{"id":61902,"date":"2024-04-05T22:05:06","date_gmt":"2024-04-05T21:05:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/?p=61902"},"modified":"2024-04-05T22:05:06","modified_gmt":"2024-04-05T21:05:06","slug":"desfazendo-equivocos-a-proposito-do-monumento-de-camoes-e-da-cancao-oh-pomar-venturoso-jose-luz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/desfazendo-equivocos-a-proposito-do-monumento-de-camoes-e-da-cancao-oh-pomar-venturoso-jose-luz\/","title":{"rendered":"Desfazendo equ\u00edvocos a prop\u00f3sito do monumento de Cam\u00f5es e da can\u00e7\u00e3o \u00abOh Pomar venturoso\u00bb | Jos\u00e9 Luz"},"content":{"rendered":"<p>Com alguma frequ\u00eancia leio coment\u00e1rios na internet sobre os versos da can\u00e7\u00e3o XII atribu\u00edda a Cam\u00f5es, \u00abOh Pomar venturoso\u00bb, gravados no monumento em Const\u00e2ncia, de Lagoa Henriques. Naquela can\u00e7\u00e3o o poeta cantar\u00e1 a conflu\u00eancia da ribeira de P\u00eara com o rio Z\u00eazere. Dizem os cibernautas que se trata de um erro pois Cam\u00f5es se estar\u00e1 a referir a Pedr\u00f3g\u00e3o Grande e n\u00e3o a Punhete (Const\u00e2ncia). \u00c9 velho o argumento. E \u00e9 f\u00e1cil desmont\u00e1-lo. N\u00e3o se trata de erro nenhum. A inscri\u00e7\u00e3o do monumento a Lu\u00eds de Cam\u00f5es de versos desta can\u00e7\u00e3o tem um fundamento. Leia o presente artigo e perceber\u00e1 porqu\u00ea. J\u00e1 quanto ao facto do poeta n\u00e3o se ter referido ao \u00abrio\u00bb (Z\u00eazere) e ao Tejo na l\u00edrica, na fase do dito desterro, n\u00e3o concordo com essa conclus\u00e3o. Por v\u00e1rios motivos. Um, desde j\u00e1, posso adiantar. Na elegia do desterro o poeta queixa-se aos rios (na vers\u00e3o que o Visconde de Juromenha publicou). Mas essa \u00e9 outra linha de investiga\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-61903 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/thumbnail_foto__.jpg\" alt=\"\" width=\"481\" height=\"640\" srcset=\"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/thumbnail_foto__.jpg 481w, https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/thumbnail_foto__-316x420.jpg 316w\" sizes=\"auto, (max-width: 481px) 100vw, 481px\" \/><\/p>\n<p>Cam\u00f5es, um poeta de absoluta modernidade que se encontra sempre \u00e0 nossa frente. Empossado o Governo, debaixo de cita\u00e7\u00f5es camonianas, repostos o escudo e esfera armilar no devido s\u00edtio, resta-nos aguardar pelo programa das comemora\u00e7\u00f5es dos ditos 500 anos do nascimento de Cam\u00f5es. Certa parece ser a escolha de Pedr\u00f3g\u00e3o Grande para as comemora\u00e7\u00f5es do Dia de Portugal, de Cam\u00f5es e das Comunidades Portuguesas (eventos do dia 10 de Junho). A confirma\u00e7\u00e3o, segundo a Lusa, aconteceu recentemente numa reuni\u00e3o preparat\u00f3ria com autarcas da CIMRL \u2013 Comunidade Intermunicipal da Regi\u00e3o de Leiria, por parte do Chefe da Casa Civil. Aguarda-se o programa oficial.<\/p>\n<p>Jorge de Sena j\u00e1 dizia no seu ensaio \u201cCam\u00f5es: o poeta l\u00edrico\u201d: \u201cSe pouco sabemos de Cam\u00f5es, biograficamente falando, tudo sabemos da sua persona po\u00e9tica, j\u00e1 que n\u00e3o muitos poetas, em qualquer tempo transformaram a sua pr\u00f3pria experi\u00eancia e pensamento numa tal reveladora obra de arte, como a poesia de Cam\u00f5es \u00e9\u00bb.