{"id":71807,"date":"2026-01-06T21:51:02","date_gmt":"2026-01-06T21:51:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=71807"},"modified":"2026-01-06T19:40:57","modified_gmt":"2026-01-06T19:40:57","slug":"a-cronica-de-manuela-poitout-a-policia-no-entroncamento-nos-primeiros-tempos-do-lugar-da-freguesia-e-do-concelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/a-cronica-de-manuela-poitout-a-policia-no-entroncamento-nos-primeiros-tempos-do-lugar-da-freguesia-e-do-concelho\/","title":{"rendered":"A cr\u00f3nica de Manuela Poitout: \u201cA Pol\u00edcia no Entroncamento, nos primeiros tempos do lugar, da freguesia, e do concelho\u201d"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A recente inaugura\u00e7\u00e3o da esquadra da PSP, no Entroncamento, trouxe-me \u00e0 mem\u00f3ria as informa\u00e7\u00f5es que fui lendo e coligindo, sobre a pol\u00edcia local, ou fun\u00e7\u00f5es policiais, quando escrevi a minha <i>Cronologia do Entroncamento<\/i>. \u00c9 uma informa\u00e7\u00e3o variada, desde documenta\u00e7\u00e3o de arquivos a textos jornal\u00edsticos, estes mais humanizados, e por vezes, at\u00e9, com humor. Lembro-me de uma cr\u00f3nica jornal\u00edstica de 1922, sobre uma quadrilha de gatunos que operava na esta\u00e7\u00e3o do Entroncamento, com m\u00e9todos requintados, mas o que a torna interessante, s\u00e3o os coment\u00e1rios sobre a pol\u00edcia, naquele caso.<\/span><\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-71811\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/inauguracao-da-esquadra-1-800x590.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"590\" srcset=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/inauguracao-da-esquadra-1-800x590.jpg 800w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/inauguracao-da-esquadra-1-768x567.jpg 768w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/inauguracao-da-esquadra-1-696x514.jpg 696w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/inauguracao-da-esquadra-1-569x420.jpg 569w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/inauguracao-da-esquadra-1-80x60.jpg 80w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/inauguracao-da-esquadra-1.jpg 920w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">\u00c9 desse material que vou servir-me para uma cr\u00f3nica apenas ilustrativa de um pouco da Hist\u00f3ria da primitiva aldeia do Entroncamento, no que a autoridades policiais diz respeito, e depois na vila e concelho rec\u00e9m-formado. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Quando o Entroncamento nasceu, com o caminho de ferro, no local da esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria n\u00e3o havia habita\u00e7\u00f5es, elas foram sendo constru\u00eddas \u00e0 medida que os trabalhadores se iam estabelecendo no lugar. Havia casais em volta, uns mais populosos do que outros, sendo o de maior dimens\u00e3o o das Vaginhas, onde se fixaram muitos dos ferrovi\u00e1rios rec\u00e9m-chegados.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Esta situa\u00e7\u00e3o, decorrente de uma nova geografia humana provocada pelo caminho de ferro, tinha outra singularidade, a de a nova povoa\u00e7\u00e3o, que se foi formando, pertencer a dois concelhos. Assim, o territ\u00f3rio da esta\u00e7\u00e3o e a parte a poente desta pertenciam ao concelho de Torres Novas, freguesia de Santiago, e grande parte dos casais a nascente pertencia ao concelho de Barquinha, freguesia de Nossa Senhora da Assun\u00e7\u00e3o, de Atalaia.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A pequena povoa\u00e7\u00e3o que crescia, n\u00e3o exigia grandes cuidados \u00e0s for\u00e7as administrativas ligadas ao Entroncamento dos primeiros tempos, mas a esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria, sim. Em 1865, Peres Abreu, num <i>Roteiro do viajante<\/i>, j\u00e1 considerava a esta\u00e7\u00e3o do Entroncamento a terceira mais importante do Pa\u00eds. Convergiam nela duas linhas fundamentais no tr\u00e2nsito ferrovi\u00e1rio portugu\u00eas desse tempo, a do Leste e a do Norte, o Entroncamento era a interface das duas, e uma deles, a do Leste, era a que ligava Portugal \u00e0 Espanha e \u00e0 Europa. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Devido ao grande movimento de passageiros e bagagens, foi a esta\u00e7\u00e3o do Entroncamento dotada com um posto fiscal, o qual, em 1885, numa tabela em que figuram 18 <i>Postos de vigil\u00e2ncia e servi\u00e7os especiais<\/i>, \u00e9 o \u00fanico que est\u00e1 classificado como <i>Posto fiscal de registo e habilitado a despacho<\/i>. (Excerto da tabela n.