3o mor da Ribeira das Naus desta cidade o dito cargo ficava obrigado a cumprir a responder perante os almotac\u00e9s das execu\u00e7\u00f5es e a cumprir as ordens da mesa]. 2<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">15-10-1787. [Carta de examina\u00e7\u00e3o de Ant\u00f3nio Farinha, natural da Barquinha, termo da Atalaia para servir de arrais de um barco pertencente a Manuel Farinha, para navegar no rio da cidade de Lisboa e riba Tejo, com certid\u00e3o do patr\u00e3o-mor do Arsenal da Marinha, Jo\u00e3o dos Santos. Ant\u00f3nio Farinha tem 20 anos, e apresenta a seguintes caracter\u00edsticas f\u00edsicas: estatura mediana, refeito de corpo, cara redonda, olhos pardos, pouca barba, trigueiro de rosto.] <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Portanto, qualquer mar\u00edtimo, sem ser arrais, tinha de ter t\u00edtulo ou c\u00e9dula.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O Decreto de 1 de agosto de 1884, e o Decreto de 1 de dezembro de 1892, do Minist\u00e9rio da marinha, aprovam o regulamento geral das capitanias, servi\u00e7o e policia dos portos do reino e ilhas adjacentes. Com base neste normativos legais todos os mar\u00edtimos s\u00f3 podiam ser inscritos numa capitania. Existiam regras imperativas e penas de multa \u201cpesadas\u201d para os capit\u00e3es, mestres ou arrais que retivessem na sua posse a c\u00e9dula de qualquer mar\u00edtimo.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Quem exercesse a atividade de mar\u00edtimo em 1813, no fim da Guerra Peninsular \u2013 invas\u00f5es francesas \u2013 fica dispensada do servi\u00e7o militar tal n\u00e3o seria a falta de recursos humanos no rio e a sua import\u00e2ncia estrat\u00e9gica para o reino. Tal desfecho resulta do Decreto n.\u00ba 29, de mar\u00e7o de 1813: \u201c<i>Vendo-se diminu\u00eddo consideravelmente o numero dos Mar\u00edtimos, que compunham as Companhas dos Barcos, que fazem a navega\u00e7\u00e3o dos principais Rios destes Reinos, desde a \u00e9poca do Alvar\u00e1 de quinze de Dezembro de mil oitocentos e nove ; e n\u00e3o tendo sido da inten\u00e7\u00e3o do mesmo Alvar\u00e1 no S.6.\u00b0, nem da Portaria de dezassete de Junho de mil oitocentos e dez nos 50. 3\u00b0 e 7\u00b0, que deixassem de ser isentos do Servi\u00e7o Militar aqueles Mo\u00e7os que, tendo-se destinado \u00e1 navega\u00e7\u00e3o desde os seus primeiros annos, se empregassem utilmente nesse trabalho: He o PRINCIPE REGENTE Nosso Senhor Servido Mandar declarar, que os Mar\u00edtimos legitimamente matriculados, e que se empreg\u00e3o effectivamente na navega\u00e7\u00e3o dos Rios, e Embarca\u00e7\u00f5es approvadas pela Lei, s\u00e3o, e entend\u00e3o isentos do Recrutamento da Tropa, ainda que se destinassem a este servi\u00e7o depois de mil oitocentos e nove. Os Generaes encarregados do Governo das Armas, Capit\u00e3es M\u00f3res das Ordenan\u00e7as, e mais Autoridades a que tocar, o tenh\u00e3o assim entendido, e executar\u00e3o.\u201d<\/i><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #050505;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A atividade mar\u00edtima era rigorosamente legislada, atrav\u00e9s de leis, portarias e regulamentos municipais.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">As posturas municipais consagravam os direitos e as obriga\u00e7\u00f5es dos chefes das embarca\u00e7\u00f5es (arrais) e nos procedimentos e comportamentos dos sujeitos que a\u00ed laboravam ou frequentavam ou estabeleciam nexos de causalidade com os locais de acostagem ou portos fluviais. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-74667\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/3.jpg\" alt=\"\" width=\"692\" height=\"370\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Cambria, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><b>Foto do inicio do S\u00e9c. XX \u2013 Comboio a vapor na linha do Leste<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">N<\/span><span style=\"color: #050505;\"><span style=\"font-size: medium;\">a Barquinha, a Postura Municipal de 1837, determinava: <\/span><\/span><span style=\"color: #050505;\"><sup><span style=\"font-size: medium;\"><b>3<\/b><\/span><\/sup><\/span><\/span><\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"color: #050505;\"><span style=\"font-size: medium;\">Para os arrais ou mestres de embarca\u00e7\u00f5es mar\u00edtimas:<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #050505;\">\u201c<span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Todo o arrais de embarca\u00e7\u00e3o ou companheiro que a governe