<\/p>\n<p>Curiosamente, decorreu em Pedr\u00f3g\u00e3o Grande, em 1995, uma extens\u00e3o do III F\u00f3rum Camoniano comemorativo do quarto centen\u00e1rio da primeira edi\u00e7\u00e3o das \u00abRimas v\u00e1rias\u00bb, de Lu\u00eds de Cam\u00f5es. A iniciativa do Centro Internacional de Estudos Camonianos da Associa\u00e7\u00e3o da Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es de Const\u00e2ncia contou, por exemplo, com a coloca\u00e7\u00e3o de uma placa com excertos da Can\u00e7\u00e3o \u00abOh Pomar venturoso\u00bb em que, de<\/p>\n<p>maneira quase excepcional, se descreve a paisagem da conflu\u00eancia da Ribeira de P\u00eara com o Z\u00eazere. \u00c9 a famosa can\u00e7\u00e3o XII que alguma cr\u00edtica liter\u00e1ria atribui a Cam\u00f5es. O III F\u00f3rum Camoniano foi ali\u00e1s das escassas iniciativas nacionais a assinalar a efem\u00e9ride da edi\u00e7\u00e3o da l\u00edrica. E contou com a prestimosa colabora\u00e7\u00e3o de docentes ligados \u00e0s Universidades de Coimbra, Lisboa e A\u00e7ores. Rita Marnoto (Coimbra), Comiss\u00e1ria designada para o V Centen\u00e1rio de Cam\u00f5es era uma das docentes do III F\u00f3rum Camoniano em 1995 que decorreu essencialmente em Const\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A Can\u00e7\u00e3o \u00abOh Pomar Venturoso\u00bb tem ocupado a cr\u00edtica ao longo dos tempos. Na edi\u00e7\u00e3o das \u00abRimas\u00bb, de 1595 (primeira colect\u00e2nea da obra n\u00e3o-\u00e9pica de Cam\u00f5es) , apresentava-se ao p\u00fablico apenas as dez can\u00e7\u00f5es do poeta ditas aut\u00eanticas. Nessa edi\u00e7\u00e3o foi prologador Fern\u00e3o Rodrigues Lobo Soropita. Jorge de Sena, na sua monumental obra \u00abUma can\u00e7\u00e3o de Cam\u00f5es\u00bb, refere-se a Soropita, \u00abpoeta por m\u00e9rito pr\u00f3prio\u00bb, que por cautela defendia desde logo aquela edi\u00e7\u00e3o, de eventuais acusa\u00e7\u00f5es de descuido, \u00abnuma afirma\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios de uma correcta e prudente cr\u00edtica textual\u00bb, segundo o ju\u00edzo avisado de Sena. Tr\u00eas anos mais tarde, Estev\u00e3o Lopes, usando do seu privil\u00e9gio, reeditou a colect\u00e2nea tendo corrigido \u00aberros\u00bb. Mas da\u00ed n\u00e3o resultou a apari\u00e7\u00e3o de mais nenhuma can\u00e7\u00e3o, como \u00e9 sabido.<\/p>\n<p>Em 1668, Ant\u00f3nio \u00c1lvares da Cunha, numa nova colect\u00e2nea (terceira parte das rimas), inclu\u00eda mais quatro can\u00e7\u00f5es, tr\u00eas da quais tinham sido publicadas como an\u00f3nimas na Miscel\u00e2nea (1629), de Miguel Leit\u00e3o de Andrada. \u00c9 aqui que surge a Can\u00e7\u00e3o \u00abOh Pomar venturoso\u00bb e a possibilidade da autoria camoniana (a obra de Faria e Sousa tratou do assunto, mas \u00e9 de edi\u00e7\u00e3o posterior, apesar de ter sido escrita antes de \u00c1lvares da Cunha). Em 1996 encontrei na Biblioteca Municipal de Santar\u00e9m, Braancamp Freire, um exemplar desta obra contendo entre outros o seguinte coment\u00e1rio: \u00abAs tr\u00eas can\u00e7\u00f5es seguintes andam com muitos erros impressas nas Miscel\u00e2neas de Miguel Leit\u00e3o, \u00e9 certo serem de Lu\u00eds de Cam\u00f5es, como se colhe de alguns manuscritos a quem seguimos, e com quem as emendamos\u00bb. E segue-se a can\u00e7\u00e3o \u00abOh Pomar venturoso\u00bb.<\/p>\n<p>Mas havia mais novidades: \u00abLeitor. Convido-vos neste volume, com os versos, que ainda n\u00e3o vistes do nosso grande poeta Lu\u00eds de Cam\u00f5es, que os trabalhos dos estudos nos trouxeram \u00e0 m\u00e3o, de v\u00e1rios manuscritos, muitos da letra pr\u00f3pria do Autor. Pouco hei mister para vos fazer crer esta verdade, porque eles mesmo testemunham quem os fez (\u2026)\u00bb.