\u00ba 1, <i>Di\u00e1rio do Governo<\/i> n.\u00ba 213, 23-09-1885)<\/span><\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-71813\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/ze-da-amelia-posto-da-policia.tif\" alt=\"\" \/> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-71814\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/PT-TT-MI-GM-4-12-702_m0005-oficio-sobre-a-extincao-do-PP-541x800.jpg\" alt=\"\" width=\"541\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/PT-TT-MI-GM-4-12-702_m0005-oficio-sobre-a-extincao-do-PP-541x800.jpg 541w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/PT-TT-MI-GM-4-12-702_m0005-oficio-sobre-a-extincao-do-PP-1368x2024.jpg 1368w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/PT-TT-MI-GM-4-12-702_m0005-oficio-sobre-a-extincao-do-PP-768x1136.jpg 768w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/PT-TT-MI-GM-4-12-702_m0005-oficio-sobre-a-extincao-do-PP-1038x1536.jpg 1038w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/PT-TT-MI-GM-4-12-702_m0005-oficio-sobre-a-extincao-do-PP-1384x2048.jpg 1384w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/PT-TT-MI-GM-4-12-702_m0005-oficio-sobre-a-extincao-do-PP-696x1030.jpg 696w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/PT-TT-MI-GM-4-12-702_m0005-oficio-sobre-a-extincao-do-PP-1068x1580.jpg 1068w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/PT-TT-MI-GM-4-12-702_m0005-oficio-sobre-a-extincao-do-PP-284x420.jpg 284w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/PT-TT-MI-GM-4-12-702_m0005-oficio-sobre-a-extincao-do-PP.jpg 1398w\" sizes=\"auto, (max-width: 541px) 100vw, 541px\" \/><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-71812\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/PT-TT-MI-GM-4-12-702_m0005-oficio-sobre-a-extincao-do-PP.tif\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Neste cen\u00e1rio aqui descrito, o de uma pequena povoa\u00e7\u00e3o submetida a dois concelhos, \u00e9 evidente que a mesma era regida por duas administra\u00e7\u00f5es diferentes. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Segundo as leis da \u00e9poca, as fun\u00e7\u00f5es policiais podiam ser desempenhadas pelo administrador do concelho, e pelo regedor da freguesia, que era a autoridade local dependente da respetiva c\u00e2mara municipal. Por sua vez, os regedores tinham \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o os cabos de ordem. Quanto aos administradores do concelho, dependiam do Governo Civil. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Em 30 de julho de 1873, o Administrador do Concelho de Torres Novas enviou para o Governo Civil de Santar\u00e9m, um of\u00edcio confidencial com o texto que segue:<\/span><\/span><\/p>\n<p>\u201c<span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Por informa\u00e7\u00e3o do chefe da esta\u00e7\u00e3o do caminho de ferro do Entroncamento, confirmada pelo inspetor da referida companhia, da Sec\u00e7\u00e3o de Lisboa a Abrantes e Coimbra, consta nesta Administra\u00e7\u00e3o que ultimamente aparecem na mencionada esta\u00e7\u00e3o do Entroncamento alguns indiv\u00edduos estrangeiros, que se tornam suspeitos, por isso que chegando no trem correio que vem de Espanha, voltam logo naquele que chega de Lisboa, comunicando, durante a demora, com indiv\u00edduos que vindo daquela cidade para ela voltam no comboio correio.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Duas vezes fui \u00e0 esta\u00e7\u00e3o com o fim de descobrir alguma coisa e vigiar uma taberna pr\u00f3xima da linha onde parece se re\u00fanem os referidos indiv\u00edduos. Nada descobri.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Parece-me ser conveniente vigiar aquele local, falta-me por\u00e9m pessoal habilitado, como V. Ex.\u00aa n\u00e3o desconhece, por isso se V. Ex.\u00aa entender conveniente rogo se digne requisitar dois guardas da fiscaliza\u00e7\u00e3o auxiliar para de mim receberem as necess\u00e1rias instru\u00e7\u00f5es. (Arq. Municipal de Torres Novas, Livro 1614, Copiador de of\u00edcios confidenciais para diversas entidades, 1868-1896)\u201d<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">\u00c9 evidente que se o Administrador do Concelho est\u00e1 a pedir pessoal habilitado, \u00e9 porque o n\u00e3o tem, nos seus servi\u00e7os. E foi ele, pessoalmente, ao Entroncamento, em servi\u00e7o de investiga\u00e7\u00e3o. