{"id":68817,"date":"2025-07-21T10:43:13","date_gmt":"2025-07-21T09:43:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=68817"},"modified":"2025-07-21T10:43:13","modified_gmt":"2025-07-21T09:43:13","slug":"a-cronica-de-manuela-poitout-amelia-pereira-1859-1924-do-entroncamento-para-paris-no-seculo-xix","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/a-cronica-de-manuela-poitout-amelia-pereira-1859-1924-do-entroncamento-para-paris-no-seculo-xix\/","title":{"rendered":"A Cr\u00f3nica de Manuela Poitout: Am\u00e9lia Pereira (1859-1924) \u2013 Do Entroncamento para Paris, no S\u00e9culo XIX"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">A hist\u00f3ria que vou contar \u00e9 ver\u00eddica e documentada, ainda existem familiares de Am\u00e9lia Pereira Monteiro Aillaud no Entroncamento. \u00c9 a hist\u00f3ria de um percurso no feminino, um percurso brilhante, direi mesmo, brilhant\u00edssimo, mas discreto, numa \u00e9poca em que s\u00f3 estudavam as jovens das fam\u00edlias nobres e burguesas, apenas para adquirirem cultura, raramente para terem uma profiss\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-68821\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Amelia-1879-499x800.jpeg\" alt=\"\" width=\"499\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Amelia-1879-499x800.jpeg 499w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Amelia-1879-262x420.jpeg 262w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Amelia-1879.jpeg 506w\" sizes=\"auto, (max-width: 499px) 100vw, 499px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">O pai de Am\u00e9lia, Francisco Alberto Pereira, era serralheiro, natural de Torres Vedras. Conheceu Ant\u00f3nia, do Porto, a futura m\u00e3e dos seus filhos, e casaram em Lisboa, onde Francisco se estabelecera com uma oficina de constru\u00e7\u00e3o de carruagens de tra\u00e7\u00e3o animal, meio de transporte da \u00e9poca. Em Lisboa nasceram Em\u00edlia, Am\u00e9lia, Feliciano e Maria das Merc\u00eas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">O neg\u00f3cio de constru\u00e7\u00e3o de carruagens correu mal, e Francisco Alberto Pereira veio para os caminhos de ferro do Entroncamento, continuando com a sua fun\u00e7\u00e3o de serralheiro. Ter\u00e1 vindo em 1865, e foi morar para as Vaginhas, lugarejo um pouco distante da esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria, mas onde havia habita\u00e7\u00f5es. O Entroncamento, nesses primeiros anos, n\u00e3o tinha nada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Nas Vaginhas nasceram Feliciana e Rosalina, esta \u00faltima que veio a ser mestra de primeiras letras, e fundadora da primeira escola particular que existiu naquele pequeno lugar, e no Entroncamento que ent\u00e3o come\u00e7ava a formar-se.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Francisco tinha um irm\u00e3o, Ant\u00f3nio Alberto Pereira Torres, que era alfaiate, um alfaiate de uma certa categoria, presume-se, pois desempenhava na corte a fun\u00e7\u00e3o de reposteiro honor\u00e1rio da real c\u00e2mara. Ser reposteiro era um cargo em que o seu detentor tinha por dever correr as cortinas da c\u00e2mara real. Certamente n\u00e3o andaria pela corte somente para exercer aquela tarefa, fazia tamb\u00e9m o seu trabalho de alfaiate.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Pereira Torres fora nomeado, pelo rei D. Lu\u00eds, cavaleiro da ordem militar de Nosso Senhor Jesus Cristo, pelos servi\u00e7os prestados durante as epidemias de c\u00f3lera m\u00f3rbus e febre amarela, na capital, nos anos 1856 e 1857. Tamb\u00e9m recebeu, em 1866, do governador civil de Lisboa, uma medalha de prata \u201cpara distin\u00e7\u00e3o e pr\u00e9mio concedido ao m\u00e9rito, filantropia e generosidade, pelo zelo e dedica\u00e7\u00e3o com que se houve no inc\u00eandio dos pa\u00e7os do concelho de Lisboa e edif\u00edcios cont\u00edguos\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Esta enumera\u00e7\u00e3o de distin\u00e7\u00f5es mostra que Pereira Torres tinha tend\u00eancia para iniciativas de car\u00e1cter filantr\u00f3pico, e a sua frequ\u00eancia da corte deve ter-lhe alargado bastante os horizontes, porque decidiu ir para Paris, o que dever\u00e1 ter acontecido em 1867.