<\/p>\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o p\u00f3stuma de Manuel de Faria e Sousa, de 1685-88, revela-se uma can\u00e7\u00e3o mais, de cuja autenticidade, o pr\u00f3prio n\u00e3o estava convencido. Um pormenor ressalta \u00e0 vista num coment\u00e1rio de Sena sobre Faria e Sousa \u00abquanto o est\u00e1 (convencido, leia-se), ainda que relativamente, da das tr\u00eas que Miguel Leit\u00e3o publicara\u00bb. Com o Visconde de Juromenha, edi\u00e7\u00e3o de 1860-69, o n\u00famero das can\u00e7\u00f5es aumentou.<\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed que nos diz: \u00abSe a can\u00e7\u00e3o XII \u00e9 do poeta alguma vez dirigiu as suas excurs\u00f5es at\u00e9 o Pedr\u00f3g\u00e3o pois n\u2019esta can\u00e7\u00e3o nos descreve uma visita ao convento que os dominicanos tinham naquele s\u00edtio junto \u00e0s margens do Z\u00eazere, e talvez fizesse a visita instado por Miguel Leit\u00e3o de Andrade, fidalgo ilustre e rico propriet\u00e1rio deste s\u00edtio, aquele mesmo que depois lhe p\u00f4s um epit\u00e1fio junto \u00e0 sua sepultura\u00bb.<\/p>\n<p>Na \u00c9cloga II, o pastor Agr\u00e1rio diz a Almeno, ao v\u00ea-lo chorar as suas desditas de amor: \u00abTodos os teus amigos e parentes\/Que l\u00e1 da serra v\u00eam por consolar-te\/Sentindo na alma a pena que tu sentes\/Se querem de teus males apartar-se\u00bb. Cam\u00f5es teria parentes na zona de Coimbra. Viriam \u00e0 Serra, em Pedr\u00f3g\u00e3o Grande? Estando em Punhete (Const\u00e2ncia), Cam\u00f5es (Almeno) seria visitado pelos parentes \u00abl\u00e1 da serra\u00bb?<\/p>\n<p>A cr\u00edtica liter\u00e1ria inclina-se para aceitar a autoria camoniana.<\/p>\n<p>Esta can\u00e7\u00e3o foi atribu\u00edda por Carolina Michaelis de Vasconcelos a Miguel Leit\u00e3o de Andrade. O m\u00e9dico e literato Adriano Burguete contestou o caso, \u00abutilizando com muita profici\u00eancia o processo estil\u00edstico comparativo\u00bb nas palavras de Maria Clara Pereira da Costa (Obra \u00abCasa de Cam\u00f5es em Const\u00e2ncia, 1977). E Jorge de Sena, mais recentemente, utilizando m\u00e9todo mais moderno concluiu que \u00aba priori quanto \u00e0s caracter\u00edsticas estruturais da forma externa, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel excluir a hip\u00f3tese da autoria camoniana\u00bb.<\/p>\n<p>O poeta de \u00abMetamorfoses\u00bb procedeu a uma interpreta\u00e7\u00e3o estrutural da can\u00e7\u00e3o camoniana, precedida de um estudo geral sobre a can\u00e7\u00e3o petrarquista peninsular. E ainda sobre as can\u00e7\u00f5es e as odes de Cam\u00f5es, envolvendo a quest\u00e3o dos ap\u00f3crifas. E concluiu sobre Cam\u00f5es: \u00abA sua prefer\u00eancia pela can\u00e7\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o aos seus contempor\u00e2neos portugueses, \u00e9 mais uma prova da centralidade das can\u00e7\u00f5es na l\u00edrica camoniana\u00bb.<\/p>\n<p>Na gera\u00e7\u00e3o do nosso poeta a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria muito mais brilhante do que anteriormente: \u00abQuanto \u00e0 forma can\u00e7\u00e3o. S\u00f3 Diogo Bernardes ter\u00e1 acompanhado Cam\u00f5es nas suas aventuras com aquela forma, se bem que o n\u00e3o tenha feito em termos t\u00e3o amplos e t\u00e3o profundos como os que Cam\u00f5es aplicou\u00bb, defende.