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Esta atua\u00e7\u00e3o do Administrador e o posterior of\u00edcio justificam-se plenamente. Em 31 de Janeiro tinha havido uma greve de maquinistas, fogueiros e oper\u00e1rios das oficinas da esta\u00e7\u00e3o de Lisboa, a que se juntara o pessoal de tra\u00e7\u00e3o da linha at\u00e9 Vila Nova de Gaia, greve convocada pela <i>Fraternidade Oper\u00e1ria<\/i>, que tinha uma c\u00e9lula nas Vaginhas. A <i>Fraternidade Oper\u00e1ria<\/i>, que fora fundada em 1872, inspirada na <i>Internacional Oper\u00e1ria<\/i>, tinha liga\u00e7\u00f5es com o movimento oper\u00e1rio espanhol.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">150 pra\u00e7as de Infantaria e respetivas chefias tinham vindo ocupar a esta\u00e7\u00e3o do Entroncamento, onde muitos maquinistas e fogueiros eram grevistas. Dada a import\u00e2ncia deste movimento grevista, e atendendo a que as leis da \u00e9poca n\u00e3o continham o direito \u00e0 greve, veio o diretor da Companhia, Manuel Afonso Espregueira, ao Entroncamento, para falar com os grevistas, e o que lhes disse foi claro: se continuassem em greve, seriam demitidos definitivamente.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Estes pediram algum tempo para resolverem, estiveram reunidos e decidiram voltar ao trabalho. A <i>Fraternidade Oper\u00e1ria<\/i> ficou aqui derrotada. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A pr\u00f3xima ocasi\u00e3o de greves s\u00f3 voltar\u00e1 no regime da Primeira Rep\u00fablica. E a\u00ed elas sucederam-se, a partir de 1911, n\u00e3o j\u00e1 da <i>Fraternidade Oper\u00e1ria<\/i>, que se tinha fundido com outras organiza\u00e7\u00f5es, mas dos anarcossindicalistas, o que vai dar que fazer sobretudo \u00e0s for\u00e7as militares, que ocupavam a esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria sempre que havia turbul\u00eancia, sabotagens e an\u00fancios de conspira\u00e7\u00f5es.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Voltemos ao tempo da Monarquia, aos administradores do concelho e aos regedores. Desta vez, trata-se de um of\u00edcio do Administrador do Concelho da Barquinha ao Regedor da Atalaia, freguesia \u00e0 qual pertencia uma parte do Entroncamento, sobre a festa do Santo patrono do lugar, S\u00e3o Jo\u00e3o Baptista, nas Vaginhas. Como \u00e9 sabido, estas festas religiosas dos Santos Populares, com os seus arraiais e excessos devidos ao ambiente festivo, terminavam, por vezes, em desordens, e por isso exigiam vigil\u00e2ncia. O of\u00edcio do administrador, de 22 de junho de 1882, \u00e9 um bom exemplo da maneira de resolver as situa\u00e7\u00f5es sem viol\u00eancia:<\/span><\/span><\/p>\n<p>\u201c<span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Ao regedor da Atalaia<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Deve ter lugar amanh\u00e3 no lugar das Vaginhas, fogueira e fogo de artif\u00edcio \u00e0 noite, e no dia seguinte fun\u00e7\u00e3o de igreja, fogo e arraial, tudo pr\u00f3ximo da Capela de S. Jo\u00e3o. Conv\u00e9m que esta festividade seja policiada, o que compete a V. Exa. Recomendo-lhe para tanto esta vigil\u00e2ncia para que se evitem quaisquer conflitos ou desordens, mas igualmente lhe recomendo a maior prud\u00eancia pela sua parte e pelos seus subordinados, advertindo-os que com paci\u00eancia e boas maneiras tudo se consegue n\u00e3o sendo necess\u00e1rio usar meios violentos sen\u00e3o em casos muito extraordin\u00e1rios. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">(Arq. Municipal da Barquinha, Correspond\u00eancia da Administra\u00e7\u00e3o do concelho da Barquinha \u2013 Registo de correspond\u00eancia diversa \u2013 1882\/1883)\u201d<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Entretanto caiu a monarquia, devido \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o de 5 de Outubro de 1910, e come\u00e7ou o regime da Primeira Rep\u00fablica, que durou de 1910 a 1926. Os Administradores do Concelho e os Regedores, apesar da altera\u00e7\u00e3o de muitas leis, permaneceram. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Uma das medidas do novo regime, foi a proibi\u00e7\u00e3o de determinados atos religiosos, de toque de sinos, de prociss\u00f5es e do uso das vestes clericais em contexto civil. As ordens religiosas tiveram de sair do Pa\u00eds, uma delas, a dos jesu\u00edtas, foi tenazmente perseguida pelos republicanos.