{"id":62245,"date":"2024-04-23T22:43:30","date_gmt":"2024-04-23T21:43:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=62245"},"modified":"2024-04-24T09:16:56","modified_gmt":"2024-04-24T08:16:56","slug":"manuela-poitout-uma-ilusao-de-liberdade-em-1945-o-entroncamento-nas-litas-do-mud","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/manuela-poitout-uma-ilusao-de-liberdade-em-1945-o-entroncamento-nas-litas-do-mud\/","title":{"rendered":"MANUELA POITOUT | Uma ilus\u00e3o de Liberdade em 1945 | O Entroncamento nas listas do MUD"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1174\" aria-describedby=\"caption-attachment-1174\" style=\"width: 271px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1174\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ManuelaPoitout.jpg\" alt=\"\" width=\"271\" height=\"292\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1174\" class=\"wp-caption-text\">Manuela Poitout<br \/>manuelapoitout@entroncamentoonline.pt<\/figcaption><\/figure>\n<p>Por raz\u00f5es que se prendem com os meus trabalhos e as minhas pesquisas, fui \u00e0 procura do nome de um m\u00e9dico, nas listas do MUD, <em>Movimento de Unidade Democr\u00e1tica<\/em> nascido em 1945, devido a circunst\u00e2ncias que ser\u00e3o explicadas mais adiante.<\/p>\n<p>Foi um trabalho \u00e1rduo, que exigiu tempo e paci\u00eancia, porque o acervo dispon\u00edvel online (Casa Comum, Funda\u00e7\u00e3o M\u00e1rio Soares, Cole\u00e7\u00e3o Ricon Peres) consta de sete pastas com 2.650 listas e um total de 57.131 assinaturas, grande parte delas de residentes no distrito de Lisboa. Dispus-me, pois, a percorrer lista a lista, onde constam o nome dos subscritores, a sua profiss\u00e3o e resid\u00eancia. E foi com esse objetivo que eu fui lendo, atenta apenas \u00e0 pessoa que procurava e \u00e0 profiss\u00e3o de m\u00e9dico, quando um nome conhecido, que n\u00e3o era o que tinha em mente, se perfilou sob os meus olhos.\u00a0 Imposs\u00edvel ignorar!<\/p>\n<figure id=\"attachment_62246\" aria-describedby=\"caption-attachment-62246\" style=\"width: 563px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-62246 size-medium\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/MUD-Entroncamento-varios-563x800.png\" alt=\"\" width=\"563\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/MUD-Entroncamento-varios-563x800.png 563w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/MUD-Entroncamento-varios-1424x2024.png 1424w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/MUD-Entroncamento-varios-768x1092.png 768w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/MUD-Entroncamento-varios-1080x1536.png 1080w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/MUD-Entroncamento-varios-1440x2048.png 1440w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/MUD-Entroncamento-varios-696x990.png 696w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/MUD-Entroncamento-varios-1068x1518.png 1068w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/MUD-Entroncamento-varios-295x420.png 295w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/MUD-Entroncamento-varios.png 1669w\" sizes=\"auto, (max-width: 563px) 100vw, 563px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-62246\" class=\"wp-caption-text\">(1945), &#8220;Listas do MUD (Movimento de Unidade Democr\u00e1tica)&#8221;, Funda\u00e7\u00e3o M\u00e1rio Soares e Maria Barroso\/ Coronel Ricon Peres, Dispon\u00edvel HTTP: http:\/\/www.casacomum.org\/cc\/visualizador?pasta=10395.001 (2024- 4-23)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ali estava a assinatura de Ablio da Silva Estudante, ent\u00e3o estudante de Veterin\u00e1ria, e que foi meu colega, uns bons anos depois, na Escola Dr. Ruy d\u2019Andrade. Esta descoberta entusiasmou-me.