<\/p>\n<p>Sena diz que antes da gera\u00e7\u00e3o de Cam\u00f5es e, malgrado , leia-se, \u00ab o conhecimento incompleto e fragment\u00e1rio, al\u00e9m de incerto, das obras de quase todos esses homens\u00bb, pode-se afirmar, em princ\u00edpio, que a can\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi praticamente cultivada pelas tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias que precederam a do nosso vate: N\u00e3o as t\u00eam Bernardim Ribeiro (este, constituiu o primeiro grupo geracional com S\u00e1 de Miranda, e tem duas dedicadas \u00e0 Virgem nossa Senhora). N\u00e3o as tem o segundo grupo, constitu\u00eddo pelo duque (1\u00ba duque de Aveiro, D. Jo\u00e3o de Lencastre, neto do rei D. Jo\u00e3o II) ou o infante (Infante D. Lu\u00eds, filho do rei D. Manuel I). N\u00e3o as tem o terceiro grupo, por Crist\u00f3v\u00e3o Falc\u00e3o (?), e Francisco de S\u00e1 de Meneses (ter\u00e1 uma apenas).<\/p>\n<p>Sena diz tamb\u00e9m que as tr\u00eas can\u00e7\u00f5es comuns a Faria e Sousa e a \u00c1lvares da Cunha foram aceites pelo erudito Storck. O alem\u00e3o aceitara, embora com reservas a can\u00e7\u00e3o \u00abOh Pomar venturoso\u00bb.<\/p>\n<p>Tal como referia Maria Clara Costa, Sena usou um m\u00e9todo pr\u00f3prio, mais moderno, ali\u00e1s, tendo sido criticado internamente pela \u00abousadia\u00bb. Assim, fez uma an\u00e1lise comparativa procurando concluir da conformidade relativa das can\u00e7\u00f5es ditas ap\u00f3crifas \u00e0 luz do inqu\u00e9rito estrutural das can\u00e7\u00f5es \u00abcan\u00f3nicas\u00bb.<\/p>\n<p>Para o caso, escolheu can\u00e7\u00f5es com commiato (parte final, pequena est\u00e2ncia\/coment\u00e1rio do texto), a saber: \u00abOh Pomar venturoso\u00bb (1668); \u00abQuem com s\u00f3lido intento\u00bb (1668); \u00abQu\u2019\u00e9 isto? Sonho? Ou vejo a Ninfa pura\u00bb (1668); \u00abCrescendo vai meu mal de hora em hora\u00bb (1861).<\/p>\n<p>Que concluiu, para estas quatro can\u00e7\u00f5es, considerando a compara\u00e7\u00e3o de que foram objecto, em rela\u00e7\u00e3o ao c\u00e2none das dez can\u00e7\u00f5es aceitas? \u00abQue nos permite concluir, sobre a apocrifia, o inqu\u00e9rito estrutural \u00e0 forma externa delas? Que, a priori, quanto \u00e0s caracter\u00edsticas estruturais da forma externa, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel excluir a hip\u00f3tese de autoria camoniana das duas can\u00e7\u00f5es \u00abOh pomar venturoso\u00bb e \u00abQuem com s\u00f3lido intento\u00bb, que se conformam mesmo a par\u00e2metros can\u00f3nicos t\u00e3o peculiares com os \u00edndices da estrofe e do commiato, e a variabilidade total\u00bb.<\/p>\n<p>Justino Mendes de Almeida, ent\u00e3o Reitor da Universidade Aut\u00f3noma de Lisboa, tamb\u00e9m pesquisou sobre o assunto, tendo revelado um dado novo antes da sua exposi\u00e7\u00e3o no III F\u00f3rum Camoniano: \u00abAntes de come\u00e7ar a minha exposi\u00e7\u00e3o sobre um aspecto espec\u00edfico das Rimas camonianas, as Odes, \u00e9 justo que se evoque o nome de Miguel Leit\u00e3o de Andrade, ou Andrada, natural de Pedr\u00f3g\u00e3o, contempor\u00e2neo e admirador do poeta Lu\u00eds de Cam\u00f5es\u00bb.<\/p>\n<p>Diz Justino Almeida que Leit\u00e3o de Andrade teria mandado colocar, segundo o testemunho de Frei Fernando da Soledade, cronista franciscano, autor da Cr\u00f3nica Ser\u00e1fica, confirmado pelo Livro de Diogo Mouro de Sousa, manuscrito da Biblioteca da Ajuda, mormente, \u00abum epit\u00e1fio em louvor do Poeta, ao lado daquele que l\u00e1 mandara p\u00f4r D. Gon\u00e7alo Coutinho, t\u00e3o conhecido\u00bb.<\/p>\n<p>O texto de Leit\u00e3o de Andrade diria assim:<\/p>\n<p>\u00abO gr\u00e3o Cam\u00f5es aqui jaz<\/p>\n<p>Em pouca terra enterrado;<\/p>\n<p>Nas terras t\u00e3o nomeado,<\/p>\n<p>De espada t\u00e3o eficaz<\/p>\n<p>Quanto na pena afamado\u00bb.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E nos lados estes dois epit\u00e1fios:<\/p>\n<p>Miguel Leit\u00e3o d\u2019Andrade<\/p>\n<p>Gratitudinis ergo posuit.