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Neste ambiente turvo de persegui\u00e7\u00f5es, calhou a um jesu\u00edta ter passado pelo Entroncamento, em viagem de fuga, muito provavelmente. Ele pr\u00f3prio conta o que lhe aconteceu:<\/span><\/span><\/p>\n<p>\u201c<span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Os de S. Fiel [col\u00e9gio jesu\u00edta na Serra da Gardunha] que transitaram por esta\u00e7\u00f5es de fora da prov\u00edncia, sujeitaram-se \u00e0 lei que nelas vigorava.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Destes, foi o P. Domingos Pimenta, que passou pelo Entroncamento, quando se dirigia a casa de um amigo, em Fafe. Ali o apuparam marinheiros, que mais se assanhariam quando o viram de h\u00e1bitos talares. Eis algumas palavras de uma carta sua:<\/span><\/span><\/p>\n<p>\u201c<span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Depois de insultado por um popular, consegui entrar para o comboio do Porto, aonde foram a contender comigo quatro marinheiros que me deram voz de pris\u00e3o. Obrigaram-me a pegar outra vez nas malas; entre insultos e aos encontr\u00f5es levaram-me at\u00e9 \u00e0 pol\u00edcia, da qual exigiam que me enviasse para Lisboa. Felizmente a pol\u00edcia resistiu e mandou-me outra vez para o comboio.\u201d (Luiz Gonzaga de Azevedo, da Companhia de Jesus, <i>Proscritos (Jesu\u00edtas na Revolu\u00e7\u00e3o de 1910) 2.\u00aa parte<\/i>, E. Daem, Bruxelas 1914, p. 19) <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Com o andar do tempo, e a rea\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es, estes rigores anticlericais suavizaram-se, mas permaneceram at\u00e9 \u00e0 nova mudan\u00e7a de regime. Por vezes, era a pr\u00f3pria autoridade que aconselhava modera\u00e7\u00e3o aos republicanos mais radicais, como aconteceu em 1915, a prop\u00f3sito de uma prociss\u00e3o. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Conv\u00e9m, no entanto, esclarecer, que esta prociss\u00e3o ocorreu poucos dias depois da revolta de 14 de maio de 1915, uma revolu\u00e7\u00e3o militar contra o Governo de ent\u00e3o, do General Pimenta de Castro, com grande n\u00famero de mortos e feridos, e destrui\u00e7\u00e3o, por inc\u00eandio, de v\u00e1rias reda\u00e7\u00f5es de jornais, em Lisboa. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">E aconteceu tamb\u00e9m que Jo\u00e3o Chagas, indigitado para primeiro-ministro do novo Governo, foi v\u00edtima de um atentado no Entroncamento, no dia seguinte, 15 de maio, quando vinha no comboio da noite, do Porto para Lisboa, tendo perdido a vis\u00e3o do olho direito, devido a tiros na cabe\u00e7a. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Quem o tentou matar foi o senador Jo\u00e3o Jos\u00e9 de Freitas, seu inimigo pol\u00edtico, que ali foi morto, na esta\u00e7\u00e3o do Entroncamento, em circunst\u00e2ncias sobre as quais se estabeleceram diversas vers\u00f5es. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Numa biografia do senador, no <i>Dicion\u00e1rio dos mais ilustres Transmontanos e Alto Durienses<\/i>, este foi dominado por Paulo Jos\u00e9 Falc\u00e3o, que viajava com Jo\u00e3o Chagas, e por ele entregue \u00e0 Guarda Republicana, que acorreu, sendo morto com um tiro de carabina.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Para Vasco Pulido Valente, a sua morte deve-se a carbon\u00e1rios do Entroncamento (<i>A Rep\u00fablica Velha <\/i>1910-1917, Ensaio). Outros textos informam que foi preso pela Guarda Republicana, e adequadamente abandonado na sala de espera, onde a Formiga Branca o espancou at\u00e9 \u00e0 morte. No <i>Arquivo Hist\u00f3rico da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica<\/i>, na biografia de Jo\u00e3o Chagas, l\u00ea-se que o senador Jo\u00e3o de Freitas foi linchado pela multid\u00e3o. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Que multid\u00e3o poderia haver, \u00e0 noite, em 1915, na esta\u00e7\u00e3o do Entroncamento, que n\u00e3o fosse de passageiros, alheios \u00e0quelas diverg\u00eancias pol\u00edticas que conduziam \u00e0 viol\u00eancia? Quanto aos habitantes da aldeia que o Entroncamento era ent\u00e3o, trabalhadores que se levantavam de madrugada, \u00e0 hora a que o comboio passou, estariam a deitar-se ou j\u00e1 dormindo.<\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"sdfootnote-western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A <i>formiga branca<\/i>, sim, \u00e9 poss\u00edvel que existisse no Entroncamento ou perto. Era uma organiza\u00e7\u00e3o semiclandestina criada pelos democr\u00e1ticos em 1913, durante o governo de Afonso Costa, e constitu\u00edda com recurso aos elementos mais radicais, muitos deles ligados \u00e0 Carbon\u00e1ria e antigos membros dos extintos batalh\u00f5es de volunt\u00e1rios da Rep\u00fablica.