<\/p>\n<p>Pouco adiante, foi a palavra Entroncamento que me chamou a aten\u00e7\u00e3o. Foi a partir desta segunda descoberta que os olhos se agu\u00e7aram para os ferrovi\u00e1rios e para nomes conhecidos.<\/p>\n<p>Entre os ferrovi\u00e1rios encontrados, tr\u00eas deles eram moradores na rua Elias Garcia, aquela onde eu nasci e cresci. S\u00f3 um dos nomes me pareceu familiar. O facto de terem assinado uma lista de Lisboa mostra que havia grande contacto dos ferrovi\u00e1rios entre si. E as surpresas n\u00e3o ficaram s\u00f3 pelo Entroncamento, porque encontrei cinco pessoas da minha fam\u00edlia, entre elas o meu av\u00f4 materno.<\/p>\n<figure id=\"attachment_62247\" aria-describedby=\"caption-attachment-62247\" style=\"width: 567px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-62247 size-medium\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/thumbnail_MUD-Entroncamento-Meia-Via-Argea-e-moita-do-norte-567x800.png\" alt=\"\" width=\"567\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/thumbnail_MUD-Entroncamento-Meia-Via-Argea-e-moita-do-norte-567x800.png 567w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/thumbnail_MUD-Entroncamento-Meia-Via-Argea-e-moita-do-norte-1434x2024.png 1434w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/thumbnail_MUD-Entroncamento-Meia-Via-Argea-e-moita-do-norte-768x1084.png 768w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/thumbnail_MUD-Entroncamento-Meia-Via-Argea-e-moita-do-norte-1088x1536.png 1088w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/thumbnail_MUD-Entroncamento-Meia-Via-Argea-e-moita-do-norte.png 1676w\" sizes=\"auto, (max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-62247\" class=\"wp-caption-text\">(1945), &#8220;Listas do MUD (Movimento de Unidade Democr\u00e1tica)&#8221;, Funda\u00e7\u00e3o M\u00e1rio Soares e Maria Barroso\/ Coronel Ricon Peres, Dispon\u00edvel HTTP: http:\/\/www.casacomum.org\/cc\/visualizador?pasta=10395.001 (2024- 4-23)<\/figcaption><\/figure>\n<p>E chegados a este ponto, \u00e9 a altura de explicar o que era o MUD, e porque surgiu.<\/p>\n<p>1945 foi o ano do fim da Segunda Guerra Mundial, que come\u00e7ara em 1 de setembro de 1939, com a invas\u00e3o da Pol\u00f3nia pela Alemanha. Nesse dia do come\u00e7o, Salazar reuniu separadamente com o ministro da Alemanha e o embaixador de Inglaterra, ap\u00f3s o que emitiu para a imprensa o seguinte comunicado:<\/p>\n<p>\u201cOs deveres da nossa alian\u00e7a com a Inglaterra, que n\u00e3o queremos eximir-nos a confirmar em momento t\u00e3o grave, n\u00e3o nos obrigam a abandonar nesta emerg\u00eancia a situa\u00e7\u00e3o de neutralidade. O Governo considerar\u00e1 como o mais alto servi\u00e7o ou a maior gra\u00e7a da Provid\u00eancia poder manter a paz para o povo portugu\u00eas e espera que nem os interesses do Pa\u00eds, nem a sua dignidade, nem as suas obriga\u00e7\u00f5es lhe imponham compromet\u00ea-la.