<\/p>\n<p>e<\/p>\n<p>Ordinarii sub censura permissu et d. patronorum.<\/p>\n<p>Nota o ent\u00e3o Reitor da UAL que, \u00abse no segundo epit\u00e1fio se declara que houve censura do Ordin\u00e1rio e autoriza\u00e7\u00f5es dos Superiores para a coloca\u00e7\u00e3o dos versos de Andrade na sepultura de Cam\u00f5es\u00bb, no primeiro, contrap\u00f5e, \u00abdeclara-se que Andrade o fez gratitudinis ergo, em \u00absinal de reconhecimento\u00bb\u00bb.<\/p>\n<p>O voc\u00e1bulo gratitudo, explica, \u00abque n\u00e3o \u00e9 do latim cl\u00e1ssico, vem j\u00e1 registado no dicion\u00e1rio quinhentista de Jer\u00f3nimo Cardoso\u00bb.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida para Justino Almeida de que \u00aba admira\u00e7\u00e3o de Leit\u00e3o de Andrade por Cam\u00f5es est\u00e1 tamb\u00e9m comprovada em diversos passos da Miscel\u00e2nea do S\u00edtio de Nossa Senhora da Luz do Pedr\u00f3g\u00e3o Grande\u00bb mas, com o terramoto de 1755, sublinha \u00abperdeu-se o monumento epigr\u00e1fico que, tal como referiu, Leit\u00e3o de Andrade mandara colocar na sepultura de Cam\u00f5es na igreja do Mosteiro de Sant\u2019Ana\u00bb. Ora, o professor pensa ter encontrado um testemunho, embora indirecto, dessa homenagem de Leit\u00e3o de Andrade ao Poeta: \u00abAo ler o artigo de Brito Rebelo, \u00abMiguel Leit\u00e3o d\u2019Andrade. Apontamentos biogr\u00e1ficos e testamento\u00bb, publicado 2, p. 12-19, do Archivo Hist\u00f3rico Portuguez, vejo no documento n\u00ba XIV uma not\u00edcia a que atribuo grande interesse\u00bb. O documento a que se reporta \u00e9 sobre uma dilig\u00eancia feita sobre as casas de Leit\u00e3o de Andrade, num auto de vinte e seis dias do m\u00eas de Abril de mil e seiscentos e trinta, na cidade de Lisboa, l\u00ea-se ali, \u00abnas pousadas de Miguel Leit\u00e3o de Andrade morador na rua direita que vai da cal\u00e7ada de Santa Ana para a dita igreja donde eu escriv\u00e3o fui com o padre Gon\u00e7alo Pereira procurador do tombo de sendo presente o dito Miguel Leit\u00e3o o requeri e notifiquei\u00bb. Assinam o procurador do tombo \u2013 Lu\u00eds de Moura \u2013 Gon\u00e7alo Pereira.<\/p>\n<p>Portanto, Leit\u00e3o de Andrade era morador na Rua Direita que vai da Cal\u00e7ada de Sant\u2019Ana para a dita sua igreja. \u00abAli ter\u00e1 visto, por mais de uma vez, a homenagem de D. Gon\u00e7alo Coutinho e ali tamb\u00e9m mandou, com autoriza\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica, colocar a sua homenagem gratitudinis ergo. Que gratid\u00e3o? Quem sabe se por Cam\u00f5es lhe ter feito a can\u00e7\u00e3o \u00ab\u00d3 pomar venturoso\u00bb, transcrita na \u00edntegra na Miscel\u00e2nia, com a alus\u00e3o abstracta da autoria, \u00abE em louvor deste pomar se fez esta can\u00e7\u00e3o\u00bb, o que n\u00e3o \u00e9 seu h\u00e1bito nos demais poemas que transcreve\u00bb. Muito interessante, a perspectiva do professor Justino Mendes de Almeida, a quem devo muito nestas mat\u00e9rias.<\/p>\n<p>\u00abCam\u00f5es e o Convento de Nossa Senhora da Luz, em Pedr\u00f3g\u00e3o Grande\u00bb, foi a exposi\u00e7\u00e3o que coube a Maria Cristina Neto, da Associa\u00e7\u00e3o dos Arque\u00f3logos Portugueses, falecida recentemente. O texto apresentado em Pedr\u00f3g\u00e3o Grande integrou-se numa extens\u00e3o ao III F\u00f3rum Camoniano comemorativo do quarto centen\u00e1rio da primeira edi\u00e7\u00e3o das Rimas e acompanhou a coloca\u00e7\u00e3o de uma placa com excertos da Can\u00e7\u00e3o \u00abPomar venturoso\u00bb em que, de maneira quase excepcional, se descreve a paisagem da conflu\u00eancia da Ribeira de P\u00eara com o Z\u00eazere. A iniciativa contou com o apoio da C\u00e2mara Municipal de Pedr\u00f3g\u00e3o Grande.