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Com tais acontecimentos em t\u00e3o poucos dias, \u00e9 natural que as autoridades estivessem preocupadas e n\u00e3o desejassem tumultos. \u00c9 por isso, certamente, que o administrador do concelho de Torres Novas escreve ao cabo-chefe do Entroncamento:<\/span><\/span><\/p>\n<p>\u201c<span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Ao cidad\u00e3o cabo-chefe do Entroncamento<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Tendo chegado ao meu conhecimento que alguns republicanos dessa localidade pretendem promover dist\u00farbios no pr\u00f3ximo domingo, na povoa\u00e7\u00e3o de Meia Via, na ocasi\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o de uma prociss\u00e3o por mim autorizada como me \u00e9 facultado pela lei da separa\u00e7\u00e3o, pe\u00e7o a V. S.\u00aa o obs\u00e9quio de fazer ver aos republicanos locais que no atual momento t\u00e3o grave para o nosso pa\u00eds, n\u00e3o \u00e9 ocasi\u00e3o oportuna para intoler\u00e2ncias e por isso, que espero do seu patriotismo e f\u00e9 republicana que longe de serem promotores de altera\u00e7\u00f5es da ordem e harmonia, que todos os republicanos se devem esfor\u00e7ar por estabelecer de vez na fam\u00edlia portuguesa, eu espero da sua parte uma real coopera\u00e7\u00e3o no sentido de tal se conseguir e tanto assim que as medidas preventivas que como autoridade administrativa me competem tomar, as limito a este pedido que fa\u00e7o aos republicanos do Entroncamento e Meia Via. (Arq. Municipal de Torres Novas, Correspond\u00eancia da Administra\u00e7\u00e3o do Concelho de Torres Novas, 27-05-1915)\u201d<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">E chegamos a 1922, e aos tais epis\u00f3dios de gatunice ocorridos na esta\u00e7\u00e3o do Entroncamento. \u00c9 um texto um pouco longo, mas vale a pena ler.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\u201c<span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O Entroncamento \u00e9 uma esta\u00e7\u00e3o de caminho de ferro muito movimentada, talvez em tr\u00e2nsito uma das mais importantes das linhas f\u00e9rreas portuguesas. Dois mil viajantes diariamente ali passam em circunst\u00e2ncias normais. Era pois natural, l\u00f3gico e progressivo que ali se estabelecesse uma prodigiosa quadrilha de ladr\u00f5es, certa como o ar mas infelizmente invis\u00edvel como ele.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O que n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida \u00e9 que existe no Entroncamento uma quadrilha de gatunos. O primeiro indiv\u00edduo que no cais nos fita, quer use coco ou bon\u00e9, blusa ou jaquet\u00e3o, pode ser um deles. O bigode mais tremendo \u00e9 talvez o de um fac\u00ednora, o rosto mais insinuante, talvez o de um bandido.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Os meios de que se servem os ex.mos gatunos para operar com seguran\u00e7a e conforto s\u00e3o variados como os lumes do c\u00e9u. N\u00e3o se podem citar todos os truques que s\u00f3 por si encheriam um vasto volume. \u00c9 entretanto de boa pol\u00edtica desconfiar de todas as pessoas que nos deem boas noites, de todas as pessoas que nos perguntam que horas s\u00e3o, de todas as pessoas que queiram prestar-nos o mais insignificante servi\u00e7o.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">(\u2026) A forma de roubo \u00e9 sempre fun\u00e7\u00e3o da estrutura \u00edntima do roubado. No Entroncamento empregam-se todos os processos, desde o elementar vig\u00e1rio at\u00e9 \u00e0 complicada aventura \u00e0 Ars\u00e8ne Lupin e tudo isto tal e qual como se n\u00e3o houvesse pol\u00edcia.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">N\u00e3o h\u00e1 ent\u00e3o pol\u00edcia no Entroncamento? Caso terr\u00edvel e de resposta duvidosa. Afirmam alguns que n\u00e3o h\u00e1. Outros dizem que apenas existe uma casa onde em tempos estacionaram dois agentes: pensam at\u00e9 em p\u00f4r l\u00e1 uma l\u00e1pide de bronze para comemorar o facto. Outras pessoas que se dizem bem informadas afirmam ainda que em tempos havia um, mas esse mesmo, desde que uma vez foi roubado como um simples mortal, se retirou do servi\u00e7o. Em qualquer das hip\u00f3teses a pol\u00edcia no Entroncamento parece ser como a formosa Galateia, um mito, uma inexist\u00eancia, uma abstra\u00e7\u00e3o. (\u2026) (<i>A Capital<\/i>, 04-07-1922, p. 1)\u201d<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O jocoso coment\u00e1rio do jornalista sobre a pol\u00edcia, apesar de deixar em d\u00favida o leitor, refere a exist\u00eancia de uma casa onde em tempos estacionaram dois agentes, e faz pensar que este servi\u00e7o j\u00e1 existia, ao tempo, assim como a informa\u00e7\u00e3o do padre jesu\u00edta, que foi obrigado pelos marinheiros a ir \u00e0 pol\u00edcia.