\u201d<\/p>\n<p>\u00c0s 2 horas e 41 minutos do dia 8 de maio de 1945, terminou a guerra, pela capitula\u00e7\u00e3o incondicional da Alemanha \u00e0s for\u00e7as aliadas.<\/p>\n<p>Em Portugal, que se mantivera neutro, \u00e9 dissolvida a Assembleia Nacional e s\u00e3o marcadas elei\u00e7\u00f5es para o dia 18 de novembro, desse ano, sobre as quais Salazar afirmou que seriam t\u00e3o livres como na livre Inglaterra, com listas independentes e liberdade de imprensa, tendo o Governo promulgado uma amnistia.<\/p>\n<p>Foi na sequ\u00eancia destes acontecimentos, que um grupo de democratas pediu autoriza\u00e7\u00e3o para se reunir no Centro Escolar Republicano Almirante Reis, a fim de analisar o momento pol\u00edtico e a nova lei eleitoral, e decidir do seu concurso \u00e0s elei\u00e7\u00f5es. Esses elementos que ali se reuniram, formaram a primeira Comiss\u00e3o Central do MUD, <em>Movimento de Unidade Democr\u00e1tica<\/em>.<\/p>\n<p>Dessa reuni\u00e3o resultou um relat\u00f3rio, em que se pediam o adiamento das elei\u00e7\u00f5es por seis meses; autoriza\u00e7\u00e3o para a cria\u00e7\u00e3o de partidos ou organismos pol\u00edticos; garantias de liberdade individual, de reuni\u00e3o e de express\u00e3o; imprensa livre; e outras liberdades e garantias. O que se pretendia era construir a oposi\u00e7\u00e3o na legalidade e proporcionar um debate p\u00fablico sobre as elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Formaram-se comiss\u00f5es, recolheram-se assinaturas, e o Movimento estendeu-se \u00e0 prov\u00edncia. Muitas das listas eram encimadas pela frase:<\/p>\n<p>\u201cOs abaixo-assinados declaram dar o seu completo acordo \u00e0s decis\u00f5es tomadas na reuni\u00e3o do Centro Escolar Republicano Almirante Reis, no dia 8 de outubro de 1945.\u201d<\/p>\n<p>Todas as classes sociais aparecem nas listas, desde antigos ministros, professores, incluindo universit\u00e1rios, m\u00e9dicos, advogados, engenheiros, arquitetos, artistas, atores, escritores, editores, grande n\u00famero de jornalistas dos jornais Rep\u00fablica, Di\u00e1rio de Lisboa, Di\u00e1rio de Not\u00edcias e Di\u00e1rio Popular, estudantes, funcion\u00e1rios p\u00fablicos e do com\u00e9rcio, escritur\u00e1rios, oper\u00e1rios, milhares deles de todos os of\u00edcios, muitos ferrovi\u00e1rios, muitas mulheres, quer as que tinham profiss\u00f5es, quer as denominadas dom\u00e9sticas. Entre as conhecidas, Maria Lamas, escritora, jornalista, defensora dos direitos das mulheres, que fez parte da Comiss\u00e3o Central; Cesina Bermudes, a segundo m\u00e9dica doutorada em Portugal, e introdutora do parto sem dor, ativista pol\u00edtica que se dedicou a atender parturientes do PCP na clandestinidade; Maria Barroso, ent\u00e3o estudante universit\u00e1ria; e Manuela de Azevedo, jornalista, que vir\u00e1, mais tarde, a fundar a Associa\u00e7\u00e3o Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es, em Const\u00e2ncia. Mas estas, n\u00e3o nos admira que tivessem assinado as listas; o que causa admira\u00e7\u00e3o s\u00e3o as centenas de mulheres an\u00f3nimas, num tempo em que n\u00e3o era usual, nem bem visto, as mulheres tomarem posi\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Entre os homens, uma das surpresas \u00e9 Jos\u00e9 Hermano Saraiva, ent\u00e3o professor no Liceu Passos Manuel, figura que foi, depois, muito ligada ao regime de Salazar, e que n\u00f3s bem conhecemos da televis\u00e3o, como historiador.