nos portos deste concelho da Barquinha, e que tiver prometido fazer viagem em tempo certo, e que tiver ajustado com os donos das fazendas, ou passageiros, e faltar sem motivo leg\u00edtimo, os donos das fazendas as poder\u00e3o tirar, e os passageiros mudarem de embarca\u00e7\u00e3o, pagando, al\u00e9m dos preju\u00edzos que causar, uma multa de dois mil reis &#8230; <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #050505;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">as mesmas multas pagar\u00e3o os donos das fazendas, e passageiros que faltarem aos arrais\u2026;<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #050505;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Todo o arrais, ou companheiro de embarca\u00e7\u00e3o, que desencaminhar cargas, ou passageiros, justos a fazerem viajem com outros arrais em diversa embarca\u00e7\u00e3o, e motivar desordens por estes fins, pagar\u00e1 de multa \u2026 dois mil reis\u2026;<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #050505;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Todo o companheiro de embarca\u00e7\u00e3o, que faltar no arrais com quem tiver justo alguma viagem, sem leg\u00edtima causa de impedimento de doen\u00e7a, ou embara\u00e7o judicial, ou outro motivo atend\u00edvel, pagar\u00e1 de multa, \u2026 dois mil reis, e o preju\u00edzo que causar ao arrais; igual multa pagar\u00e1 o arrais, que no ajuste com o companheiro.\u201d<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"color: #050505;\"><span style=\"font-size: medium;\">Na Cria\u00e7\u00e3o de obst\u00e1culos \u00e0 navega\u00e7\u00e3o: <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #050505;\">\u201c<span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Toda a pessoa, que nas praias deste concelho junto \u00e1s povoa\u00e7\u00f5es, ou portos, meter estacaria, ou marachas, ou barcos alagados cheios de pedra, que privem a livre navega\u00e7\u00e3o ou corrente das \u00e1guas, que dirigem o Tejo para conserva\u00e7\u00e3o dos mesmos portos, sendo justificado causar tais danos, pagar\u00e1 de multa \u2026 seis mil reis, al\u00e9m de serem destru\u00eddos tais tapumes \u00e0 custa de quem causar tais embara\u00e7os.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"color: #050505;\"><span style=\"font-size: medium;\">Condu\u00e7\u00e3o sem t\u00edtulo bastante:<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #050505;\">\u201c<span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Toda a pessoa deste Concelho da Barquinha, ou fora dele, que pegar em embarca\u00e7\u00f5es maiores, ou menores, e as conduzir para outra parte fora do seu lugar, sem licen\u00e7a de seus donos, pagar\u00e1 de multa, \u2026 mil reis, al\u00e9m do preju\u00edzo que causar.\u201d<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"color: #050505;\"><span style=\"font-size: medium;\">Regras para atracagem, embarque e tempo de passagem: <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #050505;\">\u201c<span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Os barqueiros das barcas deste concelho da Barquinha, na passagem do Tejo, e Rio Z\u00eazere, n\u00e3o far\u00e3o embarque, nem desembarque algum, que h\u00e3o seja pelo cais de pau das mesmas barcas, preso com as correntes de ferro, para evitar as desgra\u00e7as que podem acontecer; aquele que praticar o contr\u00e1rio, pagar\u00e1 de multa, \u2026dois mil reis, al\u00e9m do preju\u00edzo que causar.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"color: #050505;\"><span style=\"font-size: medium;\">Os arrais, ou companheiros, que governam as barcas dos portos deste concelho da Barquinha, que forem arrematadas, ser\u00e3o obrigados a estar prontos para a passagem dos passageiros, e haveres, e nunca os poder\u00e3o demorar contra a vontade dos mesmos passageiros, mais de um quarto de hora, quem praticar o contrario, pagar\u00e1 de muita, para<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #050505;\">\u2026<span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">, por cada vez, mil reis.\u201d<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #050505;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Conclu\u00edmos que todas as licen\u00e7as para a atividade, regras comportamentais da navega\u00e7\u00e3o e de uso das infraestruturas n\u00e1uticas se encontram rigorosamente reguladas por normas e \u00e9 consequ\u00eancia da import\u00e2ncia social e comercial deste tipo de trabalho para o Reino.