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Por volta de 1868 ou 69, Pereira Torres veio ao Entroncamento, melhor dizendo, \u00e0s Vaginhas, com a ideia de levar uma sobrinha consigo, e foi Am\u00e9lia a escolhida, tinha ela uns 9 anos, idade j\u00e1 aceit\u00e1vel para fazer uma viagem longa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">A vis\u00e3o de Pereira Torres, em rela\u00e7\u00e3o a esta sobrinha, mostrou uma grande perspic\u00e1cia na avalia\u00e7\u00e3o das suas qualidades, porque Am\u00e9lia fez estudos at\u00e9 ao grau superior, e foi sempre uma \u00f3tima aluna. Foi reveladora, tamb\u00e9m, da mentalidade do tio, quanto aos estudos das mulheres, que a estadia em Paris propiciava, cidade aberta e cosmopolita.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">\u00c9 evidente que para fazer estes caminhos, naqueles tempos, era preciso ter dinheiro, e Pereira Torres teve de abrir os cord\u00f5es \u00e0 bolsa, mas sendo um alfaiate bem-sucedido, como narram as cr\u00f3nicas familiares, e os documentos encontrados confirmam, n\u00e3o deve ter sido dif\u00edcil.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-68820\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Amelia-Pereira-Aillaud-479x800.jpg\" alt=\"\" width=\"479\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Amelia-Pereira-Aillaud-479x800.jpg 479w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Amelia-Pereira-Aillaud-768x1284.jpg 768w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Amelia-Pereira-Aillaud-696x1163.jpg 696w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Amelia-Pereira-Aillaud-251x420.jpg 251w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Amelia-Pereira-Aillaud.jpg 864w\" sizes=\"auto, (max-width: 479px) 100vw, 479px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Talvez por ser portuguesa, Am\u00e9lia Pereira foi not\u00edcia de jornal, por causa dos seus exames. <span lang=\"fr-FR\">Em <\/span><span lang=\"fr-FR\"><i>La France<\/i><\/span><span lang=\"fr-FR\">, de 22 de julho de 1883, l\u00ea-se: \u00ab\u00a0Une jeune portugaise, M.elle Am\u00e9lia Pereira, vient de passer de la fa\u00e7on la plus brillante ses examens pour le brevet sup\u00e9rieur, au Pavillon Flore.\u00a0\u00bb<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span lang=\"fr-FR\">Em <\/span><span lang=\"fr-FR\"><i>L\u2019\u00c9venement<\/i><\/span><span lang=\"fr-FR\">, de 29 de julho de 1883, a not\u00edcia \u00e9 mais detalhada\u00a0: \u201cLes examens dits d\u2019H\u00f4tel de Ville ont \u00e9t\u00e9 particuli\u00e8rement remarquables cette session. Une jeune Portugaise, Mlle Am\u00e9lia Pereira, d\u00e9j\u00e0 deux fois dipl\u00f4m\u00e9e, a obtenu son brevet sup\u00e9rieur de la fa\u00e7on la plus brillante. Mlle Pereira, \u00e9l\u00e8ve de Mlle Lancelot, est la ni\u00e8ce de M. Torres, attach\u00e9 honoraire de la maison royale de Portugal.\u00a0\u00bb<\/span><\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-68818\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Morte-Amelia-Pereira.jpg\" alt=\"\" width=\"459\" height=\"467\" srcset=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Morte-Amelia-Pereira.jpg 459w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Morte-Amelia-Pereira-413x420.jpg 413w\" sizes=\"auto, (max-width: 459px) 100vw, 459px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Esta segunda not\u00edcia n\u00e3o s\u00f3 especifica que Am\u00e9lia j\u00e1 tinha dois diplomas quando fez este exame, com brilhantismo, mas que o seu tio era adido honor\u00e1rio da casa real portuguesa. N\u00e3o \u00e9 mencionada a circunst\u00e2ncia de ser alfaiate.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">H\u00e1 uma not\u00edcia anterior, de 1882, a prop\u00f3sito de uma lotaria de 500 francos ganha por Am\u00e9lia Pereira, em <i>Le courier du soir<\/i>, de 20 de novembro de 1882, e a\u00ed, sim, s\u00e3o mencionados os seus exames \u201csi brillants\u201d [t\u00e3o brilhantes], e o facto de ser sobrinha do conhecido alfaiate do Boulevard dos Italianos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Pereira Torres n\u00e3o se enganara na sua decis\u00e3o, Paris fora-lhe favor\u00e1vel como local de trabalho. Mas n\u00e3o viveu longa vida. Faleceu na mesma cidade em 9 de mar\u00e7o de 1890, com 58 anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Am\u00e9lia tornara-se professora de l\u00ednguas e tradutora, e poder\u00e1 ter sido na sua rela\u00e7\u00e3o com as editoras, que ter\u00e1 conhecido o jornalista e romancista Alfred Sirven; ou muito simplesmente, porque sendo o seu tio alfaiate das elites parisienses, ter\u00e1 sido, tamb\u00e9m, o alfaiate de Sirven. O que \u00e9 certo \u00e9 que \u00e9 este Sirven que assina a declara\u00e7\u00e3o de \u00f3bito de Ant\u00f3nio Alberto Pereira Torres. