{"id":64778,"date":"2024-11-26T11:01:20","date_gmt":"2024-11-26T11:01:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=64778"},"modified":"2024-11-26T11:03:02","modified_gmt":"2024-11-26T11:03:02","slug":"a-cronica-de-sandra-may-peles-que-o-tempo-tece","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/a-cronica-de-sandra-may-peles-que-o-tempo-tece\/","title":{"rendered":"A Cr\u00f3nica de Sandra May: &#8220;Peles que o tempo tece&#8221;"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Dou por mim a pensar que, muito provavelmente, mud\u00e1mos mais vezes do que o cora\u00e7\u00e3o consegue suportar. N\u00e3o porque realmente o queremos, mas porque as circunst\u00e2ncias assim o exigem. J\u00e1 paraste para refletir o quanto juramos querer ficar exatamente onde estamos e, num piscar de olhos, somos levados pela corrente? A mudan\u00e7a, essa velha companheira, insiste, uma e outra vez, em bater-nos \u00e0 porta. E o que fazemos? Abrimos. Abrimos sempre. <b>Mas ningu\u00e9m nos avisa que, ao faz\u00ea-lo, oferecemos o peito para uma aut\u00f3psia emocional. Somos desfolhados at\u00e9 ao n\u00facleo e, tal como uma serpente, uma nova pele come\u00e7a a crescer em n\u00f3s. <\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Falar desta forma parece que todas as mudan\u00e7as s\u00e3o positivas ou uma promessa de algo maior. Mas n\u00e3o. Gostava de dizer-te que deves arriscar todas as vezes, porque, afinal, s\u00f3 vivemos esta vida uma \u00fanica vez. E quem n\u00e3o gosta de sonhar mais alto, mais longe, mais\u2026 intensamente? <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Adoro a mudan\u00e7a, mas n\u00e3o por inteiro. Acredito ter descoberto porque tantas pessoas a temem, acredito porque talvez at\u00e9 tu a temas. E a resposta \u00e9 t\u00e3o simples quanto complexa. <b>Mudar exige um pre\u00e7o: deixar algo para tr\u00e1s<\/b>. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Imagina, por instantes, teres concretizado aquele sonho que juravas amar at\u00e9 ao fim dos teus dias. Aquele sonho que era casa e abrigo, onde cada repeti\u00e7\u00e3o era melodia, cada esfor\u00e7o, uma ora\u00e7\u00e3o ouvida. Perseguias cegamente a perfei\u00e7\u00e3o inating\u00edvel e afastavas as m\u00e1s l\u00ednguas da tua mente porque tinhas a certeza de que era por ali. At\u00e9 que, um dia, t\u00e3o normal como o de hoje, acordas. E d\u00f3i. D\u00f3i olhar no espelho e ver que o sonho se tornou numa pris\u00e3o dourada, que a m\u00e1scara que constru\u00edste para brilhar \u00e9 agora o que te impede de respirar. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Quando isto acontece pela primeira vez, h\u00e1 uma for\u00e7a bruta que cresce em ti. Choras. Choras muito, mas tamb\u00e9m limpas as l\u00e1grimas e dizes: \u201c<i>Vou largar e seguir em frente<\/i>\u201d. A decis\u00e3o \u00e9 tudo menos rom\u00e2ntica. \u00c9 crua. \u00c9 visceral! Mas segues. E recome\u00e7as. E, algures no caminho, o ciclo recome\u00e7a. Apaixonas-te por algo novo, entregas-te por completo, lutas e acreditas cegamente. At\u00e9 que, novamente, a mudan\u00e7a aparece e percebes que n\u00e3o podes ficar. Um ciclo sem fim parece instalar-se na tua vida e tu percebes que \u00e9 muito dif\u00edcil alinhar a paix\u00e3o com o prop\u00f3sito.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>\u00c9 aqui que encontramos o paradoxo da mudan\u00e7a<\/b>. Por mais que nos reinventemos, h\u00e1 algo em n\u00f3s que insiste em ficar. H\u00e1 h\u00e1bitos que teimam em voltar e medos que j\u00e1 nos eram familiares aparecem em novas formas. E \u00e9 aqui, neste momento, que est\u00e1 o verdadeiro desafio da mudan\u00e7a: <b>aceitar que a transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o apaga quem fomos, que o novo n\u00e3o destr\u00f3i o antigo. Apenas o integra, peda\u00e7o a peda\u00e7o, numa vers\u00e3o mais completa e, talvez, mais aut\u00eantica de n\u00f3s mesmos. <\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">H\u00e1 quem diga que mudar \u00e9 um ato de coragem. Sim, tamb\u00e9m o sinto, mas essa coragem n\u00e3o \u00e9 heroica, \u00e9 essencial<b>. Ningu\u00e9m fala que essa coragem adv\u00e9m de um instinto de sobreviv\u00eancia.<\/b> E quando o mundo insiste em girar \u00e0 nossa volta, a verdadeira desist\u00eancia \u00e9 estagnar no movimento que fazemos com ele. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Lembra-te: <b>reinventares-te n\u00e3o \u00e9 apagar o passado<\/b>. O passado n\u00e3o se altera. O passado \u00e9 uma dan\u00e7a cheia de li\u00e7\u00f5es que, por vezes, nos lembram que <b>dan\u00e7ar fora de ritmo tamb\u00e9m \u00e9 dan\u00e7ar<\/b>. \u00c9 olhar para cada escolha que j\u00e1 fizeste e perceber que, sem elas, talvez o agora n\u00e3o fosse t\u00e3o significativo. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Se vais carregar arrependimentos? Claro que vais. E vais falhar. Vezes sem conta. Mas \u00e9 isso que nos humaniza, n\u00e3o \u00e9? Saber que nunca teremos todas as respostas e muito menos certezas. <b>Afinal, somos meros mosaicos feitos de fragmentos que vamos recolhendo no caminho<\/b>.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Talvez, o maior segredo seja este: <b>n\u00e3o importa se chegamos ao destino<\/b>. O que importa \u00e9 termos dan\u00e7ado, com tudo o que somos, at\u00e9 ao \u00faltimo sopro.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Aproveita.<\/span><\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">SANDRA MAY<br \/>\n25.11.2024<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/a-cronica-de-sandra-may-peles-que-o-tempo-tece\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dou por mim a pensar que, muito provavelmente, mud\u00e1mos mais vezes do que o cora\u00e7\u00e3o consegue suportar. 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