<\/p>\n<p>O Governo rejeitou as pretens\u00f5es do MUD, que inspirado pelo grande apoio popular, resolveu apresentar um recurso ao Supremo Tribunal Administrativo, com o intuito de impugnar a data das elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Tentando conter a grande expans\u00e3o do Movimento, ou, pelo menos, minar-lhe as resist\u00eancias, o Minist\u00e9rio do Interior pediu as listas, para verificar a legalidade delas, diziam eles, isto \u00e9, se havia nomes repetidos ou assinaturas falsas. A constitui\u00e7\u00e3o das listas fora legal, porque ocorreu durante o per\u00edodo eleitoral, mas a sua dimens\u00e3o deve ter surpreendido Salazar.<\/p>\n<p>O que aconteceu foi que a PIDE copiou as listas integralmente, em cada uma sublinhou as pessoas a vigiar, a l\u00e1pis vermelho ou azul, os m\u00e9dicos, os advogados, arquitetos, engenheiros, professores do ensino oficial, artistas, intelectuais, jornalistas, militares no ativo ou aposentados, que s\u00e3o muitos, esses s\u00e3o todos sublinhados, e muitos outros, como os desenhadores. Toda essa gente riscada a vermelho ou a azul ficou debaixo de mira, porque l\u00e1 constavam n\u00e3o s\u00f3 os seus nomes, mas tamb\u00e9m as profiss\u00f5es e resid\u00eancias.<\/p>\n<p>Em 7 de outubro de 1945, o <em>Di\u00e1rio de Lisboa<\/em> informara em grande t\u00edtulo, na p\u00e1gina central, que o chefe do Governo anunciara liberdade de imprensa. E abria uma das colunas com esta informa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cO Governo julga, no entanto, essencial \u00e0 dignidade da sua pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o que existam de direito e de facto as condi\u00e7\u00f5es de seriedade, de seguran\u00e7a e liberdade correspondentes \u00e0s magnitudes destes atos.\u201d<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica, o <em>Di\u00e1rio de Not\u00edcias<\/em> de 15 de outubro de 1945, que se publicava em New Bedford para os emigrantes portugueses, anunciava na 1.\u00aa p\u00e1gina: \u201cA imprensa portuguesa j\u00e1 pode criticar a obra do Presidente do Conselho\u201d, mas logo a seguir, no mesmo jornal, dado que as not\u00edcias iam chegando umas ap\u00f3s outras, informa que, afinal,<\/p>\n<p>Salazar repusera a censura, e que os p\u00e1rocos pediram nas missas: \u201cEsperamos que voteis pelo partido que apoia o Governo que manteve os direitos da Igreja.\u201d<\/p>\n<p>Os acontecimentos subsequentes mostraram que aquela abertura do Governo a elei\u00e7\u00f5es livres era uma esp\u00e9cie de trompe-l\u2019oeil para as democracias que tinham participado na guerra e davam o seu apoio a Salazar, e o MUD resolveu n\u00e3o participar nas elei\u00e7\u00f5es. Posteriormente foi ilegalizado, mas continuou na clandestinidade.<\/p>\n<p>Contudo, se aparentemente Salazar dominou a situa\u00e7\u00e3o, o desconforto causado por estas iniciativas foi acentuado na imprensa inglesa conservadora, nomeadamente no jornal \u201cThe Observer\u201d, de 11 de novembro de 1945:<\/p>\n<p>\u201cTer\u00e3o lugar no pr\u00f3ximo Domingo as elei\u00e7\u00f5es para uma Assembleia Nacional em Portugal.