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Portanto, em 1890, Am\u00e9lia e Alfred Sirven j\u00e1 se conheciam. Vir\u00e3o a casar em 18 de novembro de 1896, depois de Sirven ter pedido o div\u00f3rcio do seu anterior casamento. N\u00e3o durou muito este, porque Sirven faleceu subitamente em 1910. Ficou conhecido como jornalista independente, s\u00e1tiro e panflet\u00e1rio, chegou a estar preso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Am\u00e9lia havia feito uma tradu\u00e7\u00e3o do ingl\u00eas para portugu\u00eas, da obra <i>O Caracter<\/i>, de Samuel Smiles, livro que teve reedi\u00e7\u00f5es em v\u00e1rias datas, algumas n\u00e3o datadas, e todas publicadas no Brasil pela editora <i>Garnier<\/i>, e \u00e9 este o \u00fanico livro com a men\u00e7\u00e3o do seu nome, como tradutora, na folha de rosto, que foi poss\u00edvel encontrar online, porque ainda \u00e9 procurado. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Ela trabalhava, tamb\u00e9m, para as <i>Edi\u00e7\u00f5es Aillaud<\/i>, do conhecido livreiro e editor J\u00falio Monteiro Aillaud, nascido em Coimbra e descendente de livreiros. J\u00falio Aillaud herdara de sua m\u00e3e uma livraria em Paris, e abrira outra em Lisboa. Em 1910, associou-se ao propriet\u00e1rio da <i>Livraria Bertrand<\/i>, a mais antiga livraria portuguesa, e nasceu a <i>Aillaud e Bertrand<\/i>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">De quando dataria o conhecimento de Am\u00e9lia com J\u00falio Aillaud, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Mas h\u00e1 uma biografia familiar de Am\u00e9lia, escrita por Eug\u00e9nio Poitout, seu sobrinho-neto, que indica ter sido a filha de J\u00falio Aillaud, Germaine, que ter\u00e1 sugerido o casamento do pai, j\u00e1 vi\u00favo, com Am\u00e9lia, tamb\u00e9m vi\u00fava. Com interfer\u00eancia, ou n\u00e3o, casaram ambos, em Paris, em 1912, no dia 6 de novembro. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Com este casamento, Am\u00e9lia volta a Lisboa, sua cidade natal, num enquadramento que lhe permite ter contactos diretos com escritores portugueses, pelos menos os que frequentavam a conhecida livraria do Chiado. Talvez j\u00e1 conhecesse pessoalmente alguns deles, como Aquilino Ribeiro, que estivera em Paris entre 1910 e 1914, e \u00e9 a Livraria <i>Aillaud e Bertrand<\/i> que, em 1913, edita <i>Jardim das Tormentas<\/i>, a primeira obra liter\u00e1ria de Aquilino, o qual marcar\u00e1 presen\u00e7a nas ex\u00e9quias de Am\u00e9lia, quando ela morrer.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">De relevar ainda, neste segundo casamento de Am\u00e9lia Pereira Monteiro Aillaud, o ambiente livreiro em Paris, onde Aillaud introduzia edi\u00e7\u00f5es com autores portugueses, e onde foi um dos fundadores da biblioteca portuguesa da Sorbonne.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Talvez Am\u00e9lia tenha deixado de fazer tradu\u00e7\u00f5es, ap\u00f3s o seu segundo casamento, mas continuou com atividades ligadas \u00e0 edi\u00e7\u00e3o, nomeadamente a revis\u00e3o de texto. Numa reedi\u00e7\u00e3o do <i>Vocabul\u00e1rio ortogr\u00e1fico e remissivo da l\u00edngua portuguesa<\/i>, da autoria do fil\u00f3logo, linguista e lexic\u00f3grafo Aniceto dos Reis Gon\u00e7alves Viana, o seu autor agradece a Am\u00e9lia, no pref\u00e1cio: \u201cResta-me agradecer aos benem\u00e9ritos editores o esmero empregado na primorosa edi\u00e7\u00e3o do Vocabul\u00e1rio; e por \u00faltimo tributar novos e bem merecidos louvores \u00e0 Ex.ma Snr\u00aa. D. Am\u00e9lia Pereira Sirven Aillaud Monteiro, que com a maior solicitude e provada compet\u00eancia se incumbiu, como j\u00e1 o fizera nas duas anteriores edi\u00e7\u00f5es, da dif\u00edcil e laborios\u00edssima revis\u00e3o de toda a obra, da qual o autor apenas recebeu uma prova tipogr\u00e1fica final, que parc\u00edssimas corre\u00e7\u00f5es teve de sofrer, tam perfeito foi aquele trabalho, executado em curto prazo, e pelo qual me confesso grat\u00edssimo, como \u00e9 dever meu indeclin\u00e1vel e de inteira justi\u00e7a.