<\/p>\n<p>Diz Cristina Neto que \u00abpor desejo do povo, em consequ\u00eancia da actua\u00e7\u00e3o de um conterr\u00e2neo, Frei Jo\u00e3o Domingues, da Ordem dos Pregadores\u00bb, resolveu fundar-se um convento com esta invoca\u00e7\u00e3o, em conformidade com a Breve de 28 de Dezembro de 1475. Os terrenos foram oferecidos por Jo\u00e3o Rodrigues de Vasconcelos e sua mulher, Dona Branca da Silva, elucida, \u00abcom seus pomares, regados de uma formosa fonte de muita, e boa \u00e1gua\u00bb. A autora recorreu a Frei Lu\u00eds de Sousa, e \u00e0 informa\u00e7\u00e3o de que houve escritura de 12 de Setembro de 1476.<\/p>\n<p>Segundo Ant\u00f3nio Machado de Faria, Leit\u00e3o de Andrade estudou Portugu\u00eas e Latim neste convento.<\/p>\n<p>Pouco restava do antigo convento em 1996, segundo Cristina Neto: \u00aba porta principal e os contrafortes da Igreja, arcos, colunas com inscri\u00e7\u00f5es, cantarias, a pedra tumular de Baltazar Aranha de Oliveira, j\u00e1 estudada (\u2026) e os ossos humanos encontrados durante as obras realizadas nos anos 80 e estudadas pelo Dr. Lu\u00eds Lopes e por mim pr\u00f3pria, bem como um manuscrito setecentista ainda in\u00e9dito, do qual aguardamos divulga\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p>Em Maio de 1988 decorreram em Pedr\u00f3g\u00e3o Grande, parte das comemora\u00e7\u00f5es do IV centen\u00e1rio da Morte de Frei Lu\u00eds de Granada, promovidas pela Sec\u00e7\u00e3o de Hist\u00f3ria da Associa\u00e7\u00e3o dos Arque\u00f3logos Portugueses. Foi quem elevou o convento a noviciado de onde sa\u00edram Frei Ant\u00f3nio de Sousa, mais tarde Bispo de Viseu e Frei In\u00e1cio de S\u00e3o Domingos.<\/p>\n<p>Do testemunho da antiga arque\u00f3loga retemos ainda e com interesse: \u00abA Senhora Dona Manuela de Azevedo, citando a nossa amiga Dra. Maria Clara Pereira da Costa, confirmou-me que esta investigadora h\u00e1 mais de 20 anos, em companhia do Eng. Themudo de Castro e outras individualidades de Const\u00e2ncia, subiu de barco o Z\u00eazere at\u00e9 \u00e0 conflu\u00eancia com a Ribeira de P\u00eara. Nessa altura, a Dra. Maria Clara teve oportunidade de ver um livro antigo na Biblioteca Municipal que, segundo informa\u00e7\u00e3o oral, teria sido perten\u00e7a do Convento, e no qual se admitia que o futuro autor de \u00abOs Lus\u00edadas\u00bb ali passara horas de lazer, frequentando a livraria, provavelmente ent\u00e3o rica em cl\u00e1ssicos. Isto passar-ser-ia (\u2026) quando da sua presum\u00edvel estada em Const\u00e2ncia, a Punhete de ent\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p>Uma pequena nota de Jorge de Sena, antes da transcri\u00e7\u00e3o da can\u00e7\u00e3o XII: \u00abSempre que poss\u00edvel, os textos das can\u00e7\u00f5es ap\u00f3crifas foram conferidos pelas edi\u00e7\u00f5es ou manuscritos de origem (\u2026.) mas sem entrar-se em min\u00facias de fixa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica da li\u00e7\u00e3o delas (\u2026) Isso n\u00e3o significa que \u00e0 transcri\u00e7\u00e3o n\u00e3o tenham sido aplicados os mesmos crit\u00e9rios que viemos defendendo. Ser\u00e1 do maior interesse que, para a sua edifica\u00e7\u00e3o, o leitor curioso compare, na edi\u00e7\u00e3o de Juromenha, ou outras, as li\u00e7\u00f5es (?) dos textos\u2026\u00bb.