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"color: #050505;\"><span style=\"font-size: medium;\">Foram fainas laboriosas e de muita ambi\u00e7\u00e3o, luta e comunh\u00e3o com o rio, muitas vezes hostil com as recorrentes cheias, fizeram parte do quotidiano da hist\u00f3ria da Barquinha. O risco e o perigo da navega\u00e7\u00e3o dos arrais e mar\u00edtimos era um \u201cp\u00e3o nosso de cada dia\u201d. Portanto, n\u00e3o podemos olvidar a cren\u00e7a e a rela\u00e7\u00e3o de f\u00e9 destes com o Senhor dos Navegantes, escultura do s\u00e9c. XVIII que estaria originalmente ao culto no Convento de Nossa Senhora do Loreto, localizado junto ao Castelo de Almourol, e que em 1874, veio para a Igreja de Santo Ant\u00f3nio, e a quem, hodiernamente, pediam prote\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-74668\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/4.jpg\" alt=\"\" width=\"658\" height=\"374\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Cambria, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><b>1894 &#8211; Senhor do Navegantes &#8211; Barquinha e C\u00e9dula do mar\u00edtimo n.\u00ba 1656, de Jos\u00e9 Maria Lobo, da Goleg\u00e3<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">As trocas de produtos agr\u00edcolas e a movimenta\u00e7\u00e3o de pessoas para al\u00e9m das situa\u00e7\u00f5es de ascenso e descenso no rio contemplava outra extremamente relevante para a nossa regi\u00e3o, o atravessamento da margem direita para a margem esquerda, e vice-versa, no tempo em que as pontes n\u00e3o existiam no nosso territ\u00f3rio.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Estas passagens di\u00e1rias, do nascer do sol ao p\u00f4r do sol, impunham a perman\u00eancia de uma embarca\u00e7\u00e3o na margem, e respetivo arrais, para que se pudesse assegurar um servi\u00e7o de seguran\u00e7a e qualidade para a economia e para o bem-estar das popula\u00e7\u00f5es.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A barca de passagem de Tancos, para o Arripiado, e da Barquinha, para a Carregueira, eram algo de concurso, arremata\u00e7\u00e3o, que originava substancial receita para os cofres municipais. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-74669\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/5.jpg\" alt=\"\" width=\"710\" height=\"297\" srcset=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/5.jpg 710w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/5-696x291.jpg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 710px) 100vw, 710px\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Cambria, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><b>Ata da C\u00e2mara da Barquinha de 2-2-1887 \u2013 Arremata\u00e7\u00e3o da Barcas de Tancos e Barquinha<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A barca de passagem do rio Z\u00eazere, pela sua import\u00e2ncia [j\u00e1 em 1777 existia pagamento de direitos de passagem de barcos do Tejo da vila de Punhete, conforme <span style=\"color: #000000;\">PT\/TT\/DP\/B-A-A\/1-1-8\/0023], foi<\/span> regulamentada pela Lei de 14 maio de 1872, do Minist\u00e9rio da Fazenda \u2014 Di\u00e1rio do governo n.\u00ba 113, que entrega \u00e0s C\u00e2maras de Const\u00e2ncia e da Barquinha a perten\u00e7a, gest\u00e3o e a receita da barca de passagem no rio Z\u00eazere, em frente de Const\u00e2ncia.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A ponte rodovi\u00e1ria met\u00e1lica da Barquinha a Const\u00e2ncia seria constru\u00edda vinte anos depois, em 1892. Foi aberta ao tr\u00e2nsito de pessoas, animais, dilig\u00eancias, carro\u00e7as e carros de bois e vem facilitar, de sobremaneira, a circula\u00e7\u00e3o de pessoas e bens entre os dois concelhos. Certamente a cria\u00e7\u00e3o do campo militar em Tancos, em meados de outubro de 1866, onde decorreram exerc\u00edcios que juntaram 10.100 militares que alterou a vida das popula\u00e7\u00f5es aqui residentes bem como a cria\u00e7\u00e3o, em 28 de junho de 1880, da Escola Pr\u00e1tica de Engenharia (EPE), ter\u00e3o sido decisivas para a constru\u00e7\u00e3o desta ponte que passa a ligar estes territ\u00f3rios a Abrantes e \u00e0s Beiras.