{"id":64398,"date":"2024-10-24T15:30:06","date_gmt":"2024-10-24T14:30:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=64398"},"modified":"2024-10-25T12:17:32","modified_gmt":"2024-10-25T11:17:32","slug":"opiniao-os-desafios-do-entroncamento-uma-cidade-adolescente-com-dores-de-crescimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/opiniao-os-desafios-do-entroncamento-uma-cidade-adolescente-com-dores-de-crescimento\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Os desafios do Entroncamento, uma cidade adolescente com dores de crescimento"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, 24 de outubro, \u00e9 dia municipal para a Igualdade. Estou a escrever esta cr\u00f3nica no Cineteatro S\u00e3o Jo\u00e3o, no F\u00f3rum Igualdade na Juventude e a sala est\u00e1 muito composta, acima de tudo por alunos do Agrupamento de Escolas da cidade.<\/p>\n<p>\u00c9 bom ver tantos estudantes, adolescentes, de v\u00e1rias origens, cores de pele, estilos, a ver e ouvir os intervenientes no f\u00f3rum. \u00c9 assim que v\u00e3o recebendo imagens sobre o passado, um cinzento passado, e se v\u00e3o apercebendo que hoje, felizmente, o nosso pa\u00eds est\u00e1 mais igual, mais tolerante, apesar de ainda haver um longo caminho a percorrer.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 ao olhar para estas dezenas e dezenas de alunos, ao olhar para esta paleta de cores e diversidade, que se vislumbra o futuro, porque \u00e9 nas escolas que a integra\u00e7\u00e3o acontece, as barreiras se derrubam e a cidade floresce.<\/p>\n<p>E \u00e9 preciso escrever, falar e discutir o que tem acontecido na cidade, nomeadamente atos criminosos cometidos por um punhado de meliantes. O ru\u00eddo foi e \u00e9 tal que nos esquecemos de olhar para os aspetos positivos.<\/p>\n<p>O Entroncamento \u00e9 uma cidade que, h\u00e1 bem pouco tempo, era um aldeia. E antes de poder estabelecer-se como aldeia j\u00e1 estava a ser empurrada para vila. Quando chegou a cidade ainda estava no in\u00edcio da adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p>Lembro-me bem da cidade de h\u00e1 cerca de 30 anos quando eu, que jogava futebol no Clube Amador de Desportos do Entroncamento, entrava no comboio em Santa Margarida (Const\u00e2ncia) e atravessava o Tejo semanalmente para chegar \u00e0 cidade. Era uma cidade com menos luz, mais triste. E j\u00e1 nessa altura olhava para a arquitetura da cidade e descobria dores de crescimento.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 raro encontrar locais em que se sente a \u201carqueologia\u201d da cidade. Uma casa t\u00e9rrea de aldeia, seguida de um pr\u00e9dio com dois andares e seguido de outro com 5, 6 andares. Olhar para esta imagem \u00e9 perceber que o Entroncamento foi \u201cobrigado\u201d a crescer mais depressa, que quase n\u00e3o teve tempo para viver a sua inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia. A esta\u00e7\u00e3o de comboios alimentou a cidade com combust\u00edvel, leia-se pessoas, trabalhadores, moradores, visitantes.<\/p>\n<p>E o combust\u00edvel fez com que o comboio acelerasse, por vezes sem controlo.<\/p>\n<p>Hoje, a cidade \u00e9 cosmopolita, diversificada, desassombrada. N\u00e3o perceber isto \u00e9 n\u00e3o lembrar a aldeia. A cidade \u00e9 isto tudo mas ainda tem tiques de aldeia, com as suas facetas positivas e negativas. \u00c9 uma cidade relativamente pequena, onde se pode ir de um limite geogr\u00e1fico ao outro de forma bastante f\u00e1cil e r\u00e1pida. Como nas aldeias, os mexericos s\u00e3o uma constante. Como nas aldeias, n\u00e3o todas, claro, h\u00e1 falta de mundo. Falta mundo a muitas pessoas, porque \u00e9 a viajar e a conhecer que vamos ficando mais tolerantes. Falta despojarmo-nos de quando em vez do nosso egocentrismo.