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 uma conclus\u00e3o de antem\u00e3o conhecida, desde que a oposi\u00e7\u00e3o se retirou, depois da recusa de Salazar para considerar o adiamento pedido.<\/p>\n<p>Mas isto n\u00e3o poder\u00e1 curar a profunda ferida moral que o ditador sofreu durante a campanha eleitoral.<\/p>\n<p>Ou porque ele se julgava mais popular entre os seus compatriotas do que realmente era, ou ent\u00e3o para guardar a apar\u00eancia internacional \u2013 o Dr. Salazar garantiu certas liberdades de express\u00e3o durante a campanha.<\/p>\n<p>Um dos seus partid\u00e1rios declarou que as elei\u00e7\u00f5es seriam para ingl\u00eas ver (for the English to see).<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, a limitada liberdade foi suficiente para revelar a extens\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o a este regime.<\/p>\n<p>Praticamente o total de intelectuais, a classe m\u00e9dia, os trabalhadores e a maioria da imprensa portuguesa t\u00eam declarado inequivocamente a sua oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas da oposi\u00e7\u00e3o pelo pa\u00eds t\u00eam sido efetuadas com not\u00e1vel vigor, modera\u00e7\u00e3o e ordem.<\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o do Dr. Salazar parece t\u00e3o fraca que a hierarquia cat\u00f3lica portuguesa achou necess\u00e1rio &#8211; apesar da retirada da oposi\u00e7\u00e3o \u2013 exortar o povo para ir \u00e0s elei\u00e7\u00f5es.\u201d (Tradu\u00e7\u00e3o de artigo publicado no jornal ingl\u00eas The Observer de 11 de novembro de 1945, Esp\u00f3lio de Pinto Quartin, Arquivo de Hist\u00f3ria Social)<\/p>\n<p>Fernando Dacosta, jornalista, entendeu esta abertura do regime de outro modo. Para ele, foi uma armadilha pensada por Salazar, n\u00e3o destinada ao estrangeiro, mas aos cidad\u00e3os nacionais.<\/p>\n<p>\u201cO isco funciona. O regime passa a conhecer os seus novos inimigos. A pol\u00edcia atualiza os ficheiros. Os senhores da situa\u00e7\u00e3o correm, uma vez mais, assustados, reverentes, para o seu chefe.<\/p>\n<p>A repress\u00e3o dispara: no funcionalismo, no ensino, na justi\u00e7a, na Igreja, na administra\u00e7\u00e3o, na imprensa, nas empresas, nas f\u00e1bricas, nos campos. A esquerda n\u00e3o desmobiliza, por\u00e9m. Levantamentos, greves, rebeli\u00f5es, golpes, sucedem-se em cadeia.\u201d (Fernando Dacosta, <em>M\u00e1scaras de Salazar<\/em>, p. 83)<\/p>\n<p>Procurando pela imprensa vizinha alguma not\u00edcia elucidativa das movimenta\u00e7\u00f5es da oposi\u00e7\u00e3o na nossa regi\u00e3o, uma vez que o Entroncamento n\u00e3o tinha qualquer \u00f3rg\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o, em 1945, no jornal <em>O Almonda<\/em>, de Torres Novas, de 20 de outubro de 1945, encontrei uma pequena not\u00edcia. E fiquei a saber que alguns torrejanos tinham ido a Santar\u00e9m, de carro, \u201c\u00e0 reuni\u00e3o dos<em> democratas<\/em>, como se intitula a oposi\u00e7\u00e3o ao Governo\u201d, e que o oper\u00e1rio fora de comboio.<\/p>\n<p>E um coment\u00e1rio sobre as listas:<\/p>\n<p>\u201cVai por a\u00ed grande az\u00e1fama masculina e\u2026 at\u00e9 feminina em busca de assinaturas a pedir\u2026 liberdade!<\/p>\n<p>A maneira como algumas foram apanhadas mostra bem o conceito de liberdade de tais angariadores!&#8230;\u201d<\/p>\n<p><em>O Almonda<\/em> era um jornal afeto ao regime e \u00e0 Igreja.