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00d3 Pomar venturoso (Miscel\u00e2nea e Terceira parte de 1668)<\/p>\n<p>I<\/p>\n<p>\u00d3 Pomar venturoso,<\/p>\n<p>Onde com a natureza<\/p>\n<p>A subtil arte tem demanda incerta,<\/p>\n<p>Que em s\u00edtio t\u00e3o fermoso<\/p>\n<p>A maior subtileza<\/p>\n<p>De engenho em ti nos mostras descoberta:<\/p>\n<p>Nenhum ju\u00edzo acerta,<\/p>\n<p>De cego e de enlevado,<\/p>\n<p>Se tem em ti mais parte<\/p>\n<p>A natureza, ou a arte;<\/p>\n<p>Se terra ou c\u00e9u de ti tem mais cuidado,<\/p>\n<p>Pois em feliz terreno<\/p>\n<p>Gozas de um ar mias puro e mais sereno.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>II<\/p>\n<p>De teu formoso peso<\/p>\n<p>Se mostra o monte ledo,<\/p>\n<p>E o caudaloso Z\u00eazere te estranha,<\/p>\n<p>Porque olhas com desprezo<\/p>\n<p>Seu cristal puro e quedo,<\/p>\n<p>Que com Pera os teus p\u00e9s rodeia e banha.<\/p>\n<p>Em ti pintura estranha,<\/p>\n<p>A que Apeles cedera,<\/p>\n<p>Enigmas intrincados,<\/p>\n<p>E mirtos animados<\/p>\n<p>Vemos, que o pr\u00f3prio Escopas n\u00e3o fizera:<\/p>\n<p>Em ti, co\u2019 a paz interna,<\/p>\n<p>Tem o santo prazer morada eterna.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>III<\/p>\n<p>Os jardins da famosa<\/p>\n<p>Babel t\u00e3o nomeados,<\/p>\n<p>Por maravilha o mundo n\u00e3o levante,<\/p>\n<p>Inda que com gloriosa<\/p>\n<p>Voz, que est\u00e3o pendurados<\/p>\n<p>Do inst\u00e1vel ar a fama antiga cante?<\/p>\n<p>Nem haja quem se espante<\/p>\n<p>Dos famosos de Alcino;<\/p>\n<p>Nem as mais doctas penas<\/p>\n<p>Cantem os de Mecenas,<\/p>\n<p>Cultor de todo o engenho peregrino,<\/p>\n<p>Mas onde quer que voe,<\/p>\n<p>De ti s\u00f3 fale a Fama, e te pregoe.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>IV<\/p>\n<p>Que se era antiguamente<\/p>\n<p>De pomos de ouro belos<\/p>\n<p>O jardim das Hesp\u00e9rides ornado,<\/p>\n<p>E, a pesar da serpente<\/p>\n<p>Que os guardou, s\u00f3 colh\u00ea-los<\/p>\n<p>Pode o famoso Alcides de esfor\u00e7ado:<\/p>\n<p>Tu, mais avantajado,<\/p>\n<p>Mostras a uma alma casta<\/p>\n<p>Seguir o que deseja,<\/p>\n<p>Fugir da torpe inveja<\/p>\n<p>(Pomos de ouro que o tempo n\u00e3o contrasta):<\/p>\n<p>Enfim co\u2019a caridade,<\/p>\n<p>Vencer o Inferno, abrir a Eternidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>V<\/p>\n<p>Por tanto da ventura,<\/p>\n<p>Para ti reservada,<\/p>\n<p>Te deixe o c\u00e9u gozar perpetuamente,<\/p>\n<p>Porque sejas figura<\/p>\n<p>Da gl\u00f3ria avantajada<\/p>\n<p>Dele mesmo, e que em ti se represente;<\/p>\n<p>Porque em quanto sustente<\/p>\n<p>O C\u00e9u, o Mar e a Terra,<\/p>\n<p>Seus feitos milagrosos,<\/p>\n<p>Mist\u00e9rios mais gloriosos,<\/p>\n<p>Com que a morte das almas nos desterra,<\/p>\n<p>Por onde em nossas almas<\/p>\n<p>Com que pompas triunfa e com mais palmas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>VI<\/p>\n<p>Goza, pois, longamente<\/p>\n<p>Teu venturoso Fado,<\/p>\n<p>Da m\u00e3e do teu Autor bem possu\u00eddo,<\/p>\n<p>Que em ti sempre contente<\/p>\n<p>De seu sublime estado<\/p>\n<p>A alma dos seus alegra, e o sentido.<\/p>\n<p>Cada qual preferido<\/p>\n<p>Nas grandes qualidades<\/p>\n<p>Ao s\u00e1bio Nestor seja,<\/p>\n<p>Para que o mundo os veja<\/p>\n<p>Exceder as longu\u00edssimas idades,<\/p>\n<p>E com a longa vida<\/p>\n<p>Seja sua mem\u00f3ria enobrecida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>VII<\/p>\n<p>Can\u00e7\u00e3o, pois mais famosas<\/p>\n<p>Por ti n\u00e3o podem ser<\/p>\n<p>Deste monte as est\u00e2ncias deleitosas,<\/p>\n<p>Bem pode suceder<\/p>\n<p>Que aquele que os teus n\u00fameros governa<\/p>\n<p>Por quer\u00ea-las cantar te fa\u00e7a eterna.