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Estava-se, quase, no fim da Primeira Rep\u00fablica, que terminou em 1926, com o movimento revolucion\u00e1rio de 28 de maio.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">E foi neste ano de 1926, no meio das turbul\u00eancias de outro movimento militar, que o Entroncamento viu a oportunidade por que ansiava. Desde o final do s\u00e9culo XIX, a aldeia ferrovi\u00e1ria tinha feito tentativas para se desligar do concelho de Torres Novas e passar para o da Barquinha, sem sucesso. Lidando com duas c\u00e2maras diferentes, sujeitava-se a dois pesos e duas medidas, a Barquinha sempre mais favor\u00e1vel e atenta, e geograficamente mais perto, Torres Novas deixando ao abandono a parte que lhe competia, e que era a mais importante do pequeno lugar: a rua que dava acesso \u00e0 esta\u00e7\u00e3o. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Mas desta vez, aproveitando o contexto militar e as pessoas nele envolvidas, por influ\u00eancia de Jos\u00e9 Duarte Coelho, o homem que ir\u00e1 presidir \u00e0 Junta de Freguesia do Entroncamento por 21 anos, a ent\u00e3o aldeia conseguiu passar para o concelho da Barquinha, levando consigo o territ\u00f3rio que antes pertencia a Torres Novas. Este importante acontecimento, que tornou o Entroncamento uma freguesia aut\u00f3noma, derivou do decreto n.\u00ba 12.192, de 25 de agosto de 1926.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Nos anos que se seguiram, h\u00e1 not\u00edcias sobre a exist\u00eancia de um posto policial, que, em 1935, j\u00e1 estava extinto, e sobre o qual, em informa\u00e7\u00e3o que se junta a esta cr\u00f3nica, com reprodu\u00e7\u00e3o do texto original, se informa, num of\u00edcio do Comando Geral da Guarda Nacional Republicana, que tinha havido na vila do Entroncamento <i>um posto policial que prestava \u00e0s inst\u00e2ncias superiores \u00f3timos servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o<\/i>.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Essa extin\u00e7\u00e3o dar\u00e1 origem a uma carta do comando da GNR para o ministro do Interior, chamando a sua aten\u00e7\u00e3o para as poss\u00edveis consequ\u00eancias dessa falta:<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Comando Geral \u2013 Reparti\u00e7\u00e3o central<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Confidencial<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Ex.mo Senhor<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Para conhecimento de S. Ex.\u00aa o Ministro e em resposta ao of\u00edcio confidencial de V. Ex.\u00aa n.\u00ba 1355 de 13 do corrente que acompanhou a c\u00f3pia do of\u00edcio tamb\u00e9m confidencial n.\u00ba 619 de 2 do corrente do Sr. Comandante Geral da Pol\u00edcia de Seguran\u00e7a P\u00fablica, informo que n\u00e3o foi para fazer coment\u00e1rios \u00e0s determina\u00e7\u00f5es daquele Sr. Comandante que se enviou a confidencial n.\u00ba 62 de 31 de Outubro findo ao Minist\u00e9rio do Interior, porque nada tem o comando da G.N.R. com essas determina\u00e7\u00f5es; mas tendo-se recebido uma confidencial do Minist\u00e9rio da Guerra que diz que os extremistas preparam uma semana revolucion\u00e1ria, servindo-se de todos os meios de propaganda para aliciar adeptos, entendeu o comando da G.N.R. por dever de of\u00edcio, que devia avisar S. Ex.\u00aa o Ministro do Interior do abandono a que fica votado o Entroncamento, no que diz respeito a seguran\u00e7a p\u00fablica, para que este caso fosse remediado, de contr\u00e1rio o feixe importante de linhas f\u00e9rreas que \u00e9 o Entroncamento, com todo o material ferrovi\u00e1rio que ali existe, ficar\u00e1 \u00e0 merc\u00ea da raiva extremista, que pode ali provocar grandes preju\u00edzos materiais. A confidencial enviada era portanto enviada ao Minist\u00e9rio do Interior e n\u00e3o \u00e0 Pol\u00edcia.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Comando Geral em Lisboa, 16 de novembro de 1935<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O Comandante Geral<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Augusto Manuel Farinha Beir\u00e3o (Arquivo Nacional Torre do Tombo, PT-TT-MI-GM-4-12-702)<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Quando isto aconteceu, j\u00e1 o Entroncamento tinha sido elevado a Vila, em 1932.