<\/p>\n<p>O <em>Di\u00e1rio de Not\u00edcias<\/em> americano, que n\u00e3o estava sujeito \u00e0 censura, n\u00e3o se coibiu de fazer as suas aprecia\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>\u201c(\u2026) O povo portugu\u00eas, apesar das tiranias, das opress\u00f5es, mant\u00e9m-se firme apoiando o Movimento de Unidade Democr\u00e1tica, como a maneira de resolver o grave problema pol\u00edtico portugu\u00eas sem derramamento de sangue, nem guerras civis, as quais procura evitar de maneira disciplinada, ordeira, mas firme e intransigente.<\/p>\n<p>Os milhares de oper\u00e1rios dos estaleiros navais, dos arsenais da Marinha, telegrafaram ao Ministro da Marinha comunicando-lhe a sua ades\u00e3o ao Movimento de Unidade Democr\u00e1tica, reunindo-se assim aos oper\u00e1rios de todo o pa\u00eds, aos ferrovi\u00e1rios e a tantos outros trabalhadores.<\/p>\n<p>As paredes de Lisboa e das principais cidades do pa\u00eds est\u00e3o cheias de grandes cartazes de propaganda fascista, tal como se observou na Alemanha Hitleriana, e na It\u00e1lia de Mussolini. (\u2026) <em>Di\u00e1rio de Not\u00edcias<\/em>, 5 de dezembro de 1945, New Bedford, Massachussets<\/p>\n<p>No Entroncamento, o que de mais not\u00e1vel aconteceu, por esses dias, foi a cria\u00e7\u00e3o do concelho. As elei\u00e7\u00f5es tinham decorrido em 18 de novembro, e a promulga\u00e7\u00e3o do decreto de cria\u00e7\u00e3o do concelho foi em 24 de novembro.<\/p>\n<p>De certa maneira, n\u00e3o surpreendeu. Desde 1933, que Jos\u00e9 Duarte Coelho, o presidente da Junta de Freguesia, batalhava pela independ\u00eancia administrativa do Entroncamento, agitando de vez em quando o pap\u00e3o do comunismo, para conseguir benef\u00edcios para a terra. E antes das elei\u00e7\u00f5es, o Governador Civil e a Junta de Prov\u00edncia do Ribatejo tinham-se pronunciado a favor da cria\u00e7\u00e3o do concelho.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o do concelho do Entroncamento n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o culminar de anos de esfor\u00e7os, de cartas ao Governo e de cunhas aos proeminentes da governa\u00e7\u00e3o. Ela parece ser, tamb\u00e9m, uma \u201cprenda\u201d do Governo, pela milit\u00e2ncia empenhada de Jos\u00e9 Duarte, numa terra em que havia cerca de 2.000 oper\u00e1rios e mais 500 empregados afetos \u00e0 esta\u00e7\u00e3o, aos servi\u00e7os de escrit\u00f3rio e de comboios, 2.500 ferrovi\u00e1rios, mais ou menos, dos quais uma parte tinha assinado as listas.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Duarte Coelho n\u00e3o era homem de discursos, falava quando era necess\u00e1rio, e pouco, gostava de trabalhar e mostrar obra. Quando ele escreveu, num dos seus memoriais para o Governo, em 1933, as palavras que se seguem, n\u00e3o se estava a servir de uma artimanha:<\/p>\n<p>\u201cSabemos que se v\u00e3o fazer elei\u00e7\u00f5es e por isso, Ex.mo Sr., muito lealmente como \u00e9 nosso dever, tanto mais que somos soldados disciplinados da ditadura, vimos informar V. Excel\u00eancia do descontentamento manifesto desta gente e, assim, portanto, um ambiente desfavor\u00e1vel ao ato a que se vai proceder.\u201d<\/p>\n<p>Vindo para o Entroncamento em 1911, para a Via e Obras, da CP, Jos\u00e9 Duarte assistira \u00e0s greves dos anarcossindicalistas, conhecera pessoalmente os republicanos, e destes, os que eram conotados com o reviralho, sabia do ambiente nas oficinas, e como presidente da Junta de Freguesia deveria tamb\u00e9m conhecer os que eram considerados subversivos pela PIDE. \u00c9 claro que havia descontentamento.