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">E note-se, para uma pessoa que deixara o seu pa\u00eds na meninice, passando a estar mergulhada noutra l\u00edngua, durante muitos anos, Am\u00e9lia mostrou dominar o portugu\u00eas. Rever um documento essencial da l\u00edngua portuguesa, como \u00e9 o <i>Vocabul\u00e1rio Ortogr\u00e1fico<\/i> de Gon\u00e7alves Viana, exigia conhecimentos lingu\u00edsticos bem afinados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Quanto mundo nesta trajet\u00f3ria de vida que se iniciara em Lisboa, e marcou definitivamente o rumo de Am\u00e9lia, ao sair do Entroncamento, de comboio, com destino a Paris. N\u00e3o um mundo geogr\u00e1fico, mas liter\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Am\u00e9lia Pereira Monteiro Aillaud morreu na sua resid\u00eancia em Lisboa, na rua de S\u00e3o Domingos \u00e0 Lapa, em 1 de setembro de 1924. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">A sua m\u00e3e Ant\u00f3nia, j\u00e1 muito idosa, ainda vivia, e continuava a residir na sua casa das Vaginhas, o pai j\u00e1 tinha falecido. Am\u00e9lia sempre mantivera la\u00e7os com a sua fam\u00edlia. Eug\u00e9nio Poitout, o sobrinho-neto que sobre ela escreveu, ainda a conheceu.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">H\u00e1 fotografias de Am\u00e9lia, uma delas, de 1879, tinha ela 20 anos, com uma dedicat\u00f3ria afetuosa para seus pais. Est\u00e1 a dedicat\u00f3ria em franc\u00eas, mas esta l\u00edngua tinha come\u00e7ado a espalhar-se pela fam\u00edlia. Em\u00edlia, uma das irm\u00e3s de Am\u00e9lia, era casada com um maquinista franc\u00eas que viera para o Entroncamento, Eug\u00e8ne Alexis Poitout.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">No funeral de Am\u00e9lia, entre as pessoas presentes, estavam o ministro de Portugal em Fran\u00e7a e a esposa, o Dr. Ant\u00f3nio Arroio, Dr. Caetano Beir\u00e3o da Veiga, Pedro Joyce Dinis, Aquilino Ribeiro, Carlos Selvagem, Dinis Bordalo Pinheiro, e todos os empregados das livrarias Aillaud e Bertrand. Am\u00e9lia fez quase todo o seu caminho de vida com os livros, e eles estiveram bem representados na sua morte.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">J\u00falio Aillaud morreu em Paris, em 9 de setembro de 1927. O seu corpo foi trasladado para Lisboa em novembro seguinte.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Nota final: A investiga\u00e7\u00e3o de documentos franceses, incluindo certid\u00f5es de \u00f3bito e de casamento, e not\u00edcias de jornal, foi feita por Francine Fabrello.<\/span><\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/a-cronica-de-manuela-poitout-amelia-pereira-1859-1924-do-entroncamento-para-paris-no-seculo-xix\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria que vou contar \u00e9 ver\u00eddica e documentada, ainda existem familiares de Am\u00e9lia Pereira Monteiro Aillaud no Entroncamento. \u00c9 a hist\u00f3ria de um percurso no feminino, um percurso brilhante, direi mesmo, brilhant\u00edssimo, mas discreto, numa \u00e9poca em que s\u00f3 estudavam as jovens das fam\u00edlias nobres e burguesas, apenas para adquirirem cultura, raramente para terem [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":19,"featured_media":68822,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[55,139,65],"tags":[],"class_list":{"0":"post-68817","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-cronica","8":"category-cronica-eol","9":"category-manuela-poitout"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68817","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=68817"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68817\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/68822"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=68817"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=68817"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=68817"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}