{"id":65412,"date":"2025-01-17T19:30:07","date_gmt":"2025-01-17T19:30:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=65412"},"modified":"2025-01-17T16:15:38","modified_gmt":"2025-01-17T16:15:38","slug":"a-cronica-de-sandra-may-entre-mudancas-e-conexoes-o-peso-das-tentativas-que-nao-chegam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/a-cronica-de-sandra-may-entre-mudancas-e-conexoes-o-peso-das-tentativas-que-nao-chegam\/","title":{"rendered":"A Cr\u00f3nica de Sandra May &#8211; Entre mudan\u00e7as e conex\u00f5es: &#8220;O peso das tentativas que n\u00e3o chegam&#8221;"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">H\u00e1 algo de brutalmente honesto no fracasso. N\u00e3o estou a falar daquele fracasso que subitamente se transforma numa grandiosa vit\u00f3ria no \u00faltimo minuto, como nos filmes que nos fazem acreditar que basta \u201cacreditar\u201d para conseguir. N\u00e3o. Falo do fracasso cru. O fracasso que n\u00e3o pede desculpas, que se instala e faz morada. Aquele que nos olha nos olhos e diz: <b>\u201cN\u00e3o vais chegar l\u00e1. E tens o direito de n\u00e3o te sentir bem com isso.\u201d <\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O fracasso real n\u00e3o tem uma banda sonora \u00e9pica que encaixa melodicamente na nossa vida, exatamente naquele momento chave, s\u00f3 para causar impacto a quem assiste de perto. \u00c9 o fracasso que acontece enquanto o mundo \u00e0 nossa volta continua indiferente, sem abrandar. \u00c9 o fracasso que nos visita demasiadas vezes, como uma nuvem pesada que nunca desaparece, que teima em colar no \u00fanico peda\u00e7o de c\u00e9u que paira sobre n\u00f3s, mesmo quando todos os outros lugares parecem limpos para os outros.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">E \u00e9 desconfort\u00e1vel admitir: <b>mas h\u00e1 quem lute uma vida inteira e n\u00e3o chegue l\u00e1<\/b>. Pessoas que se esfor\u00e7am, que acreditam, que d\u00e3o tudo de si e, mesmo assim, n\u00e3o cruzam a linha. Porque a vida n\u00e3o \u00e9 justa. Nunca foi. Porque o talento nem sempre \u00e9 suficiente. Porque o esfor\u00e7o n\u00e3o garante nada. E porque, muitas vezes, o mundo celebra quem j\u00e1 tinha os meios para vencer, enquanto os outros ficam no sil\u00eancio de uma luta invis\u00edvel.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Ent\u00e3o, s\u00f3 me resta perguntar: <b>o que sobra para quem n\u00e3o vence?<\/b> Como se vive com a ideia de que talvez sejamos \u201caqueles\u201d? Os que n\u00e3o ser\u00e3o lembrados, que n\u00e3o ter\u00e3o uma hist\u00f3ria inspiradora para contar, que passar\u00e3o pela vida como notas de rodap\u00e9 num livro que ningu\u00e9m vai ler?<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A resposta \u00e9 t\u00e3o simples quanto cruel: <b>aprende-se a viver com isso<\/b>. Aprende-se a carregar o peso do fracasso como se fosse uma segunda pele. Aprende-se a fazer as pazes com a ideia de que o valor de uma vida n\u00e3o est\u00e1 apenas nos aplausos, nos trof\u00e9us ou no reconhecimento. <b>Aprende-se, mas nunca se aceita totalmente<\/b>. Porque, sejamos honestos, quem n\u00e3o quer vencer? Quem n\u00e3o quer, pelo menos uma vez, sentir que foi visto, que foi suficiente?<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>O problema \u00e9 que ningu\u00e9m nos prepara para falhar sem reden\u00e7\u00e3o<\/b>. Vivemos num mundo que romantiza o fracasso como um trampolim para o sucesso. Mas e se n\u00e3o houver trampolim? E se tudo o que tivermos for o ch\u00e3o duro, onde ca\u00edmos repetidamente, sem a promessa de um final feliz? Ningu\u00e9m fala sobre isso. Sobre como d\u00f3i continuar a tentar quando o cora\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 exausto. Sobre como \u00e9 cruel olhar para os lados e ver que o mundo continua a girar, enquanto n\u00f3s ficamos parados no mesmo lugar, com vontade de girar com ele.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">E talvez seja isso. <b>Talvez o fracasso n\u00e3o tenha li\u00e7\u00f5es grandiosas para nos ensinar<\/b>.<b> Talvez n\u00e3o seja uma hist\u00f3ria de supera\u00e7\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o, mas apenas o que \u00e9: fracasso<\/b>. <b>Uma parte inevit\u00e1vel da experi\u00eancia humana<\/b>. E talvez, no meio disso, exista algo de profundamente humano. Porque o fracasso obriga-nos a encarar quem somos quando tudo o que queremos escapa sem olhar para tr\u00e1s. Ele arranca-nos as m\u00e1scaras e deixa-nos vulner\u00e1veis, despidos de pretens\u00f5es.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Talvez o verdadeiro desafio n\u00e3o seja vencer, mas encontrar sentido na tentativa. N\u00e3o transformar o fracasso numa vit\u00f3ria disfar\u00e7ada, mas aceit\u00e1-lo como parte do caminho. Porque, no fundo, a vida \u00e9 isso: <b>um percurso sem garantias<\/b>. E, \u00e0s vezes, o maior ato de viver \u00e9 reconhecer que n\u00e3o h\u00e1 mais nada a fazer, que o nosso \u201cbasta\u201d tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de resist\u00eancia.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">E quem sabe, talvez, no sil\u00eancio de um caminho sem aplausos, exista algo de profundamente libertador. Mesmo que, um dia, decidamos parar. E, nesse momento, descobrimos que o fracasso n\u00e3o nos define, mas a maneira como o carregamos pode revelar quem realmente somos: <b>algu\u00e9m que n\u00e3o foi feito para vencer, mas para existir, com tudo o que isso implica<\/b>.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">SANDRA MAY<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Acompanha o trabalho da autora em:<br \/>\n<\/i><\/span><\/span><span style=\"color: #467886;\"><u><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/saandramay\/\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>https:\/\/www.instagram.com\/saandramay\/<\/i><\/span><\/span><\/a><\/u><\/span><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i><br \/>\n<\/i><\/span><\/span><span style=\"color: #467886;\"><u><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/saandramay\/\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>https:\/\/www.facebook.com\/saandramay\/<\/i><\/span><\/span><\/a><\/u><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/a-cronica-de-sandra-may-entre-mudancas-e-conexoes-o-peso-das-tentativas-que-nao-chegam\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 algo de brutalmente honesto no fracasso. 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