<\/p>\n<p>N\u00e3o encontrei ainda a data de cria\u00e7\u00e3o do Posto de Vigil\u00e2ncia da PIDE, no Entroncamento, estes servi\u00e7os criavam-se sem estrondo nem inaugura\u00e7\u00f5es, no maior secretismo e envolvidos em correios confidenciais.<\/p>\n<p>A PIDE foi criada em 1945, o ano das listas do MUD, mas os postos de vigil\u00e2ncia j\u00e1 existiam desde 1935, ao servi\u00e7o da pol\u00edcia pol\u00edtica, que era ent\u00e3o a PVDE. E antes disso, existia a PIP, Pol\u00edcia Internacional Portuguesa, que tamb\u00e9m era uma pol\u00edcia pol\u00edtica, e \u00e0 qual pertenceu o famoso jogador do Casa Pia, Ant\u00f3nio Roquete. Em 1932, a imprensa chegara a noticiar que Roquete viria chefiar um posto da PIP, no Entroncamento, mas ficou s\u00f3 pela not\u00edcia.<\/p>\n<p>As listas do MUD foram organizadas por comiss\u00f5es distritais, mas aos ferrovi\u00e1rios do Entroncamento eram acess\u00edveis as listas de Lisboa, pelo contacto frequente dos ferrovi\u00e1rios entre si, e pela facilidade de transporte, uma vez que tinham passe da CP. E efetivamente, nessas listas de Lisboa, aparecem nomes de ferrovi\u00e1rios, muitos de Lisboa, das diversas linhas que ali afluem, mas tamb\u00e9m do Entroncamento e de terras vizinhas, de localidades ao longo da linha do Norte, e de esta\u00e7\u00f5es alentejanas e algarvias.<\/p>\n<p>Nas listas do MUD consult\u00e1veis na p\u00e1gina online da Funda\u00e7\u00e3o M\u00e1rio Soares e Maria Barroso, fui encontrando nomes do Entroncamento, por vezes isolados, outras vezes em grupos de ferrovi\u00e1rios de outras terras, e at\u00e9 um mar\u00edtimo da Barquinha e um comerciante da Meia Via, que integrei na lista dos nomes do Entroncamento, porque Entroncamento, Barquinha e Meia Via, ao longo da sua hist\u00f3ria, estiveram ligados, quanto mais n\u00e3o fosse, pela vizinhan\u00e7a geogr\u00e1fica que permanece, mas houve outras liga\u00e7\u00f5es. E t\u00e3o relevante essa vizinhan\u00e7a, que o comerciante da Meia Via escreveu, Meia Via \u2013 Entroncamento.<\/p>\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que residentes locais n\u00e3o ferrovi\u00e1rios tenham assinado outras listas, nomeadamente as de Torres Novas, uma vez que o jornal <em>O Almonda<\/em> refere que houve recolha de assinaturas.<\/p>\n<p>Os nomes encontrados nas listas do MUD v\u00e3o indicados pela ordem com que a PIDE numerou as ditas listas.<\/p>\n<p>\u00c9 uma homenagem a todos os que tiveram a coragem de lutar por algo que achavam importante para o Pa\u00eds e para si pr\u00f3prios, conscientes, certamente, dos riscos que corriam, ainda que numa situa\u00e7\u00e3o legal. Fica o testemunho.<\/p>\n<pre>Lista 195 (Pasta 10390) \u2013 Ab\u00edlio da Silva Estudante, estudante de Medicina \r\nVeterin\u00e1ria (s\u00e3o muitos os estudantes de Veterin\u00e1ria, nesta lista, mas s\u00f3 4 est\u00e3o \r\nsublinhados, Ab\u00edlio \u00e9 um deles, provavelmente devido a ser neto de um republicano \r\nconhecido).\r\nLista 219 (Pasta 10390) \u2013 Agostinho Teixeira, ferrovi\u00e1rio, Rua Sommer, \r\nEntroncamento.\r\n- Manuel Duque Antunes, ferrovi\u00e1rio, Rua Quinta da Capela, Entroncamento.