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-74670\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/6.jpg\" alt=\"\" width=\"554\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/6.jpg 554w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/6-517x420.jpg 517w\" sizes=\"auto, (max-width: 554px) 100vw, 554px\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Cambria, serif;\"><span style=\"font-size: small;\"><b>Ponte de Const\u00e2ncia em 1896 \u2013 Seman\u00e1rio Ilustrado Branco e Negro <\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Para termos uma no\u00e7\u00e3o do volume de mercadoria chegado ao porto da Barquinha, nada melhor que transcrever este singelo texto: \u201c<i>A exporta\u00e7\u00e3o que o concelho fazia, como ainda agora de azeite, aguardente e madeiras, era em transportes de carros e cavalgaduras, e o c\u00e1lculo com respeito aos carros, as cargas, e seu valor, foi d&#8217;este modo estimado com respeito \u00e1 estrada, somente do Furadouro na dire\u00e7\u00e3o da Vila da Barquinha, porto da via fluvial do Tejo mais frequentado. Passavam 50 carros por semana levando cada um termo m\u00e9dio 4 d\u00fazias de tabuas de solho, dando em resultado no ano 2.600 carros, com 10.400 d\u00fazias de tabuas, sendo o pre\u00e7o da venda de cada d\u00fazia 1$000 r\u00e9is, \u00e9 o valor transportado do concelho para a Barquinha de r\u00e9is 10.400$000. N\u00e3o \u00e9 contada a madeira conduzida por outras estradas, ou seja, em dire\u00e7\u00e3o \u00e1 mesma vila, ou para outra parte e a que \u00e9 conduzida em cavalgaduras, etc<\/i>.\u201d<sup><b>4 <\/b><\/sup>Portanto, s\u00f3 por uma \u00fanica estrada do concelho de Our\u00e9m, no ano de 1867, passaram 2600 carros bois oriundos daquele concelho para o porto da Barquinha, \u00e9 obra!<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><a name=\"_GoBack\"><\/a> <span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Existiram muitos comerciantes de Lisboa que se instalaram na Barquinha devido \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica. N\u00e3o s\u00f3 para criar lojas de mercearia que abasteciam as popula\u00e7\u00f5es locais e vizinhas como para armazenar o azeite, em tanques, que em tempo oportuno seria transportado por embarca\u00e7\u00f5es para a capital.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Aqui foram carregadas toneladas de corti\u00e7a, madeiras de pinho e de castanho, bem como castanha verde e seca, conforme se poder computar pelas rendas Reais.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Parafraseando Alves Redol \u201co rio \u00e9 ninho de barqueiros, arrais, marinheiros e mo\u00e7os \u2013, que vivem do rio e para o rio, numa tradi\u00e7\u00e3o que se n\u00e3o quebra, porque a vida n\u00e3o lhes oferece outro caminho. P\u00e1tria de melros conhece-lhes o assobio. Mas outro assobio mais forte e angustioso retalha o sil\u00eancio, que ali mora \u2013 o do comboio que passa l\u00e1 acima, estremecendo as casas e retalhando o cora\u00e7\u00e3o dos homens\u201d.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">De facto, pelos anos 30 do s\u00e9culo passado os comboios e as estradas rodovi\u00e1rias situadas na encosta venceram, definitivamente, as embarca\u00e7\u00f5es. Os arrais e mar\u00edtimos passaram a trabalhar a sul de Salvaterra de Magos ou mudaram de profiss\u00e3o, muitos optando pela de ferrovi\u00e1rios, encerrando o per\u00edodo de ouro do tr\u00e1fego da navega\u00e7\u00e3o fluvial. <\/span><\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>Bibliografia <\/b><\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><sup><b>1<\/b><\/sup> Arquivo Municipal de Lisboa &#8211; AML-AH, Chancelaria da Cidade, Livro 7\u00ba de assentos do Senado, doc. 100 e 101, f. 56v. a 58. B20 &#8211; PT\/AMLSB\/CMLSBAH\/CHC\/001\/0513\/0088<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p align=\"justify\"><em><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><sup><b>2<\/b><\/sup> Arquivo Municipal de Lisboa &#8211; AML-AH Chancelaria da Cidade, Livro de registo da Chancelaria da Cidade, 1759-1766, doc. 514, f. 277 &#8211; PT\/AMLSB\/CMLSBAH\/CHC\/038\/0178<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p align=\"justify\"><em><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><sup><b>3<\/b><\/sup> Posturas Municipais de 1837 \u2013 Arquivo Ant\u00f3nio Rold\u00e3o, Vila Nova da Barquinha <\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p align=\"justify\"><em><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><sup><b>4<\/b><\/sup> Flores, Joaquim Ant\u00f3nio Oliveira, Esbo\u00e7o Hist\u00f3rico do Concelho de Vila Nova da Our\u00e9m, Tipografia Universal, Lisboa, 1868<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/fernando-freire-cronicas-da-barquinha-os-arrais-e-os-maritimos\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cais da Barquinha era considerado um ponto de encontro ou entreposto por onde chegavam e partiam os produtos que circulavam pelo rio Tejo. 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