<\/p>\n<p>Sim, o Entroncamento tem problemas. Que cidade n\u00e3o os tem? A imigra\u00e7\u00e3o alterou a defini\u00e7\u00e3o da cidade mas arrisco, com confian\u00e7a, a dizer que a alterou para melhor.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 nada f\u00e1cil, para quem gere o munic\u00edpio, as escolas, as institui\u00e7\u00f5es, verem-se perante t\u00e3o bruscas altera\u00e7\u00f5es sociais. E apesar de n\u00e3o querer arranjar desculpas para os erros cometidos, estamos a falar sobre uma cidade adolescente, que cresceu t\u00e3o depressa que o seu corpo ficou algo disforme e que agora tem de trabalhar para ficar em forma, para corrigir esses erros. Uma cidade que ainda vai ao pediatra.<\/p>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a, falsa ou n\u00e3o, \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o que parte de acontecimentos factuais, mas que depois se alastra e de torrna disforme na acefalia das redes sociais. Tal como numa aldeia, as conversas come\u00e7am com a informa\u00e7\u00e3o de que o filho da vizinha partiu um dedo a jogar \u00e0 bola e, depois de essa mesma informa\u00e7\u00e3o passar por v\u00e1rias bocas e cabe\u00e7as, no fim j\u00e1 o filho da vizinha estava no hospital em coma pondo a aldeia em alvoro\u00e7o e clamor. N\u00e3o, o filho da vizinha partiu um dedo, o dedo mindinho, estava na baliza.<\/p>\n<p>\u00c9 uma responsabilidade de todos(as) ter cuidado e pausa quando se atiram vorazmente para os ecr\u00e3s e teclados para destilar \u00f3dio. Quer queiramos quer n\u00e3o, estamos a construir uma \u201crealidade\u201d social que ser\u00e1 habitada pelas novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Sim, houve e h\u00e1 assaltos na cidade, mas n\u00e3o \u00e9 exclusivo do Entroncamento. Embora pare\u00e7a.<\/p>\n<p>Estar aqui, no cineteatro, a discutir a Igualdade \u00e9 pensar como cidade, sem desprimor para as aldeias ou vilas. E \u00e9 por ver aqui estas muitas dezenas de crian\u00e7as e adolescentes a ouvir falar sobre o que os une e n\u00e3o o que os separa que consigo vislumbrar o futuro, mais coeso e adulto. Acredito, piamente, que \u00e9 nas escolas, no conv\u00edvio entre cren\u00e7as, costumes e origens diferentes (com a ingenuidade e esperan\u00e7a como ingredientes secretos) que a cidade se poder\u00e1 emancipar com maior solidez. Acredito que s\u00e3o as crian\u00e7as e os adolescentes que v\u00e3o ensinar o Entroncamento a ser adulto, mas um adulto com sonhos.<\/p>\n<p>Todos os apelos a que n\u00e3o se envenene o po\u00e7o, de onde todos bebemos, s\u00e3o poucos. Somos adultos e comportamo-nos tantas vezes como crian\u00e7as indisciplinadas. Tudo o que fazemos, dizemos e escrevemos, bom ou mau, espalha-se rapidamente nesta cidade-vila que h\u00e1 pouco tempo era aldeia.<\/p>\n<p>Temos de dar tempo e espa\u00e7o para que as novas gera\u00e7\u00f5es se emancipem, de as deixar crescer ao ritmo certo, e n\u00e3o criar condi\u00e7\u00f5es para que tenham dores de crescimento desmesuradas.<\/p>\n<p>Est\u00e1 nas nossas m\u00e3os. E teclados.<\/p>\n<p><em>Ricardo Alves &#8211; Diretor EOL<\/em><\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/opiniao-os-desafios-do-entroncamento-uma-cidade-adolescente-com-dores-de-crescimento\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, 24 de outubro, \u00e9 dia municipal para a Igualdade. 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