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Ou pelo aviso, ou pelas evid\u00eancias da aus\u00eancia de for\u00e7as policiais no Entroncamento, foi o posto policial reposto em 1936. A exist\u00eancia, nesse ano, do jornal local <i>Not\u00edcias de Entroncamento<\/i>, ajuda-nos a saber um pouco mais sobre esse acontecimento:<\/span><\/span><\/p>\n<p>\u201c<span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Foi criado nesta vila um posto policial de 2.\u00aa classe, melhoramento que traduziu uma velha aspira\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o ordeira da nossa Terra.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">\u00c9 mais um ato de justi\u00e7a dispensado ao Entroncamento pelo Estado Novo, tendo, para a sua consecu\u00e7\u00e3o, contribu\u00eddo a boa vontade dos Ex.mos Srs. Dr. Eug\u00e9nio Viana de Lemos, governador civil, e Ant\u00f3nio Manuel Batista, Comandante da Pol\u00edcia de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Distrito, e o esfor\u00e7o dos Srs. Jos\u00e9 Duarte Coelho, presidente da Junta de Freguesia, Ant\u00f3nio Marques Agostinho, administrador do concelho, e ainda a C\u00e2mara da Presid\u00eancia do Sr. Jacinto Marques Agostinho [presidente da C\u00e2mara Municipal da Barquinha e depois primeiro presidente da C\u00e2mara Municipal do Entroncamento].<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Comanda o novo posto o ajudante de Esquadra Sr. Ant\u00f3nio Gomes, que tem como subordinados os guardas n\u00fameros 24, 33, 53, 57, 66 e 70. (<i>Not\u00edcias de Entroncamento<\/i> n.\u00ba 70, 10-05-1936)\u201d<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Esse posto policial situava-se junto a instala\u00e7\u00f5es da CP, e muito perto do antigo Posto da Guarda Fiscal.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Em data que n\u00e3o foi poss\u00edvel averiguar, veio para o posto policial do Entroncamento um chefe que se tornou m\u00edtico, na zona. Chamava-se Jos\u00e9 Alexandre, mas era conhecido como Z\u00e9 da Am\u00e9lia. A criminalidade decresceu bastante, no seu tempo, e sempre que havia um qualquer desmando ou infra\u00e7\u00e3o, invocava-se logo o Z\u00e9 da Am\u00e9lia. Anos depois da sua sa\u00edda, a sua mem\u00f3ria ainda permanecia entre as gentes do Entroncamento.<\/span><\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-71815\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/ze-da-amelia-posto-da-policia-800x539.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"539\" srcset=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/ze-da-amelia-posto-da-policia-800x539.jpg 800w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/ze-da-amelia-posto-da-policia-768x518.jpg 768w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/ze-da-amelia-posto-da-policia-696x469.jpg 696w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/ze-da-amelia-posto-da-policia-623x420.jpg 623w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/ze-da-amelia-posto-da-policia.jpg 945w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Debaixo da capa autorit\u00e1ria e exigente, havia bondade. Jos\u00e9 Alexandre protegia os indigentes, o que se comprova por uma not\u00edcia de 1941:<\/span><\/span><\/p>\n<p>\u201c<span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Em benef\u00edcio dos indigentes protegidos pelo Posto Policial do Entroncamento, realizou-se no dia 31 de agosto \u00faltimo, no campo Uni\u00e3o, um interessante festival desportivo, que decorreu de forma agrad\u00e1vel. (<i>O Moitense<\/i> n.\u00ba 67, 15-09-1941)\u201d<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Nesse mesmo ano de 1941, o chefe do Posto Policial do Entroncamento foi transferido, e deixou saudades:<\/span><\/span><\/p>\n<p>\u201c<span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Deixou de prestar servi\u00e7o de Comandante no Posto Policial desta Vila, por motivos de transfer\u00eancia, o sr. Jos\u00e9 Alexandre.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Compete-nos escrever duas linhas, prestando justi\u00e7a a quem t\u00e3o bem soube cumprir com o seu dever.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Jos\u00e9 Alexandre praticou o bem. Protegeu os indiv\u00edduos pobres desta freguesia, que lamentam a sua sa\u00edda. Reprimiu a vadiagem, medida de grande alcance social.