<\/p>\n<p>(Texto de 1668)<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Luz<\/p>\n<p>(ex-presidente do Conselho Fiscal e ex-associado da Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es em Const\u00e2ncia)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>PS \u2013 N\u00e3o uso o dito AOLP. Gostaria que cada constanciense pudesse conhecer esta boa pol\u00e9mica da can\u00e7\u00e3o \u00abOh Pomar venturoso\u00bb para assim podermos argumentar e defender a tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria de Const\u00e2ncia de quem o Dr Adriano Burguete foi grande<\/p>\n<p>arauto. A de que o poeta ter\u00e1 feito excurs\u00f5es a Pedr\u00f3g\u00e3o Grande por alturas do seu eventual desterro na nossa terra. H\u00e1 dados soltos que parecem provar uma certa proximidade entre Cam\u00f5es e um grande propriet\u00e1rio de Pedr\u00f3g\u00e3o Grande, Miguel Leit\u00e3o de Andrada, corografista que esteve preso em Alc\u00e1cer-Quibir. E n\u00f3s sabemos que de Const\u00e2ncia partiram 40 cavaleiros honrados com o Rei D. Sebasti\u00e3o que aqui viveu por diversas vezes (Ver\u00edssimo Serr\u00e3o, Ver\u00edssimo Jos\u00e9 d\u2019Oliveira e o Padre Carvalho da Costa escreveram sobre essas estadias).<\/p>\n<p>Bibliografia principal desta cr\u00f3nica (apesar de haver outras complementares)<\/p>\n<p>Sena, Jorge de. \u00abUma can\u00e7\u00e3o de Cam\u00f5es\u00bb. Edi\u00e7\u00f5es 70. 1984. http:\/\/arquivo.cm-constancia.pt\/viewer?id=986622&#8230;<\/p>\n<p>https:\/\/arquivo.cm-constancia.pt\/viewer?id=986582&#038;FileID=225200<\/p>\n<p>https:\/\/arquivo.cm-constancia.pt\/viewer?id=986582&#038;FileID=225195<\/p>\n<p>\u00abL\u00edrica Camoniana, estudos diversos\u00bb. Centro Internacional de Estudos Camonianos da Associa\u00e7\u00e3o da Casa-Mem\u00f3ria de Cam\u00f5es em Const\u00e2ncia. Edi\u00e7\u00f5es Cosmos. Const\u00e2ncia-Lisboa, 1999.<\/p>\n<div class=\"fb-background-color\">\n\t\t\t  <div \n\t\t\t  \tclass = \"fb-comments\" \n\t\t\t  \tdata-href = \"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/desfazendo-equivocos-a-proposito-do-monumento-de-camoes-e-da-cancao-oh-pomar-venturoso-jose-luz\/\"\n\t\t\t  \tdata-numposts = \"10\"\n\t\t\t  \tdata-lazy = \"true\"\n\t\t\t\tdata-colorscheme = \"light\"\n\t\t\t\tdata-order-by = \"social\"\n\t\t\t\tdata-mobile=true>\n\t\t\t  <\/div><\/div>\n\t\t  <style>\n\t\t    .fb-background-color {\n\t\t\t\tbackground:  !important;\n\t\t\t}\n\t\t\t.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {\n\t\t\t    width: 100% !important;\n\t\t\t}\n\t\t  <\/style>\n\t\t  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com alguma frequ\u00eancia leio coment\u00e1rios na internet sobre os versos da can\u00e7\u00e3o XII atribu\u00edda a Cam\u00f5es, \u00abOh Pomar venturoso\u00bb, gravados no monumento em Const\u00e2ncia, de Lagoa Henriques. Naquela can\u00e7\u00e3o o poeta cantar\u00e1 a conflu\u00eancia da ribeira de P\u00eara com o rio Z\u00eazere. Dizem os cibernautas que se trata de um erro pois Cam\u00f5es se estar\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":{"0":"post-61902","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-correio-dos-leitores"},"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61902","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61902"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61902\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61902"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61902"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.entroncamentoonline.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61902"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}