\r\n- Jos\u00e9 Amaro, ferrovi\u00e1rio, Entroncamento.\r\n- Joaquim Duarte Churro, ferrovi\u00e1rio, Entroncamento.\r\nLista 1036 (Pasta 10392) \u2013 Am\u00e9rico Coelho, ferrovi\u00e1rio, Rua Elias Garcia, Bairro \r\nNovo, Entroncamento.\r\nLista 1082 (pasta 10392) \u2013 Albino da Concei\u00e7\u00e3o, Rua Elias Garcia, Entroncamento.\r\nLista 1107 (Pasta 10392) \u2013 Ant\u00f3nio Correia, ferrovi\u00e1rio, Rua Elias Garcia, \r\nEntroncamento.\r\nLista 1154 (Pasta 10392) \u2013 Manuel Chor\u00e3o Nunes, ferrovi\u00e1rio, Entroncamento.\r\nLista 1377 (Pasta 10393) \u2013 Augusto Conde, Entroncamento, Ponte da Pedra.\r\nLista 1378 (Pasta 10393) \u2013 Jo\u00e3o Gon\u00e7alves da Silva, reformado, Rua da Capela, \r\nEntroncamento.\r\nLista 1646 (Pasta 10394) \u2013 Ant\u00f3nio Maur\u00edcio Rosa, ferrovi\u00e1rio, Esta\u00e7\u00e3o do \r\nEntroncamento.\r\nLista 1723 (Pasta 10394) \u2013 Jos\u00e9 Ferreira, serralheiro, Rua Bairro Morgado, \r\nEntroncamento\r\nLista 2165 (Pasta 10395) \u2013 J\u00falio Batista, ferrovi\u00e1rio, Rua 1.\u00ba de Dezembro, \r\nEntroncamento.\r\nListas 2166 e 2166 verso (Pasta 10395) \u2013 Laurindo de Azevedo, ferrovi\u00e1rio, \r\nMoita do Norte (Entroncamento).\r\n- Ernesto Lopes Antunes, ferrovi\u00e1rio, \u00c1rgea (Entroncamento).\r\n- Lu\u00eds Martins Maia, ferrovi\u00e1rio, Entroncamento.\r\n- Jo\u00e3o Henrique, ferrovi\u00e1rio, Meia Via (Entroncamento).\r\n- Pedro Gon\u00e7alves, ferrovi\u00e1rio, Entroncamento.\r\n- An\u00edbal Grilo, trabalhador, Entroncamento, Bairro Novo.\r\n- Jo\u00e3o F. Cardigos, ferrovi\u00e1rio, Entroncamento.\r\n- Jos\u00e9 Sim\u00e3o, ferrovi\u00e1rio, Entroncamento.\r\n- Manuel Coelho, maquinista de 2.\u00aa, Entroncamento.\r\n- Jos\u00e9 Lopes Caldeira, Entroncamento, ferrovi\u00e1rio, Rua da Capela.\r\n- Ant\u00f3nio Rosa, ferrovi\u00e1rio, Entroncamento, Bairro Morgado.\r\n- Francisco Mota, ferrovi\u00e1rio, Entroncamento, Rua 5 de Outubro.\r\n- Augusto Tavares Amorim, Entroncamento, Rua 1.\u00ba de Dezembro.\r\nLista 2167 v. (Pasta 10395) - Jos\u00e9 Lu\u00eds Ferreira de Jesus, ferrovi\u00e1rio, \r\nEntroncamento, Bairro Morgado.\r\n- Guilherme Lopes (?), ferrovi\u00e1rio, Entroncamento, Barroca.\r\n- Joaquim Ant\u00f3nio Pereira, ferrovi\u00e1rio, Entroncamento.\r\nLista 2193 v. (Pasta 10395) - Alfredo Neves da Costa, comerciante, Meia Via \u2013 \r\nEntroncamento.\r\nLista 2230 (Pasta 10395) \u2013 Manuel Nogueira, mar\u00edtimo, Barquinha.\r\nLista 2238 v. (Pasta 10395) - Manuel Sirgado, serralheiro, Entroncamento.\r\nLista 2357 v. (Pasta 10395) \u2013 Felismino d\u2019Oliveira Mendes, ferrovi\u00e1rio, \r\nEntroncamento.\r\n- Ant\u00f3nio S.\u00aa Moreira, ferrovi\u00e1rio, Entroncamento.\r\nLista 2398 (Pasta 10395) \u2013 Jo\u00e3o Barata D\u00e3o, trabalhador, Barquinha.<\/pre>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/manuela-poitout-uma-ilusao-de-liberdade-em-1945-o-entroncamento-nas-litas-do-mud\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por raz\u00f5es que se prendem com os meus trabalhos e as minhas pesquisas, fui \u00e0 procura do nome de um m\u00e9dico, nas listas do MUD, Movimento de Unidade Democr\u00e1tica nascido em 1945, devido a circunst\u00e2ncias que ser\u00e3o explicadas mais adiante. 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