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Os gananciosos, os que cometem um crime de lesa-p\u00e1tria provocando maior carestia dos pre\u00e7os, aqueles que acima dos seus deveres de homens e portugueses p\u00f5em os seus interesses inconfess\u00e1veis, tiveram no Homem que partiu um juiz inexor\u00e1vel. (<i>O Moitense<\/i> n.\u00ba 68, 15-10-1941)\u201d <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Em 24 de novembro de1945, foi o Entroncamento promovido a concelho. No texto do Decreto-Lei n.\u00ba 35.184, que cria o concelho, \u00e9 mencionada a exist\u00eancia de uma sec\u00e7\u00e3o de Pol\u00edcia da Seguran\u00e7a P\u00fablica, assim como um posto da Guarda Fiscal. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A necessidade de umas instala\u00e7\u00f5es mais adequadas e mais centralizadas, uma vez que o posto policial estava quase num dos extremos da vila, longe do seu pulm\u00e3o c\u00edvico que era a rua 5 do Outubro, com os edif\u00edcios mais importantes l\u00e1 situados, ou pr\u00f3ximos, a C\u00e2mara Municipal, a Junta de Freguesia, o Mercado Municipal, os CTT, ter\u00e1 conduzido \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de um novo posto policial, projeto que aparece registado numa das atas da C\u00e2mara Municipal:<\/span><\/span><\/p>\n<p>\u201c<span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Retomando a palavra o senhor Presidente informou a verea\u00e7\u00e3o de que, tendo o Comando da Pol\u00edcia de Seguran\u00e7a P\u00fablica proposto altera\u00e7\u00f5es ao projeto do edif\u00edcio do Posto Policial, em constru\u00e7\u00e3o, encarregara o autor deste, arquiteto senhor In\u00e1cio Perez Fernandes de as estudar e elaborar o respetivo processo. (Arq. da C\u00e2mara Municipal do Entroncamento, Livro n.\u00ba 1 de Atas da C\u00e2mara Municipal, ata de 29-08-1946, fl. 114)\u201d<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Finalmente, em 15 de maio de 1948, foi inaugurada a nova esquadra:<\/span><\/span><\/p>\n<p>\u201c<span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Conforme hav\u00edamos anunciado, visitou a nossa vila no dia 16 do passado m\u00eas de maio, S. Ex.\u00aa o Ministro do Interior que regressava de Tomar a Santar\u00e9m. Acompanhavam S. Ex.\u00aa o Sr. Governador Civil do distrito, Presidente da Comiss\u00e3o Distrital da Uni\u00e3o Nacional, Diretor do Distrito Escolar, etc.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O senhor engenheiro Cancela de Abreu foi esperado \u00e0 entrada da vila pelo Sr. Presidente e vogais da C\u00e2mara Municipal, Legi\u00e3o Portuguesa, Mocidade Portuguesa, Banda dos Escoteiros, crian\u00e7as das escolas e seus professores, autoridades militares, coronel Silv\u00e3o Loureiro, funcion\u00e1rios superiores da C.P. e muito povo que prestaram a S. Ex.\u00aa uma calorosa rece\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Flores lan\u00e7adas pelas crian\u00e7as das escolas e por gentis senhoras que das janelas engalanadas assistiram \u00e0 chegada, cobriram o caminho que o Sr. Ministro ia percorrendo. Chegado junto do edif\u00edcio destinado \u00e0 esquadra da P.S.P., cortou a fita simb\u00f3lica, tendo a Banda dos Escoteiros executado o Hino da Maria da Fonte, ouvindo-se palavras e vivas a S. Ex.\u00aa.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Depois de percorrer todas as depend\u00eancias da nova esquadra, o senhor Ministro recebeu, numa das salas, os cumprimentos do senhor Presidente da C\u00e2mara, que em nome do povo do Entroncamento lhe agradeceu a sua presen\u00e7a na inaugura\u00e7\u00e3o daquele melhoramento. (<i>O Entroncamento <\/i>n.\u00ba 39, 06-06-1948)<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><em>Manuela Poitout<\/em><\/strong><\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/a-cronica-de-manuela-poitout-a-policia-no-entroncamento-nos-primeiros-tempos-do-lugar-da-freguesia-e-do-concelho\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A recente inaugura\u00e7\u00e3o da esquadra da PSP, no Entroncamento, trouxe-me \u00e0 mem\u00f3ria as informa\u00e7\u00f5es que fui lendo e coligindo, sobre a pol\u00edcia local, ou fun\u00e7\u00f5es policiais, quando escrevi a minha Cronologia do Entroncamento. \u00c9 uma informa\u00e7\u00e3o variada, desde documenta\u00e7\u00e3o de arquivos a textos jornal\u00edsticos, estes mais humanizados, e por vezes, at\u00e9, com humor. 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